Segundo o relatório Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, aumento é consequência das mudanças climáticas e deve se intensificar cada vez mais; no Brasil, mais de 91 milhões de pessoas também já foram vítimas dos eventos extremos entre os anos de 1991 e 2023 Brasil, Chuvas, Clima, desastres CNN Brasil
O número de desastres climáticos provocados pelas chuvas no Brasil cresceu 222,8% nesta última década, segundo mostrou um estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, coordenado pelo Programa Maré de Ciência da Universidade Federal de São Paulo, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Unesco e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
Segundo o relatório, o aumento das chuvas extremas é consequência das mudanças climáticas e deve se intensificar cada vez mais.
Desde o ano de 1991, ano inicial analisado, foram registrados 26.767 eventos desse tipo no país, com um crescimento acentuado a partir dos anos 2000. Já a partir de 2020, a média anual de registros foi duas vezes maior do que a da década anterior (2010-2019) e sete vezes superior que da década de 1990.
Além disso, as chuvas apresentaram uma tendência de aumento de 30% nas regiões Sul e Sudeste, enquanto no Norte e Nordeste, a redução pode chegar em até 40%, segundo projeção até o ano de 2100, conforme dados do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC).
No estudo, a pesquisa também mostrou que 44% dos registros de desastres climáticos ligados a chuva no Brasil, ocorridos nos últimos 30 anos, foram concentrados nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, porém, o padrão varia entre as diferentes regiões do país. No Norte e Nordeste, por exemplo, além do verão, há um aumento significativo de ocorrências durante o outono. Já no Sul, o outono ainda concentra o maior número de desastres, embora esses eventos sejam frequentes durante todas as estações na região. Um gráfico feito pelas instituições ilustrou os números.
Veja:

83% dos municípios brasileiros já foram afetados por desastres ligados a chuvas
Desde a década de 1990, cerca de 4.645 cidades brasileiras já enfrentaram algum tipo de evento climático extremo ligado às chuvas, o que representa 83% de todos os municípios do país (5.570). Ao longo dos anos, a proporção subiu gradativamente, com destaque para as décadas de 1990 e 2000, onde o número saltou de 1.941 para 3.798 cidades.

Segundo os pesquisadores, os desastres climáticos estão diretamente e relacionados à passagem de frentes frias.
Um relatório do Projeto Antártico Brasileiro, o mais longevo de pesquisas no continente antártico, revelou um degelo recorde na cobertura de gelo marinho durante o período de 2023-2024, destacando também a influência das partículas de fuligem provenientes das queimadas no Brasil sobre o gelo marinho da Antártica.
Essas partículas escurecem o gelo, reduzindo sua capacidade de refletir a luz solar e acelerando seu derretimento, o que impacta diretamente o ciclo das chuvas e contribui para a elevação do nível do mar.
Entre 1991 e 2023, a maioria dos desastres relacionados às chuvas no Brasil esteve ligada a eventos hidrológicos (64%) e meteorológicos (31%). Dentro do grupo de desastres hidrológicos, as enxurradas foram as mais frequentes, representando 55% dos registros, seguidas pelas inundações (35%).
Já entre os desastres meteorológicos, as chuvas intensas foram responsáveis por 75% dos casos. Os desastres geológicos, embora em menor nível, tiveram os deslizamentos de solo como principal ocorrência, correspondendo a 91% dos registros desse grupo.
91 milhões de pessoas afetadas
Além dos 83% de municípios que já foram atingidos por desastres ligados as chuvas, mais de 91 milhões de pessoas também já foram vítimas dos eventos extremos entre os anos de 1991 e 2023, segundo a pesquisa, o que representa um aumento de 82 vezes em comparação aos anos 1990.
Em 2024, as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul causaram impactos em 2,4 milhões de moradores, elevando a média anual de afetados para 6,8 milhões, quase o dobro da média registrada na década anterior (3,8 milhões).
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Segundo Ronaldo Christofoletti, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) “esse aumento não apenas evidencia a crescente frequência, mas também a gravidade dos desastres climáticos relacionados às chuvas, que têm gerado um número cada vez maior de vítimas e danos materiais em todo o país.
“Esses dados reforçam a necessidade urgente de implementar medidas de prevenção e adaptação, visando proteger as comunidades vulneráveis e mitigar os impactos desses eventos extremos”, afirmou.
Além dos impactos imediatos, em casas, itens pessoais e na comunidade, os desastres climáticos também causam sérios danos à saúde e bem-estar da população. Ao todo, cerca de 90% dos impactados sofreram outros danos, como traumas psicológicos.
Soluções para prevenção
Pesquisadores que analisaram as últimas décadas e como os eventos climáticos afetaram toda uma cadeia social no país, para além da população, avaliam que investimentos em políticas de prevenção e adaptação é a melhor solução, se fazendo fundamental.
De acordo com Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, um dos órgãos que participou da pesquisa, “Medidas como
um planejamento urbano adequado, a adaptação dos centros urbanos e sistemas de alerta meteorológico eficazes têm o potencial de salvar vidas e reduzir significativamente os danos materiais”.

