Aplicativos de relacionamento apontam uma virada no comportamento afetivo, marcada por transparência, bem-estar e tecnologia Lifestyle, #CNNPop, Amor, Relacionamentos, Tinder CNN Brasil
O ano de 2026 promete fazer uma releitura, mais uma vez, sobre o modo como nos conectamos, vivemos o amor e construímos relações. Comportamentos afetivos estão mudando rapidamente, impulsionados por novas tecnologias, pela busca por autenticidade e pela redefinição do que significa se relacionar.
Para entender o novo cenário, reunimos as principais tendências apontadas por aplicativos do setor: Happn, Tinder e Gleeden, que revelam como os solteiros (e não tão solteiros assim) devem navegar o universo dos encontros no próximo ano.
Dados divulgados pela Happn demonstram que, no Brasil, 38% dos solteiros expressam uma “esperança renovada” no amor, embora 58% digam preferir se manter realistas.
Ainda segundo a empresa, os solteiros já cansaram da “cultura da ficada” e dos sinais confusos, optando por se reconectar com uma forma de romance mais sincera. Esta tendência é sobre reinventar o futuro dos relacionamentos com um romantismo lúcido, priorizando a sinceridade em vez da perfeição.
Uma das principais razões para isso, de acordo com o aplicativo, é a cultura pop, com o ressurgimento das comédias românticas e os reality shows de namoro se tornando laboratórios sociais que os solteiros adoram acompanhar.
Já para o Tinder, os jovens solteiros chegarão a 2026 mais abertos do que nunca: escolherão a honestidade, se reconhecerão emocionalmente disponíveis e deixarão para trás os sinais contraditórios. O drama sai de cena, dando lugar à transparência nas intenções e à redescoberta da leveza de se conectar.
De acordo com o aplicativo, a maioria dos usuários considera que o elemento mais urgente nos encontros hoje é a abertura emocional: 64% acreditam que estar disponível afetivamente faz toda a diferença. Para 60%, deixar claro o que se busca — seja algo sério, casual ou apenas conhecer gente nova — é essencial para evitar ruídos. Esse foco na autenticidade se reflete em outro dado: 73% dizem reconhecer o interesse por alguém quando percebem que conseguem ser totalmente eles mesmos ao lado da pessoa.
A tecnologia também entra em cena nessa nova dinâmica. Nada menos que 76% afirmam que recorreriam à inteligência artificial para melhorar sua experiência nos apps. As funcionalidades preferidas? Ideias criativas para encontros (39%), ajuda para escolher as melhores fotos (28%) e sugestões de frases para a bio (28%).
Enquanto isso, o Gleeden realizou um estudo entre usuários do Brasil e da Espanha e encontrou resultados muito próximos entre os dois países. A maioria, 64%, ainda não vê a inteligência artificial como um espaço mais fácil para expressar emoções do que uma conversa humana, evidenciando cautela em atribuir profundidade afetiva a esse tipo de interação.
Ainda assim, há uma parcela significativa que demonstra abertura para experimentar esse tipo de troca: 36% dos brasileiros e 36% dos espanhóis escolheram respostas intermediárias, como “sim”, “às vezes” ou “muito raramente”. Esses números revelam uma curiosidade crescente sobre o papel da IA nas confidências e na vida sentimental.
Direções para 2026
- Happn
Amor nostálgico
Os solteiros estão cansados dos sinais confusos. Em 2026, possivelmente eles retomam um romantismo mais verdadeiro — influenciado pelo retorno das comédias românticas — buscando conexões sinceras, mas sem ilusões. Quase metade dos usuários do Happn (46%) quer se entregar ao amor, mantendo uma dose de realismo, especialmente no Brasil, onde o otimismo é maior.
Aliados em ascensão
Os homens estão se abrindo mais emocionalmente e valores como respeito, consentimento e igualdade se tornam essenciais nos encontros. Ainda assim, há cautela com atitudes vistas como “performáticas”: 49% das mulheres desconfiam do “feministo” exagerado. No Brasil, 60% consideram importante a visão do crush sobre igualdade de gênero, mas 47% ficam atentos a discursos oportunistas.
“Situationship” com IA
A inteligência artificial surge como ferramenta de autoconhecimento emocional sem substituir conexões reais. Metade dos usuários aceitaria que o crush tivesse um vínculo próximo com uma IA, mas 41% se sentiriam desconfortáveis. No Brasil, a divisão é ainda mais marcada: 50% aceitariam, enquanto 42% veriam como desconfortável e 8% chamariam de traição emocional.
Preço do amor
A vida financeira pressiona até o romance. Conversas sobre dinheiro surgem mais cedo, mas esbarram em tabus brasileiros: 44% acham que finanças e amor não devem se misturar, e 61% ainda acreditam que o homem deve pagar o encontro. O impacto é real: quase metade (48%) já cancelou um date por questões financeiras.
