Dias antes, ministro Luiz Fux disse que não queria ser interrompido ao longo de sua fala Política, -agencia-cnn-, Cármen Lúcia, Jair Bolsonaro, Julgamento Bolsonaro, STF (Supremo Tribunal Federal) CNN Brasil
Ao retomar o julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus pela elaboração de um plano de golpe de Estado, a ministra Cármen Lúcia e o ministro Flávio Dino brincaram sobre interrupções à falas um do outro.
“Ministra, a senhora me concede o aparte?”, perguntou Dino enquanto a ministra falava.
“Todos! Mas desde que seja rápido porque também nós mulheres ficamos dois mil anos caladas, nós queremos ter o direito de falar, mas eu concedo, como sempre. Apartes estão no regimento do STF, o debate faz parte do julgamento, tenho o maior gosto em ouvir, eu sou da prosa”, brincou a Cármen Lúcia.
O ministro Luiz Fux criticou a interferência de Dino durante voto de Alexandre de Moraes, relator do caso, na terça-feira (9). O episódio evidenciou divergências entre os ministros sobre a condução dos trabalhos.
A discussão teve início quando Moraes lia seu voto e Dino pediu para fazer dois comentários. Fux, por sua vez, relembrou um acordo prévio estabelecido com Cristiano Zanin em uma sala anexa ao plenário, segundo o qual os ministros votariam sem intervenções dos colegas.
Ao se manifestar sobre o ocorrido, Fux declarou: “Conforme nós combinamos naquela sala, aqui do lado, os ministros votariam direto sem intervenções de outros colegas”.
Dino respondeu à situação garantindo que não faria intervenções durante o voto de Fux: “Eu tranquilizo, ministro Fux, que eu não pedirei de Vossa Excelência. Pode dormir em paz”. O diálogo expôs publicamente as tensões existentes durante o processo de julgamento.
A sessão está prevista para ocorrer até sexta-feira (12). Cristiano Zanin, presidente do colegiado, afirmou que os magistrados podem discutir a pena, se houver tempo, ainda nesta quinta-feira.
Votos
Relator do caso, Alexandre Moraes votou para condenar Bolsonaro e outros sete réus.
Para Moraes, Bolsonaro foi o líder do que seria o grupo que tramava o golpe. Junto ao ex-presidente, o relator votou pela condenação de:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.
O voto de Moraes durou cerca de cinco horas e teve quase 70 slides para apresentação do relatório. O ministro também dividiu sua manifestação em 13 pontos que narraram, em ordem cronológica, como teria atuado a organização criminosa pelo golpe.

