O líder religioso afirmou que somente o Gaden Phodrang Trust — instituição criada por ele — tem autoridade exclusiva para reconhecer a futura reencarnação Internacional, Budismo, China, Dalai Lama, Tibet CNN Brasil
O Dalai Lama Tenzin Gyatzo garantiu que terá um sucessor após sua morte, dando continuidade a uma tradição secular que se tornou um ponto crítico na luta com o Partido Comunista da China sobre o futuro do Tibete.
O líder espiritual do budismo tibetano fez a declaração nesta quarta-feira (2) em uma mensagem de vídeo para anciãos religiosos.
“Estou afirmando que a instituição do Dalai Lama continuará”, disse ele.
Dalai Lama vive em Dharamshala, na Índia, onde o ganhador do Prêmio Nobel da Paz vive desde que fugiu do Tibete após uma revolta fracassada contra o regime comunista chinês em 1959.
O líder afirmou que somente o Gaden Phodrang Trust, instituição criada por ele, tem autoridade exclusiva para reconhecer a futura reencarnação. “Ninguém mais tem autoridade para interferir neste assunto”, afirmou.
O escritório deve realizar os procedimentos de busca e reconhecimento do futuro Dalai Lama “de acordo com a tradição passada”, disse ele, sem revelar mais detalhes sobre o processo.
Anteriormente, o Dalai Lama declarou que, quando tivesse cerca de 90 anos, consultaria os altos lamas do budismo tibetano e o público tibetano para reavaliar se a instituição dos Dalais Lamas deve continuar.
Sucessão arriscada
O anúncio feito nesta quarta-feira (2) — dias antes de seu aniversário de 90 anos — prepara o cenário para uma batalha arriscada sobre sua sucessão, entre líderes tibetanos no exílio e o Partido Comunista ateu da China, que diz ter autoridade para aprovar o próximo Dalai Lama.
Segundo a tradição, quando um Dalai Lama morre, ele renasce em uma nova forma humana para continuar sua missão de compaixão e liderança espiritual.
Esse processo é uma prática milenar tibetana, baseada na crença de que mestres iluminados podem escolher seu renascimento para beneficiar os seres sencientes.

