Clássico da Volkswagen, o Fusca passou de carro acessível nos anos 1990 a objeto de desejo entre colecionadores, alcançando valores que superam modelos zero quilômetro. Auto, Fusca, Volkswagen CNN Brasil
O Fusca sempre carregou a fama de ser o carro do povo. Simples, econômico e fácil de manter, atravessou décadas como o automóvel que mais se confundiu com a identidade do brasileiro. O que antes era visto apenas como alternativa acessível, hoje é considerado um clássico valorizado, capaz de custar mais do que muitos modelos zero quilômetro.
Para se ter uma ideia, em 1994 um Fusca Itamar novo saía da concessionária por cerca de R$ 7.200. Corrigido pela inflação, esse valor chegaria hoje a cerca de R$ 62 mil. Um reflexo da valorização do veículo clássico com o passar do tempo.
Início da história do Fusca no Brasil
Segundo livro O Almanaque do Fusca, a história do carro no Brasil começa no fim da década de 1950, quando trinta unidades do Volkswagen Sedan (nome original do veículo) desembarcaram no porto de Santos.
De acordo com o livro, a operação só foi possível graças ao empenho de José Bastos Thompson, diretor da Brasmotors, que viu potencial no modelo de design arredondado e motor traseiro refrigerado a ar. Ele buscou contato com Heinrich Nordhoff, presidente da Volkswagen na Alemanha, e convenceu a empresa a apostar no mercado brasileiro.
Segundo a pesquisa “Marcas amadas: o caso Fusca”, publicada pelo Centro Universitário de Brasília, as primeiras unidades foram rapidamente vendidas, e três anos depois o carro já era montado em um armazém no bairro do Ipiranga, em São Paulo, com peças vindas da Alemanha. À época, o Brasil contava com apenas 528 mil veículos para 52 milhões de habitantes, a proporção era de um automóvel para cada 100 brasileiros.
A fábrica da Anchieta e a produção nacional do Fusca
De acordo com a pesquisa, no dia 2 de setembro de 1957, a Volkswagen inaugurou sua primeira grande fábrica no país, em São Bernardo do Campo (SP). A estreia se deu com a produção da Kombi, mas logo o Fusca ganharia sua própria linha. Em 3 de janeiro de 1959, o orinalmente chamado de Volkswagen Sedan começou a ser fabricado nacionalmente, com 54% de peças já produzidas no Brasil.
Segundo a pesquisa, ainda nos anos 1960, o apelido “Fusca” ganhou força. O nome Volkswagen Sedan costumava abreviado popularmente para “Volks” e, em muitas regiões, virou “Fuca” ou “Fuquinha”. Com a adição de um “s”, nasceu definitivamente o nome que atravessaria gerações. Reconhecendo o apelo popular, a própria Volkswagen oficializou a nomenclatura no final da década.
O Fusca como símbolo da industrialização
De acordo com o estudo, a ascensão do Fusca coincidiu com o governo de Juscelino Kubitschek, que lançou o programa “50 anos em 5” para acelerar a modernização do Brasil. O incentivo à indústria nacional foi fundamental para que a Volkswagen se consolidasse. Em dez anos de funcionamento, a montadora já havia produzido 380 mil carros no país.
Segundo a pesquisa, o Fusca se adaptava como poucos à realidade brasileira: era resistente às estradas esburacadas, tinha consumo baixo em comparação aos enormes carros norte-americanos que dominavam o mercado e oferecia manutenção simples, ideal para oficinas ainda pouco estruturadas.
A era de ouro e o declínio do Fusca
De acordo com o livro O Almanaque do Fusca, a década de 1970 ficou marcada como a “Era do Fusca”. O carro chegou a representar 40% das vendas nacionais de automóveis, com média de 200 mil unidades por ano. Nesse período, a Volkswagen passou a exportar o modelo brasileiro para 62 países, transformando o Fusca em um produto global.
No entanto, de acordo com a pesquisa “Marcas amadas: o caso Fusca”, com a chegada de novos modelos, como Gol, Voyage e Parati, o Fusca começou a perder espaço. O público buscava mais conforto e espaço interno, e o carro já não conseguia competir. Em 1986, após quase três décadas de produção nacional, o Fusca deixou de ser fabricado no país.
O retorno com o “Fusca Itamar”
O carro, no entanto, ainda tinha fôlego. De acordo com a pesquisa, em 1993, a pedido do presidente Itamar Franco, a Volkswagen retomou sua produção. A volta foi celebrada e marcou o apelido que ficaria para sempre: “Fusca Itamar”. Produzido até 1996, ele preservava a essência do modelo clássico, com mecânica simples e design praticamente inalterado desde os anos 1930.
Em 1994, o preço de tabela era de R$ 7.200, um valor competitivo para a época, que permitiu a muitas famílias realizarem o sonho do carro zero. Corrigido pela inflação, esse valor equivale a cerca de R$ 62 mil em 2024.
O modelo que marcou a industrialização do país e esteve presente no cotidiano de milhões de brasileiros agora atrai colecionadores e entusiastas, com preços que superam os de veículos zero quilômetro. A trajetória do Fusca mostra como um automóvel simples pode ganhar novo significado com o passar do tempo, unindo história, memória e valorização de mercado.
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