Segundo investigação, instituição de ensino participou intencionalmente de assédio antissemita contra estudantes, professores e funcionários judeus Internacional, Donald Trump, Estados Unidos, Financiamento, Universidade de Harvard CNN Brasil
Uma investigação do governo Trump concluiu que a Universidade Harvard cometeu uma “violação violenta” da Lei dos Direitos Civis, intensificando ainda mais a batalha contra a instituição dias após o presidente Donald Trump sugerir que um acordo estava próximo para encerrar seus ataques à universidade.
Membros da Força-Tarefa Conjunta de Combate ao Antissemitismo afirmaram em uma carta enviada ao presidente de Harvard, Alan Garber, nesta segunda-feira (30), que uma investigação sobre o cumprimento pela instituição do Título VI, da Lei dos Direitos Civis, que proíbe a discriminação com base em raça, cor ou nacionalidade em programas, ou atividades que recebem financiamento federal, foi concluída.
O Escritório de Direitos Civis do Departamento de Saúde e Serviços Humanos “constata que a Universidade Harvard está em violação violenta do Título VI da Lei dos Direitos Civis”, diz a carta obtida pela CNN, assinada pelo Procurador-Geral Adjunto Harmeet Dhillon e outros.
A investigação concluiu que Harvard “foi, em alguns casos, deliberadamente indiferente e, em outros, participou intencionalmente de assédio antissemita contra estudantes, professores e funcionários judeus”, apontando exemplos de estudantes judeus e israelenses sendo “agredidos e cuspidos”, imagens no campus que, segundo a investigação, “traficavam tropos antissemitas óbvios” e o que descreve como um “acampamento inadmissível de várias semanas que incutiu medo e interrompeu os estudos de estudantes judeus e israelenses”, segundo a carta.
A universidade não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNN.
Segundo o documento da força-tarefa conjunta, noticiada inicialmente pelo Wall Street Journal, alerta que “a não implementação imediata de mudanças adequadas resultará na perda de todos os recursos financeiros federais e continuará a afetar o relacionamento de Harvard com o governo federal”, acrescentando: “Harvard pode, é claro, continuar a operar livre de privilégios federais, e talvez tal oportunidade estimule um compromisso com a excelência que ajudará Harvard a prosperar novamente”.
Trump x Harvard
A carta de segunda-feira intensifica a luta do governo contra Harvard, mesmo depois de Trump ter dito no início deste mês que a universidade “agiu de forma extremamente apropriada” durante as negociações que, segundo ele, poderiam resultar em um acordo em breve.
A secretária de Educação, Linda McMahon, também afirmou no início deste mês que o governo acreditava que a universidade estava “progredindo”, pois havia tomado medidas para combater o antissemitismo no campus.
“Temos trabalhado em estreita colaboração com Harvard e é muito possível que um acordo seja anunciado na próxima semana. Eles agiram de forma extremamente apropriada durante essas negociações e parecem estar comprometidos em fazer o que é certo. Se um acordo for firmado com base no que está sendo discutido atualmente, será ‘incrivelmente’ HISTÓRICO e muito bom para o nosso país”, escreveu o presidente em uma publicação nas redes sociais em 20 de junho.
A CNN noticiou na época que um círculo muito pequeno de lideranças de Harvard e a Casa Branca estavam em negociações sobre um acordo que poderia potencialmente resolver disputas judiciais pendentes entre o governo e a universidade.
Mas as negociações fracassaram nos últimos dias em meio a disputas sobre alguns pontos críticos do acordo.
“O presidente não está no negócio de concordar com acordos apenas nominalmente ou de cair em promessas vazias. Ele e seu governo continuam comprometidos em trabalhar com Harvard, mas é uma via de mão dupla. Harvard não cumpriu sua parte do acordo”, declarou um funcionário do governo Trump.
Os esforços para atingir a instituição começaram antes mesmo de Trump retornar ao cargo, com seus aliados argumentando que estão reprimindo o antissemitismo no campus em meio à guerra entre Israel e o Hamas.
Mas as ações do governo se estendem a uma agenda mais ampla — a criação de um grande conflito sobre liberdade acadêmica, financiamento federal e supervisão do campus — e à crença dentro da Casa Branca de que se trata de uma questão política vencedora para Trump.
O governo Trump está atualmente envolvido em dois processos judiciais com Harvard, um referente à sua capacidade de receber estudantes e acadêmicos internacionais e o outro em relação à decisão de congelar o financiamento federal.
A instituição, por sua vez, lançou uma estratégia jurídica agressiva e está organizando suas redes de ex-alunos.
A CNN noticiou no mês passado que a Casa Branca estava buscando fechar um acordo com uma instituição de ensino de alto nível, segundo uma fonte envolvida na resposta ao ensino superior.
“Eles querem que uma universidade de renome faça um acordo como o que os escritórios de advocacia fizeram, que abranja não apenas antissemitismo e protestos, mas também DEI e diversidade intelectual”, disse essa pessoa na época.
Questionada se alguma das instituições de ensino estaria inclinada a fazer tal acordo, a fonte respondeu: “Ninguém quer ser o primeiro, mas as pressões financeiras estão ficando reais.”

