Gesner Oliveira, professor da FGV, fez alerta no CNN Novo Dia que empréstimo de R$ 20 bilhões para estatal pode sobrecarregar Tesouro Nacional e questiona prioridade de manter empresa pública CNN Money, -transcricao-de-videos-, Correios, economia, Governo Lula, Mercado, Privatização CNN Brasil
O plano de reestruturação dos Correios, que prevê um empréstimo de R$ 12 bilhões já contratado e mais R$ 8 bilhões adicionais para 2026, foi alvo de críticas do economista Gesner Oliveira. Durante entrevista ao CNN Novo Dia, o especialista alertou que, caso a estatal não consiga honrar o compromisso financeiro, o custo recairá sobre o Tesouro Nacional e, consequentemente, sobre todos os contribuintes brasileiros.
Oliveira, que é professor da FGV e sócio da GO Associados, reconheceu que as medidas anunciadas no plano de reestruturação são razoáveis para uma empresa em dificuldades. No entanto, questionou a necessidade de despender tanto esforço para recuperar uma companhia cujo mercado já está sendo atendido pelo setor privado. “A meu ver, em 2023, os Correios foram retirados da lista de privatização de uma maneira equivocada”, afirmou.
De acordo com o economista, a empresa enfrenta problemas estruturais como folha de salários excessiva e um conjunto de imóveis que precisam ser otimizados. Além disso, Oliveira destacou a dificuldade dos Correios em concorrer com plataformas privadas no mercado de entregas, enquanto o mercado tradicional de correspondências está em declínio. “Estamos gastando recursos com os Correios para algo que não é uma prioridade, quando há tantas outras prioridades na área de segurança, saúde, educação”, pontuou.
Interferência política e custos para o país
O especialista também apontou que a insistência em manter os Correios como empresa estatal tem motivações políticas. “A única explicação para o salvamento dos Correios, que tem custado tanto, decorre do objetivo de manter uma área de influência, de manter cargos para nomeação política”, criticou Gesner, acrescentando que essa interferência política frequentemente resulta em nomeações que não priorizam a competência profissional.
Segundo o economista, essas práticas agravam a situação financeira da empresa e aumentam o rombo que precisará ser coberto com recursos públicos. “No conjunto, isso é um custo para o país e mais um ralo para recursos públicos tão escassos e preciosos”, concluiu Gesner, defendendo que a privatização seria o caminho natural para os Correios, empresa que, em sua avaliação, já deveria ter sido privatizada há 30 anos.