Sex Care
A sexualidade entra de vez no campo do bem-estar. A performance perde espaço para práticas de autocuidado e autoconexão, como a masturbação que cresce como forma de aliviar tensões e regular emoções. Apesar de uma queda na frequência sexual, a satisfação aumentou: 45% das mulheres e 39% dos homens estão muito satisfeitos. No Brasil, 52% se masturbam ocasionalmente e 63% preferem uma abordagem minimalista, valorizando intimidade consciente e equilibrada.
- Tinder
Sinais claros e intenções transparentes
Os jovens solteiros estão cansados de decifrar indiretas. Em 2026, eles passam a deixar claro já na bio o que procuram; namoro sério, algo casual ou apenas conhecer pessoas.
Para 64%, disponibilidade emocional é o fator mais necessário nos encontros, e 60% querem comunicação direta sobre intenções. A autenticidade também é central: 73% sabem que estão gostando de alguém quando podem ser totalmente eles mesmos.
IA também como aliada nos encontros
Três em cada quatro usuários (76%) usariam inteligência artificial na jornada amorosa. As funções mais desejadas incluem ideias para encontros (39%), ajuda na escolha das melhores fotos (28%) e sugestões de bio (28%).
Valores importam
Atração física não é tudo: 37% afirmam que valores compartilhados são essenciais. Mesmo assim, o cenário é dividido: 41% não namorariam alguém com opiniões políticas opostas, mas 46% ainda considerariam. Mulheres (35%) são bem menos abertas a essas diferenças que os homens (60%).
Entre as maiores porcentagens estão: igualdade racial (37%), valores familiares (36%) e direitos LGBTQ+ (32%). E gentileza segue no topo — 54% rejeitam quem é rude com funcionários.
A força do grupo de amigos
Amigos são os grandes consultores amorosos de 2026. Segundo o Tinder, 42% dos jovens dizem que seus amigos influenciam diretamente a vida amorosa, e 37% pretendem participar de encontros em grupo ou encontros duplos.
Não à toa, o recurso Double Date cresce: 85% dos usuários têm menos de 30 anos, com engajamento 25% maior nas conversas em dupla. Se o match não passar no “teste do grupo”, dificilmente vai para frente.
A nova vibe emocional
Em 2026, vulnerabilidade é atraente, enquanto bloqueios emocionais, não. Os solteiros querem trocas honestas: 56% valorizam conversas abertas, 45% desejam mais empatia após rejeições e “esperançoso” é a palavra que melhor define o clima para o próximo ano.
Eles preferem encontros leves, como caminhar ou tomar um café, e buscam um “Amor Tranquilo” (33% das mulheres, 38% dos homens), sem dramas e com boas vibrações. E mesmo sem garantias, 28% assumem que gostam de ter um crush “só pelo enredo”.
- Gleeden
IA erótica: tabu, mas com curiosidade crescente
De acordo com o aplicativo, brasileiros ainda resistem ao uso da inteligência artificial para fins eróticos, mas uma parcela significativa começa a experimentar. No Brasil, 29% já usaram IA nesse contexto.
Mesmo sendo uma prática minoritária, há atributos que tornam a IA “sedutora”: entre brasileiros, a ausência de conflitos (50%) e a personalização (33%) se destacam; já os espanhóis valorizam principalmente a disponibilidade total (33%) e a personalização (33%). A tendência aponta para um interesse crescente em interações digitais sob medida, embora ainda distantes de substituir relações reais.
Paixão por IA e tensão nos relacionamentos
A possibilidade de se apaixonar por uma IA ainda é vista com descrença — 83% dos brasileiros consideram isso impossível. Porém, quando o foco é o impacto da IA em relacionamentos já existentes, o cenário muda: 67% dos brasileiros acreditam que o uso da tecnologia pode gerar mais conflitos e até separações.
E quando o assunto é substituir a emoção de conhecer alguém novo, 100% dos brasileiros e 73% dos espanhóis rejeitam totalmente essa ideia, revelando que, apesar da curiosidade, a IA ainda está longe de ocupar o espaço do encontro humano.
Para o aplicativo, o avanço da IA no próximo ano inaugura uma fase de novas dinâmicas íntimas. “Estamos entrando em um momento em que a IA não funciona apenas como ferramenta, mas como presença emocional. As pessoas começam a buscar na tecnologia elementos de escuta, acolhimento e validação, e isso inevitavelmente transforma a forma como entendemos vínculos, expectativas e até o significado de fidelidade”, diz Silvia Rubies, Diretora de Marketing Latam do Gleeden.
Estudo: 80% dos usuários de app de namoro querem ver beleza natural

