Objeto interestelar em estudo intriga cientistas sobre suas propriedades físicas; à CNN, astrônomos falaram mais sobre o fenômeno Tecnologia, Astronomia, Cometa CNN Brasil
O cometa “visitante” 3I/ATLAS passou pelo periélio na última quarta-feira (30) a uma distância de cerca de 1,4 UA (210 milhões de quilômetros) — logo dentro da órbita de Marte, segundo informações da Nasa. O momento significa o ponto que o objeto interestelar passou mais próximo do Sol e, agora, segundo astrônomos ouvidos pela CNN, pode chegar próximo à Terra nas próximas semanas.
Segundo Marcos Calil, astrônomo da Urânia Planetário, o cometa está indo embora do nosso sistema solar. O profissional ainda explica que a trajetória do 3I/ATLAS gerou especulações infundadas nas redes sociais.
“Nesse momento, o pessoal começou a especular que ele poderia bater na Terra, o que é mentira. É um objeto enigmático, afinal, é o terceiro que passa pelo nosso sistema solar vindo de outro sistema, de outra estrela, e a gente não sabe direito o que ele é. Aí já começa aquela especulação de que é um OVNI, que de repente pode ser uma nave espacial. Então, trouxe toda essa fantasia imaginária.”
Apesar disso, o cometa passará relativamente próximo de outros planetas, segundo o também astrônomo da Urânia Planetário Emerson Roberto Perez. “Ele vai passar bem mais próximo, por exemplo, de Vênus e Marte. Vai passar mais perto deles do que da Terra nos próximos dias,” ressalta.
De acordo com as previsões astronômicas de Emerson, o cometa alcançará seu ponto mais próximo da Terra aproximadamente em 19 de dezembro, mantendo uma distância segura de 1,8 unidade astronômica — o equivalente a quase duas vezes a distância entre nosso planeta e o Sol.
“Infelizmente, não teremos como presente de natal a possibilidade de ver o cometa a olho nu, apenas com equipamento profissional”, diz o especialista. A situação se dá por conta da grande distância em relação à Terra e à baixa luminosidade.
Uma característica notável deste cometa é que sua passagem pelo Sistema Solar será única. Após completar sua trajetória ao redor do Sol, o 3I/Atlas seguirá em direção ao espaço interestelar, não retornando mais ao nosso sistema planetário, ressalta Emerson.
Importância o cometa 3I/Atlas para a comunidade científica
Os astrônomos ressaltam a importância científica desses objetos interestelares.
“Eles podem trazer consigo muitas informações — como a questão primitiva da composição química do Sistema Solar ou de outro sistema solar. Qual é a sua composição química, se realmente carregam água dentro de si, e se isso pode ter impactado, há bilhões de anos, na formação da Terra e no surgimento da vida”, diz Calil.
“Ele vai se aproximar um pouquinho mais da Terra nos próximos dias, e poderemos ter uma coleta de dados muito importante sobre uma região desconhecida e um objeto desconhecido. A composição dele, a maneira como se comporta e o fato de ter chegado até nós — ele viajou bilhões e bilhões de quilômetros para chegar aqui — nos traz informações de regiões que hoje não teríamos condições de visitar”, afirma Perez.
Emerson destaca, por fim, que o estudo do 3I/ATLAS pode ampliar o entendimento sobre a formação de outros sistemas planetários. “Entender a formação do 3I/ATLAS vai permitir compreender a formação de outros sistemas, porque ele vem de uma nuvem de arte de outro sistema planetário. Isso vai ajudar também no entendimento não só dos cometas, mas de todo o sistema planetário,” conclui.
O tamanho e as propriedades físicas do cometa interestelar estão sendo investigados por astrônomos ao redor do mundo. O objeto foi localizado pela primeira vez no início de julho deste ano, quando o telescópio da rede Asteroid Terrestrial‑impact Last Alert System (ATLAS), “flagrou” um objeto incomum em Río Hurtado, no Chile.
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