Regime teocrático assumiu controle do país após série de protestos no fim da década de 1970 Internacional, aiatolá, Irã CNN Brasil
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, fez diversos alertas contra Israel após o início da mais recente troca de ataques entre os países, pontuando que não irá se render.
Irã e Israel chegaram a ser aliados no passado, mas, desde a Revolução Islâmica de 1979, quando os aiatolás assumiram o poder, isso mudou.
Saiba mais sobre a Revolução Islâmica do Irã e os eventos que a antecederam na matéria abaixo.
Dinastias no Irã e golpe de 1953
Logo antes do regime dos aiatolás, o Irã foi comandado por xás (governantes monárquicos).
Mohammad Reza Pahlavi foi o último Xá do Irã, tendo governado entre 1941 e 1979.
Em 1953, em meio à Guerra Fria, os EUA ajudaram a dar um golpe para derrubar o então primeiro-ministro iraniano, Mohammad Mossadegh.
O premiê havia prometido nacionalizar os campos de petróleo do país, medida que era entendida como vitória para a União Soviética, tendo em vista que EUA e Reino Unido dependiam das compras de petróleo do Oriente Médio.
Além disso, segundo a enciclopédia Britannica, havia uma luta contínua pelo controle do governo iraniano entre o primeiro-ministro e o monarca.
A CIA, a agência de inteligência americana, e o Serviço Secreto de Inteligência Britânico (SIS) ajudaram a organizar as forças favoráveis ao xá Pahlavi e grandes protestos contra Mossadegh, que logo tiveram adesão do Exército.
Em agosto de 1953, Pahlavi tentou demitir Mossadegh, o que fez com que multidões de seguidores do premiê tomassem as ruas.
Porém, em poucos dias os oponentes do primeiro-ministro derrubaram seu governo.
Mosaddegh foi condenado a três anos de prisão por traição e, após cumprir sua pena, foi mantido em prisão domiciliar pelo resto de sua vida.
Em 19 de agosto, o general Fazlollah Zahedi assumiu como primeiro-ministro do Irã. Dois dias após a posse dele, a CIA disponibilizou secretamente US$ 5 milhões para apoiar seu governo, segundo documentos.
Após o golpe, os EUA reforçaram seu apoio a Pahlavi para governar como xá, que se tornou aliado próximo dos americanos.
Entretanto, os iranianos se ressentiram da interferência estrangeira, alimentando o sentimento antiamericano no país por décadas.
Outra crítica da população do Irã era relacionada à Revolução Branca, um programa que o xá do Irã instaurou no país em 1963 e que buscava transformar a economia e o sistema social tradicional do país.
Revolução Islâmica de 1979
No final da década de 1970, milhões de iranianos foram às ruas contra o regime de Mohammad Reza Pahlavi.
Manifestantes seculares se opuseram ao seu autoritarismo, enquanto manifestantes islâmicos criticavam sua agenda de modernização.
Desde janeiro de 1978, houve protestos em diversas cidades do Irã, com várias mortes.
Segundo análise de Paul Taylor à agência Reuters, a revolta de 1978-1979 foi estruturada por uma potente combinação de lideranças internas e externas, utilizando mesquitas e fitas cassete para disseminar os sermões anti-Xá do aiatolá Ruhollah Khomeini, que estava exilado.
Ainda segundo Taylor, a revolta anti-Xá repercutiu em cidades e vilas provinciais. Entre as táticas mais eficazes estavam as greves dos petroleiros, que cortaram as torneiras da maior parte da receita do país, e dos comerciantes de bazares, que financiavam os clérigos rebeldes.
Analistas afirmam que o regime de Pahlavi confiava no Exército para conseguir conter a revolta da população, mas que, em última instância, os militares falharam.
Afshon Ostovar, professor associado da Escola de Pós-Graduação Naval em Monterey, na Califórnia, pontuou que um dos principais fatores que levaram ao sucesso da revolução de 1979 foi a declaração de neutralidade dos militares.
Em 12 de janeiro de 1979, Ruhollah Khomeini formou um Conselho Revolucionário para supervisionar a saída do Xá e a transição para um novo governo.
Quatro dias depois, em 16 de janeiro, o xá Mohammad Reza Pahlavi e sua esposa, a imperatriz Farah Pahlavi, deixaram Teerã para Aswan, no Egito.
Em 1° de fevereiro de 1979, aiatolá Ruhollah Khomeini retornou a Teerã vindo de Paris após quase 15 anos de exílio, passados principalmente no Iraque.
Em 11 de fevereiro, Shahpur Bakhtiar, então primeiro-ministro do país, renunciou e deixou o Irã após o Exército declarar a neutralidade de seus soldados e ordenar que retornassem aos quartéis, se recusando a reprimir os protestos.
Em 30 de março, um referendo foi realizado. Aproximadamente 99% dos eleitores apoiaram a formação de uma República Islâmica.
Meses depois, em 3 de agosto, os iranianos elegeram integrantes da Assembleia de Peritos para a Constituição para escrever uma nova constituição para a República Islâmica.
Abolhasan Bani-Sadr foi eleito o primeiro presidente do Irã em 25 de janeiro de 1980.
O aiatolá Ruhollah Khomeini comandou o Irã até a morte, em junho de 1989. Em seguida, o aiatolá Ali Khamenei foi nomeado líder supremo do país, posto que ocupa até hoje.
Como líder supremo, Khamenei é a autoridade máxima do Irã, sendo considerado o chefe de Estado, líder religioso, político e militar.
Futuro do regime iraniano
Em meio aos ataques entre Israel e Irã, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que assassinar o líder supremo pode encerrar o conflito.
Enquanto isso, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, alertou que suas forças e aliados sabem onde Khamenei está “escondido”, pontuando que ele deveria se render incondicionalmente.
O líder americano ressaltou que não vai matar o líder do Irã, pelo menos “não por enquanto”.

