Ofício enviado ao Ministério da Previdência reforça tentativa de isolar aliados de ex-presidente investigado Política, Fraudes, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), PF (Polícia Federal) CNN Brasil
O presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller, enviou nesta quarta-feira (19) um ofício ao Ministério da Previdência solicitando o afastamento da diretora Léa Bressy Amorim de suas funções. Léa Bressy Amorim é diretora de Tecnologia da Informação do órgão, e responsável por assumir a Presidência do INSS na ausência do titular do cargo.
A medida foi motivada pela proximidade dela com o ex-presidente do órgão, Alessandro Stefanutto.
Já Stefanutto foi afastado do cargo em abril e, posteriormente, preso em novembro durante uma nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União.
A investigação apura um esquema bilionário de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, que teria ocorrido durante sua gestão.
A decisão de Waller reforça a tentativa de blindar o instituto em meio às investigações e evitar qualquer influência de pessoas ligadas ao ex-presidente.
O Ministério da Previdência ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido.
Entenda o escândalo das aposentadorias
As investigações da Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), revelaram um esquema criminoso de descontos irregulares em benefícios pagos a aposentados e pensionistas do INSS, ocorrido entre 2019 e 2024.
O esquema envolvia cobranças indevidas de serviços e produtos não contratados pelos beneficiários, com valores desviados que podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Segundo a apuração, parte dos recursos foi movimentada por entidades associativas, como a Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), que recebeu cerca de R$ 708 milhões do INSS. Desse montante, R$ 640 milhões teriam sido desviados para empresas de fachada, conforme relatório da PF.
A operação também identificou o pagamento de propinas mensais de R$ 250 mil ao ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, entre junho de 2023 e setembro de 2024. Além dele, outros dirigentes e empresários foram alvo de mandados de prisão e busca em diversos estados.
Os investigados podem responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistemas oficiais e ocultação de patrimônio.
A nova fase da Operação Sem Desconto cumpriu 63 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão preventiva, atingindo o Distrito Federal e 14 estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Goiás.
O caso é considerado um dos maiores escândalos da história da Previdência Social, pela dimensão dos valores e pelo impacto direto sobre milhões de beneficiários.

