Aumento da oferta global e redução da demanda por combustíveis fósseis, especialmente na China, onde 50% dos carros novos já são elétricos, provocam transformação no mercado mundial Macroeconomia, -transcricao-de-video-money-, CNN Brasil Money, Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Petróleo CNN Brasil
A crescente tensão entre Estados Unidos e Venezuela tem influenciado os preços do petróleo, que chegaram a atingir o menor nível desde 2021, com o barril abaixo de US$ 55. Esse movimento, no entanto, reflete uma mudança estrutural mais profunda no mercado global da commodity.
Rafael Furlanetti, presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), explica que o cenário do petróleo passou por transformações significativas nos últimos anos.
“A oferta mudou, a OPEP não manda mais no jogo igual mandava antigamente”, afirmou em entrevista ao CNN Money.
Segundo Furlanetti, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que antes representava 50% da oferta mundial de petróleo, hoje responde por apenas 25% da produção global.
Essa redução na participação de mercado diminuiu drasticamente o poder do grupo de controlar os preços.
“Com 25% você não manda mais no preço do petróleo”, destacou.
Transição energética e novos produtores
Outro fator determinante para a queda nos preços é a mudança na demanda global. O especialista aponta que, antes da pandemia, o crescimento anual do consumo de petróleo era de aproximadamente 1,5 milhão de barris por dia.
Atualmente, esse número caiu para cerca de 700 a 800 mil barris diários, principalmente devido à transição energética em curso em diversos países.
“China, 50% do carro hoje vendido é elétrico. Então está tendo a eletrificação da economia chinesa“, explicou Furlanetti, destacando como a preocupação com um mundo mais verde tem afetado o consumo de combustíveis fósseis, especialmente na Europa e no gigante asiático.
Além da redução proporcional da OPEP no mercado, novos países produtores emergiram, como a Guiana, enquanto os Estados Unidos aumentaram significativamente sua produção.
Esse aumento na oferta global, combinado com a desaceleração da demanda, tem pressionado os preços para baixo, mesmo quando a OPEP tenta reduzir sua produção para estabilizar o mercado.
Impactos para o Brasil e a Petrobras
Para o Brasil, esse novo cenário representa desafios significativos, especialmente para a Petrobras. Furlanetti alerta que, com o petróleo em níveis mais baixos, a empresa precisará ser mais cautelosa em seus investimentos.
“O plano de investimento da Petrobras tem que ser muito mais comedido do que ele deveria com petróleo a US$ 70”, alertou.
Segundo ele, embora o custo direto de produção da Petrobras seja em torno de US$ 20 por barril, quando se considera o custo financeiro total, incluindo o leasing de plataformas, esse valor pode chegar a US$ 60 ou US$ 70, tornando a operação menos rentável nos níveis atuais de preço.
Para o consumidor brasileiro, a queda no preço do petróleo traz benefícios imediatos, como a redução do preço dos combustíveis e o controle da inflação.
“Para a dona Maria que está aí nos assistindo, petróleo em queda é inflação em queda”, explicou Furlanetti, acrescentando que isso pode favorecer cortes na taxa de juros pelo Banco Central.
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