O GWM Haval H6 foi o carro híbrido mais vendido do Brasil em 2025, com 28.055 unidades (sem contar a versão cupê GT, com mais 3.918 unidades). Números bem à frente do segundo lugar, o BYD Song Pro, com 22.536 exemplares.
Mesmo assim, a GWM não se colocou em uma zona de conforto e promoveu boas atualizações no SUV. E, para 2026, as novidades incluem ainda a produção nacional do modelo, em Iracemápolis (SP).
Testamos a versão de entrada, HEV2, única com conjunto híbrido pleno. Ela sai por R$ 223.000. Por fora, as boas-novas concentram-se na dianteira, que adota uma aparência mais limpa. A grade passa a ter uma área delimitada (antes, ela invadia e parecia rasgar o para-choque) e é composta por blocos em cinza brilhante.

O para-choque em si também muda: ganha superfície mais lisa e perde os faróis de neblina. Já os faróis principais, full-led e com acendimento automático para fachos baixo e alto, são os mesmos, mas receberam um apêndice iluminado que desce pelo para-choque.
De lado, as rodas aro 18 da versão HEV2 são novas, mas a pintura em preto brilhante as desvalorizam em aparência. A traseira do SUV não muda, já que o havia feito há poucos meses, alterando logotipos e trocando as lentes das lanternas para um conjunto acinzentado.

Mas, mesmo com um refresco no visual externo, as melhores mudanças do novo H6 estão na cabine. Não é uma revolução, mas há uma grande evolução em arranjos de porta-objetos e comandos e, principalmente, no nível de acabamento.
Antes, o console central aparentava simplicidade por ter superfícies lisas e vazias, e pelos materiais utilizados, como preto brilhante e cromado. Passava a impressão de um acabamento de baixo custo. Agora, toda a área central traz materiais de melhor qualidade, com plásticos de toque emborrachado e partes almofadadas, com revestimentos sintéticos.

Os cromados deram lugar a detalhes prateados foscos, também com ar de maior refinamento. Entre os rearranjos, há um pequeno porta-objetos horizontal, um carregador por indução e dois porta-copos, além dos porta-objetos abaixo do console e dentro do apoio de braço central.
O antigo seletor giratório de marchas, que ficava no console central, que tinha funcionamento lento e acabamento simples, não está mais lá. Ele foi substituído por uma alavanca instalada atrás do volante. O novo volante também representa uma evolução no interior.

Motivo de recorrentes críticas, o antigo tinha diâmetro exagerado e aro fino. Prejudicava não apenas o visual, mas também a dirigibilidade. Agora, a nova peça de apenas dois raios é mais moderna e tem pegada mais confortável. Os demais acabamentos seguem bons, com materiais emborrachados e boa montagem.
A faixa central do painel passa por um leve redesenho para que as saídas de ar centrais fiquem mais baixas, isso para acomodar a nova tela da multimídia, que sobe de 12,3” para 14,6”.

O sistema, que permite conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, foi atualizado e evoluiu em usabilidade, com uma barra inferior fixa para atalhos e personalização, com informações úteis para a tela inicial.
O quadro de instrumentos mantém as 10,25”, mas também fica mais moderno com o espelhamento de mapas do smartphone, como do Waze. Poderia, porém, detalhar mais informações, como o fluxo de energia do sistema híbrido, por exemplo.

Mesmo sendo esta a versão mais barata do SUV, há head-up display, teto solar, câmeras 360º, sistema de estacionamento autônomo, bancos dianteiros elétricos com ventilação, ar digital bizona, frenagem automática de emergência, ACC, alertas de pontos cegos, permanência e centralização em faixa, leitura de placas de velocidade e sistema de manobra reversa, que grava os últimos 50 metros percorridos e os refaz em sentido reverso.
Espaço não falta e o H6 pode levar, sem sufoco algum, três ocupantes no banco traseiro graças ao assoalho praticamente plano. O console central, mesmo com saídas de ar e duas portas USB, não invade a área das pernas. O porta-malas de 560 litros é grande e tem abertura elétrica.
A versão HEV2 é a única de conjunto híbrido pleno, ou seja, sem recargas por redes externas. Ele combina um motor 1.5 turbo a gasolina a outro elétrico, ambos na dianteira. Juntos, eles entregam 243 cv de potência e 55 kgfm de torque. A GWM não divulga os dados de potência e torque separados de cada um dos motores.

Nos nossos testes, ele levou 10,3 s para ir de 0 a 100 km/h, bom para um SUV de 4,70 m e 1.699 kg. No dia a dia, é notável o desempenho do H6, com boas acelerações e retomadas, especialmente pelas puxadas do motor elétrico. Este, aliás, que funciona sozinho em um tempo superior ao visto em outros híbridos de seu tipo (HEV), mesmo em acelerações com mais força e a velocidades maiores.
O motor a combustão, em grande parte das vezes, só é acionado quando o nível da pequena bateria de 1,6 kWh está baixo ou quando há exigência de desempenho máximo. Isso ajuda no consumo, que é bom, mas não impressiona: 14,7 km/l na cidade e 13,1 km/l na estrada.
Por fim, mudanças que não se sabia ser necessárias: o SUV teve amortecedores recalibrados e adotou batentes mecânicos na suspensão. Ele manteve o ajuste firme, de boa estabilidade, mas ganhou um rodar mais suave e refinado. No antigo, o rodar era mais áspero, com pancadas secas e maior transmissão de irregularidades ao motorista.
Os freios trocaram os atuadores hidráulicos por eletrônicos, resultando em respostas mais rápidas e uma melhoria discreta na eficiência de frenagem.
Ficha técnica – GWM Haval H6 HEV2
Motor: gasolina, diant., 4 cil., 1.499 cm³, turbo; elétrico, diant.; combinados, 243 cv, 55 kgfm
Bateria: íons de lítio, 1,6 kWh
Câmbio: aut., 2 marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)
Freios: discos vent. (diant.) e discos sólidos (tras.)
Pneus: 225/60 R18
Dimensões: compr., 470,3 cm; larg., 188,6 cm; alt., 173 cm; entre-eixos, 273,8 cm; porta-malas, 560 litros; peso, 1.699 kg; vão livre do solo, 185 mm; tanque de combustível, 61 l
Testes Quatro Rodas – GWM Haval H6 HEV2
Aceleração
0 a 100 km/h – 10,3 s
0 a 1.000 m – 31,5 s / 166,7 km/h
Velocidade máxima – 175 km/h*
Retomadas
D 40 a 80 km/h – 4,8 s
D 60 a 100 km/h – 6,6 s
D 80 a 120 km/h – 7,5 s
Frenagens
60/80/120 km/h a 0 – 15,3/27,7/62,3 m
Consumo
Urbano 14,7 km/l
Rodoviário 13,1 km/l
Ruído interno
Neutro/RPM máx. – -/- dBA
80/120 km/h – 66,1/70,8 dBA
Aferição
Velocidade real a 100 km/h – 99 km/h
Rotação do motor a 100 km/h – n/d
Volante – 2,5 voltas
Seu Bolso
Preço básico – R$ 223.000
Garantia – 5 anos

