Daniella Zambrano relata, ao Live CNN, situação em Caracas após ataque americano que resultou em dezenas de mortos, incluindo 32 cubanos que integravam o anel de segurança do líder venezuelano Internacional, -transcricao-de-videos-, Estados Unidos, Guerras e conflitos, internacional, Nicolás Maduro, Venezuela CNN Brasil
A correspondente da CNN Brasil na Venezuela, Daniella Zambrano, relatou ao Live CNN que a situação em Caracas permanece tensa após o ataque dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro. Segundo a jornalista, o ambiente na capital venezuelana é de “calma, mas, com medo e incerteza”, enquanto alguns comércios já começam a reabrir suas portas, mas outros permanecem fechados.
De acordo com Zambrano, há dificuldades para o deslocamento da população, já que o transporte público não está funcionando normalmente. Os arredores do Parlamento venezuelano, onde hoje deve ocorrer uma sessão para eleger a nova diretiva, estão fortemente vigiados por policiais, inteligência militar e direção de contrainteligência militar.
A correspondente destacou que, segundo informações oficiais do governo venezuelano, a vice-presidenta assumiu as funções presidenciais temporariamente. “O discurso do governo é que exige a libertação de Nicolás Maduro. Sabemos que ele está em Nova York, está detido e vai enfrentar a justiça, mas o alto comando do governo insiste em sua liberação”, explicou a correspondente.
“O Tribunal de Justiça emitiu um pronunciamento em que decretava a falta temporal do presidente da Venezuela. Se fosse uma falta absoluta, deveriam convocar as eleições nos próximos 30 dias – mas, como é temporal, há continuidade administrativa, o que quer dizer que a vice-presidente tem as faculdades do presidente”, apontou Zambrano: “Mas, o que está previsto para hoje no parlamento? Uma sessão para eleger a nova diretiva do parlamento, que agora tem uma fracção da oposição, o que há cinco anos não tinha”.
Mortos no ataque incluem cubanos do anel de segurança
Um dado surpreendente revelado pela correspondente foi a confirmação, pelo presidente de Cuba, da morte de 32 cubanos durante o ataque americano. “Durante anos, a oposição da Venezuela denunciou que forças estrangeiras estavam dentro das forças armadas venezuelanas, uma violação total da soberania, mas não foi até hoje que formalmente o presidente de Cuba admitiu que o anel de segurança de Nicolás Maduro estava conformado por pessoas cubanas”, destacou Zambrano.
“Tampouco há pronunciamento sobre como o anel de segurança de Maduro está em mãos cubanas. O governo disse que eram missões de cooperação, mas, eles já estavam dentro da Venezuela no momento do ataque, que surpreendeu a todos – eles já eram o anel de segurança de Nicolas Maduro”, afirmou.
Extraoficialmente, segundo o The New York Times, o número total de mortos no ataque estaria entre 40 e 80 pessoas, com cerca de 90 feridos, segundo a rede de médicos, que está nos hospitais, extraoficialmente. No entanto, não há confirmação oficial dessas cifras pelo governo venezuelano, que mantém sob sigilo os detalhes das baixas.
Censura e controle da informação
Zambrano também denunciou a forte censura que impera na Venezuela, onde os meios de comunicação nacionais estão controlados pela Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel). “Não há por escrito alguma ordem de não transmissão, mas é sabido que, se os veículos transmitirem algo que o governo não concorda, podem ser multados ou fechados”, explicou.
A correspondente relatou que muitas emissoras e canais de televisão foram fechados ao longo dos últimos anos e os que ainda operam seguem as diretrizes governamentais. “É impressionante que a maioria das emissoras independentes estão colocando música ou informação esportiva em um momento tão importante para a Venezuela”, observou, acrescentando que os canais internacionais tornaram-se a principal fonte de informação para os cidadãos, mas muitos só podem ser acessados através de plataformas como YouTube e redes sociais: “É muito difícil para um venezuelano ter acesso à informação”.
A jornalista também informou que foi impedida de transmitir ao vivo de dentro do Parlamento venezuelano, onde ocorreria a sessão para eleição da nova diretiva, sob alegação de “segurança”. “Os jornalistas terão acesso à sessão para gravar, mas não podem transmitir nada”, relatou.

