Áudio revelou um suposto esquema de comercialização irregular de camarotes São Paulo (Clube), CNN Esportes, Julio Casares, São Paulo (time) CNN Brasil
Nesta terça-feira (16), Julio Casares, presidente do São Paulo, emitiu nota, por meio das redes sociais, se pronunciando sobre o “escândalo do camarote”.
“Não defendo e nem pratico prejulgamento, e condenação prévia. Acredito no amplo direito à defesa. Mas ressalto que, seja qual for o resultado a sindicância, vamos agir com rgor com quem quer que eventualmente seja apontado com conduta inadequada no Clube”, disse o presidente.
Um áudio revelado pelo Ge.com revelou um suposto esquema de comercialização irregular de camarotes do Morumbis em dias de shows. Douglas Schwartzamnn, diretor adjunto das categorias de base e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos (A ex-esposa do presidente Julio Casares), estariam envolvidos.
“Casos como este não podem passar sem serem devidamente esclarecidos, e isso será feito por meio da sindicância que foi instaurada imediatamente após a revelação do episódio. Este trabalho está sendo em duas frentes: a primeira e a mais importante é a auditoria externa, para que não haja nenhuma possibilidade de interferência política ou de influência de poder. Todos serão ouvidos e um relatório final dará ao Clube suas considerações e orientações de eventuais próximos passos. Em paralelo, a sindicância interna será tocada pelo departamento de compliance”, complementou.
Entenda o escândalo
De acordo com o conteúdo dos áudios, o camarote 3A, identificado em documentos internos como “sala presidência”, teria sido repassado a uma intermediária, Rita de Cassia Adriana Prado, responsável por explorar comercialmente o espaço durante o show da cantora Shakira, em fevereiro.
Os ingressos chegaram a ser vendidos por até R$ 2,1 mil, com faturamento estimado em R$ 132 mil apenas nessa apresentação no estádio do São Paulo.
A situação ganhou contornos judiciais depois que Adriana ingressou com uma ação na 3ª Vara Cível de São Paulo contra Carolina Lima Cassemiro, da “Cassemiro Eventos Ltda”.
Adriana alega que Carolina reteve, sem autorização, um envelope com 60 ingressos do camarote no dia do show, após o pagamento parcial do valor combinado. O caso também foi registrado em boletim de ocorrência.
No áudio, Schwartzmann demonstra preocupação com as consequências do processo judicial e afirma que o esquema poderia ser revelado à Justiça.
Em diversos trechos, ele pressiona Adriana a retirar a ação, alertando para possíveis danos à imagem de Mara Casares, de Julio Casares e do superintendente Marcio Carlomagno, citado como responsável por autorizar a cessão do camarote.
O dirigente também admite, em determinado momento, que “ganhou” com o repasse de camarotes.
Mara Casares, por sua vez, aparece na gravação pedindo que Adriana encerre o processo para evitar prejuízos à sua trajetória no São Paulo Futebol Clube. A diretora afirma ter planos futuros no São Paulo e diz que seria a principal prejudicada caso o caso avançasse judicialmente.
No processo, Adriana diz que Carolina pegou de suas mãos um envelope com os 60 ingressos do camarote 3A do Morumbis, no dia 13 de fevereiro, sem autorização. Ela afirma que os ingressos foram comprados pela empresa de Carolina por R$ 132 mil, mas apenas R$ 100 mil foram pagos.
Adriana registrou um Boletim de Ocorrência na 34ª Delegacia de Polícia, em São Paulo. Por isso, ela foi pressionada pelos demais envolvidos. Os registros de um telefone foram gravados e acessados pelo “ge.com”.
Quem estava responsável pelo camarote
Em nota, o São Paulo confirmou que o camarote 3A pertence ao clube e informou que, no dia do show da Shakira, o espaço estava destinado à diretoria feminina, cultural e de eventos – dirigida por Mara.
O clube afirmou desconhecer o teor do áudio e negou a existência de qualquer esquema ilegal. Em nota posterior, reiterou que refuta a comercialização irregular do camarote.
Punições?
De acordo com o estatuto do São Paulo, condutas que causem dano à imagem do clube podem resultar em punições que vão de advertência à perda de mandato e inelegibilidade.
Advogados ouvidos pela reportagem do getv avaliam que o caso pode se enquadrar no crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, com pena de um a cinco anos de reclusão, além de multa.
Conselheiros que fazem parte da oposição à atual gestão do São Paulo pediram afastamento do presidente Julio Casares, diante do escândalo de venda ilegal de camarote no Morumbis.

O que dizem os outros citados
Mara Casares reconheceu que o espaço foi cedido à intermediária Adriana Prado, mas negou ter recebido qualquer benefício financeiro.
Segundo ela, a cessão ocorreu de forma pontual e baseada em uma relação de confiança, quebrada quando Adriana teria repassado o camarote a terceiros sem autorização. A dirigente afirmou ainda que chamou Douglas Schwartzmann apenas para auxiliá-la na tentativa de resolver o conflito.
Citado na gravação, Marcio Carlomagno declarou ter sido surpreendido pelo uso de seu nome e negou que o camarote tenha sido utilizado de forma clandestina.
Já Carolina Lima Cassemiro afirmou que não sabia da irregularidade do espaço e alegou ter sido enganada, sustentando que cumpriu o acordo firmado.
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Leia nota na íntegra de Julio Casares
“Tomei conhecimento da lamentável conversa telefônica em áudio gravado divulgado pela imprensa nesta segunda-feira, um dia muito triste para a instituição. Só venho agora me manifestar, um dia inteiro após os fatos virem à luz, porque a prioridade é a de que tudo seja esclarecido e, se assim for necessário, as devidas medidas sejam tomadas.
Casos como este não podem passar sem serem devidamente esclarecidos, e isso será feito por meio da sindicância que foi instaurada imediatamente após a revelação do episódio. Este trabalho está sendo em duas frentes: a primeira e a mais importante é a auditoria externa, para que não haja nenhuma possibilidade de interferência política ou de influência de poder. Todos serão ouvidos e um relatório final dará ao Clube suas considerações e orientações de eventuais próximos passos. Em paralelo, a sindicância interna será tocada pelo departamento de compliance.
Não defendo e nem pratico prejulgamento, e condenação prévia. Acredito no amplo direito à defesa. Mas ressalto que, seja qual for o resultado a sindicância, vamos agir com rgor com quem quer que eventualmente seja apontado com conduta inadequada no Clube. Não há e nem haverá favorecimento por proximidade, amizade, parentesco função ou alinhamento político.
Não podemos conviver com malfeitos de nenhuma natureza. Nenhuma pessoa é e nunca será maior que o São Paulo Futebol Clube.”
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