Mecanismo é considerado uma das estratégias globais mais eficientes para estimular empresas e governos a reduzirem as emissões de gases do efeito estufa Economia, -agencia-cnn-, Clima, COP30, Efeito estufa, Meio ambiente, Mercado de Carbono CNN Brasil
O mercado de carbono será um dos principais temas da COP30, que acontece em Belém. O Brasil quer liderar a criação de uma aliança internacional para conectar os diferentes sistemas de créditos de carbono e ampliar a cooperação entre países no combate às mudanças climáticas.
O mecanismo é considerado uma das estratégias globais mais eficientes para estimular empresas e governos a reduzirem as emissões de gases do efeito estufa (GEE). Na prática, ele transforma a redução dessas emissões em um valor econômico, criando um sistema de compra e venda de créditos.
De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), os sistemas foram criados para comercializar créditos, cotas e permissões entre atores globais — de forma voluntária ou regulada —, permitindo que o esforço de mitigação seja compartilhado entre os setores público e privado.
O mercado de carbono ganhou forma com o Protocolo de Quioto, firmado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). A partir dele, surgiram mecanismos de cooperação como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e a Implementação Conjunta (IC).
O primeiro permite que países desenvolvidos financiem projetos de redução de emissões em nações em desenvolvimento, enquanto o segundo promove ações diretas de mitigação entre países que já possuem metas estabelecidas.
Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) corresponde a um crédito de carbono. Esses créditos podem ser gerados por diversas atividades, desde que auditadas e certificadas segundo padrões internacionais.
Segundo o professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e analista de clima e meio ambiente da CNN Brasil, Pedro Côrtes, o conceito pode parecer complexo, mas é simples: “Quem polui, paga; quem preserva, ganha”.
“Cada tonelada de CO₂ que deixa de ir para a atmosfera se transforma em um crédito negociável. Empresas ou países que ultrapassam seus limites de emissão precisam comprar esses créditos de quem conseguiu reduzir mais que o prometido”, explica.
Ele exemplifica: uma indústria europeia obrigada a reduzir emissões pode comprar créditos que financiam o reflorestamento de uma área degradada. “A floresta sequestra o CO₂ que a empresa deveria deixar de emitir. O que ela emitiu a mais não fica acumulado na atmosfera”, diz o especialista.
Na COP30, o debate sobre o mercado de carbono deve se concentrar na conexão entre mercados internacionais e na criação de regras comuns de transparência e credibilidade.
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