O estudo foi publicado pela revista Nature Astronomy, na segunda-feira (14) Tecnologia, Netuno, Planetas, Plutão, Sistema Solar CNN Brasil
Entre março e agosto de 2023, algumas observações do Telescópio Subaru, localizado no Havaí, nos Estados Unidos, descobriram um novo corpo celeste além de Plutão. Intitulado de 2023KQ14, ele pode fornecer respostas importantes sobre a atual estrutura do Sistema Solar externo.
Os detalhes da identificação foram publicados em um artigo da revista Nature Astronomy na última segunda-feira (14), como parte de um projeto de levantamento FOSSIL II (Formation of the Outer Solar Sytem). Com órbita distante, o objeto passou a ser classificado como um sednoide, tornando-se assim o quarto exemplo desse tipo já identificado.
Simulações indicam que 2023KQ14 manteve uma órbita dinamicamente estável por, ao menos, 4,5 bilhões de anos. Há evidências de que todos os sednoides apresentavam um agrupamento de alinhamento orbital há cerca de 4,2 bilhões de anos, com alta confiabilidade estatística.
O que a descoberta nos diz?
Segundo Yukun Huagh, investigador do NAOJ (Observatório Astronômico Nacional do Japão), que realizou simulações da órbita, afirmou em comunicado que 2023KQ14 seguir um alinhamento diferente dos outros sednoides indica que o Sistema Solar externo é mais diverso e complexo do que se pensava anteriormente.
“O fato de a órbita atual de 2023 KQ14 não se alinhar com a dos outros três sednoides reduz a probabilidade da hipótese do Planeta Nove. É possível que um planeta tenha existido no Sistema Solar, mas foi posteriormente expulso, causando as órbitas incomuns que vemos hoje”, afirmou.
Suspeitas de um novo planeta
Após a descoberta de Netuno, em 1846, cientistas passarem a suspeitar da existência de um planeta com potencial de influenciar as órbitas de Urano e Netuno. Com a formulação da hipótese, iniciou-se uma corrida entre especialistas, resultando, então, na descoberta de Plutão, em 1930.
No entanto, as observações revelaram que não era possível atribuir a ele os efeitos observados sob as outras duas órbitas, recomeçando assim a busca pelo nono planeta.
Acredita-se que ele esteja situado para além do Cinturão de Kuiper – vasta região do espaço, em forma de anel achatado – seguindo uma órbita muito mais distante do Sol do que a Terra, tornando desafiadora a tarefa de registrar a sua verdadeira existência.
O novo estudo diz ainda que se o nono planeta realmente existir, sua órbita deve estar mais diante do que foi previsto em outras análises.
Fumi Yoshida, pesquisador e colaborador no projeto, cita ainda que: “2023KQ14 foi encontrado em uma região distante onde a gravidade de Netuno tem pouca influência. A presença de objetos com órbitas alongadas e grandes distâncias de periélio nessa área sugere que algo extraordinário ocorreu na era antiga, quando 2023KQ14 se formou”.
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