Setor de energia liderou fusões e aquisições em 2025, com solar e óleo e gás atraindo capital internacional. Infraestrutura para data centers será tema central em 2026 Investimentos, -transcricao-de-video-money-, bolsa brasileira, investidores CNN Brasil
O setor de energia liderou as operações de fusões e aquisições no Brasil em 2025, representando cerca de 45% das transações realizadas no ano. O dado evidencia um crescimento expressivo em relação a 2020, quando o setor respondia por apenas 10% das operações.
Segundo Guilherme Steagall, sócio-diretor da 44 Capital, esse movimento não é novidade e deve continuar em 2026. “O que a gente teve em 2025 com relação à energia não foi uma novidade. Se você olhar em 2020, 10% das transações que aconteceram naquele ano foram de energia. Se você pular para 2025, estamos falando de cerca de 45%”, explicou.
O especialista destaca que a infraestrutura, especialmente o setor energético, atrai investimentos por apresentar fluxo de caixa resiliente e previsível, características valorizadas em momentos de incerteza econômica e juros elevados. “Quando você vê alguma dúvida na economia, uma taxa de juros alta, existindo capital para fazer as aquisições, o fluxo de caixa que vem dessas aquisições é um fluxo de caixa que dá muita segurança”, afirmou Steagall.
Investimento estrangeiro e consolidação do setor
Enquanto investidores locais se preocupam com questões macroeconômicas como taxa de juros, o capital estrangeiro mantém apetite pelo Brasil com visão de longo prazo. “O investidor estrangeiro tem uma visão mais de longo prazo. E ele tende a olhar para alguns setores no Brasil como mato alto”, destacou Steagall, explicando que esses investidores são menos sensíveis às flutuações de curto prazo.
Entre os segmentos que mais atraem o capital estrangeiro, a energia solar tem recebido atenção especial, junto com o setor de óleo e gás. “Na energia, eu acho que hoje o solar está sendo muito bem visto, muito requisitado. Além do solar, eu acho que o óleo e gás é sempre”, observou o especialista.
Um movimento importante identificado por Steagall é a consolidação do setor de geração distribuída (GD), que se desenvolveu de forma desorganizada no país. “O que eu acho que os gringos vêm para a GD é uma tremenda oportunidade de reorganizar este setor com capital. Tentar consolidar capacidades e tentar colocar essas capacidades para funcionarem em conjunto com as necessidades de mercado”, explicou.
Desafios e oportunidades para 2026
Para 2026, a infraestrutura digital, especialmente os data centers, aparece como tema central para o setor energético. Com o avanço da inteligência artificial, a demanda por energia deve crescer exponencialmente. “Inteligência artificial consome uma quantidade boçal de energia e isso vai ser exponencial daqui para frente”, alertou Steagall.
O Brasil tem potencial para se tornar um polo de data centers por sua matriz energética predominantemente renovável, mas enfrenta limitações de infraestrutura. “O Brasil tem um potencial enorme para ser o país dos data centers, mas ele tem limitações de infraestrutura importantes. A infraestrutura digital depende da infraestrutura tradicional. E parte da infraestrutura tradicional é a energia”, concluiu.
Outro desafio apontado pelo especialista é a necessidade de expansão da rede de transmissão. “Eu acho que a gente ainda está capenga de transmissão. Eu acho que mais leilões são essenciais”, afirmou, destacando a importância de políticas de Estado para o setor, não apenas políticas de governo.
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