O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (28/1) manter a taxa Selic em 15% ao ano. No comunicado oficial, o Copom justifica a estabilidade com base no ambiente externo que “ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos”, além de citar a necessidade de cautela “por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”. Na tarde desta quarta, o Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, também divulgou a manutenção da taxa de juros do país na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
O Copom destacou que “a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante” e que tem acompanhado “os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira”. Além disso, o colegiado evidenciou a necessidade de cautela com o impacto do desenvolvimento da política fiscal na política monetária e nos ativos financeiros.
“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, afirmou o comunicado. Porém, o Copom sinalizou que pode começar a cortar a Selic a partir da próxima reunião, prevista para março. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
A estabilidade dos juros era esperada pela maior parte dos economistas do mercado financeiro. Isso porque, em sua última reunião, o Copom fez ajustes pontuais e evitou qualquer sinalização sobre o início do corte de juros. Apesar disso, a queda também era esperada por uma parte menor do mercado, que observou no IPCA-15, prévia da inflação oficial, um cenário positivo. O índice, divulgado na última terça-feira (27/1), apontou para uma subida de 0,20% em janeiro, abaixo do esperado pelo mercado e em desaceleração frente a alta de 0,25% no mês anterior.
A elevação da Selic até o patamar de 15% teve início em setembro de 2024, quando o comitê decidiu interromper o ciclo de cortes e elevar a taxa, que passou de 10,50% ao ano para 10,75% ao ano, sendo o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
Reunião de dezembro
A última reunião do Copom, encerrada em 10 de dezembro, também manteve o índice no patamar de 15%, com indicação de firmeza no propósito de segurar a taxa em patamar elevado por mais tempo, tendo sido a quarta reunião consecutiva em que o BC optou pela estabilidade dos juros básicos.
“Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado“, disse o comunicado de dezembro do Copom.
‘Superquarta’ e a interrupção de corte de juros do Fed
Além do anúncio feito pelo Banco Central, o Fed divulgou que a taxa de juros do país deve se manter inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, menor nível desde setembro de 2022.
A manutenção da taxa interrompe um ciclo de três cortes consecutivos promovidos pelo Banco Central norte-americano. Na reunião anterior, também em 10 de dezembro, o Fed havia reduzido a taxa em 0,25 ponto percentual.
O comunicado citou a inflação elevada e crescimento econômico. Sem indicar quando os juros poderão cair novamente, os dirigentes do Fed ainda apontaram que a taxa de desemprego apresentou “sinais de estabilização”, enquanto a atividade econômica vem “se expandindo a um ritmo sólido”.

