Complexo faz triagem de objetos postais em cinco estados do Nordeste; terreno será usado para construção de hospital e equipamento educacional Macroeconomia, CNN Brasil Money, Correios, Hospital, Imóveis, negociações, Recife, venda CNN Brasil
Os Correios estão na reta final de tratativas com o governo de Pernambuco para a venda, por quase R$ 100 milhões, de um imóvel em Recife onde hoje funciona o principal centro de triagem de encomendas de toda a região Nordeste.
As negociações ganharam impulso após a publicação de dois decretos de utilidade pública que desapropriam 101 mil metros quadrados de uma área, no bairro Bongi, onde funciona atualmente o complexo dos Correios.
Com mais de 300 funcionários, o CTE (Centro de Tratamento de Encomendas) atua como “hub” logístico para a triagem de objetos postais — como Sedex, PAC e malotes — de Pernambuco e outros quatro estados do Nordeste: Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.
O governo de Raquel Lyra (PSD) pretende aproveitar o terreno para erguer um novo hospital e um “equipamento público destinado à educação”.
Nos decretos de utilidade pública, editados em abril, a Procuradoria-Geral do Estado fica incumbida de fazer a desapropriação “de forma amigável ou judicial”.
Em junho, um ofício enviado à presidência dos Correios e obtido pela CNN formaliza uma proposta de R$ 99,7 milhões pela compra do imóvel.
Assinado pelo secretário estadual de Projetos Estratégicos, Rodrigo Ribeiro, o ofício avisa que o decreto que atinge o imóvel dos Correios será revogado em caso de aceite da proposta.
Fontes do governo pernambucano e da estatal afirmam que um acordo está muito perto de ser fechado.
O encaminhamento do negócio chegou a lançar dúvidas sobre eventuais impactos logísticos para os Correios no Nordeste, tendo em vista a importância do CTE Recife para o fluxo de triagem e distribuição dos objetos postais. A empresa nega que haja riscos.
“As atividades do CTE Recife serão realocadas para outro imóvel em funcionamento, o que resultará também na otimização da infraestrutura imobiliária da empresa. Não haverá qualquer impacto na rotina operacional e na prestação de serviços de entrega”, afirmaram os Correios à CNN.
A reportagem questionou, à assessoria da estatal, o que ocorreria entre a desativação do complexo atual e a entrada em funcionamento de um novo centro de triagem.
“Não haverá desativação. Haverá apenas alteração de endereço de funcionamento da unidade operacional”, respondeu a empresa.
Hospital
O governo de Pernambuco informou que o terreno onde hoje funciona o centro dos Correios será usado para a construção do novo Hospital Getúlio Vargas, com 570 leitos e investimento de R$ 400 milhões nas obras, além dos R$ 100 milhões usados na compra do imóvel.
Os recursos, segundo o governo, são oriundos de operações de crédito
“A escolha do terreno que vai abrigar o novo HGV foi feita devido à proximidade com a estrutura atual [do hospital existente] e localização central, que devem proporcionar melhores condições logísticas para atender a população”, disse, em nota.
O projeto deve ser concluído até o fim do ano e a obra propriamente dita tem prazo estimado de 30 meses, com entrega prevista para o primeiro trimestre de 2028.
O outro decreto de desapropriação, no terreno vizinho, fala na implantação de “equipamento público destinado à educação” — sem especificar a finalidade.
54% dos trabalhadores não conseguem manter salário até fim do mês

