Segundo plano, negociações para trégua permanente começariam imediatamente no primeiro dia da pausa de 60 dias Internacional, Benjamin Netanyahu, Donald Trump, Estados Unidos, Faixa de Gaza, Gaza, Hamas, Israel CNN Brasil
Israel aceitou a nova proposta de cessar-fogo com o Hamas, apresentada pelo enviado americano Steve Witkoff, segundo uma autoridade israelense.
A proposta, vista pela CNN, inclui a libertação de 10 reféns israelenses e 18 reféns mortos pelo Hamas em troca de 125 prisioneiros palestinos, que cumprem penas perpétuas e 1.111 moradores de Gaza detidos desde o início da guerra.
As negociações para um cessar-fogo permanente começariam imediatamente no primeiro dia da trégua de 60 dias, segundo a proposta.
Enquanto isso, o Hamas afirmou que a nova proposta vem de Israel e “não atende a nenhuma das demandas do nosso povo, a principal das quais é o fim da guerra e da fome”, segundo Bassem Naim, membro do gabinete político do grupo militante radical.
“No entanto, a liderança do movimento está estudando, com toda a responsabilidade nacional, uma resposta à proposta, à luz do genocídio ao qual nosso povo está sendo submetido”, acrescentou Naim no Facebook.
Segundo o Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, falou às famílias dos reféns que havia aceitado a proposta dos EUA.
Durante o briefing na quinta-feira (29), a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que “o enviado especial Witkoff e o presidente Trump apresentaram uma proposta de cessar-fogo ao Hamas, com o apoio de Israel”, e que as conversas estão em andamento.
“Esperamos que uma trégua em Gaza ocorra para que possamos devolver todos os reféns para casa, e essa tem sido uma prioridade para este governo desde o início”, acrescentou Leavitt.
Termos da proposta de cessar-fogo
Segundo a proposta, metade dos reféns e dos prisioneiros serão libertados no primeiro dia do acordo de cessar-fogo de 60 dias, enquanto a outra metade será libertada no sétimo dia.
Se Israel e o Hamas não chegarem a uma decisão para uma trégua permanente até o final do período de 60 dias, a pausa nos combates “poderá ser prorrogada sob condições e por um período a ser determinado pelas partes, desde que negociem de boa-fé”, segundo o plano.
Mas o documento não contém nenhuma garantia de um fim permanente para a guerra, uma exigência fundamental do Hamas, nem garantias de que a trégua será prorrogada enquanto as negociações continuarem.
Em vez disso, a proposta afirma que o presidente dos EUA, Donald Trump, está “comprometido em trabalhar para garantir que as discussões de boa-fé continuem até que um acordo final seja alcançado”.
A ajuda humanitária, que só começou a chegar a Gaza após um bloqueio israelense de 11 semanas à distribuição de alimentos, medicamentos e outros itens, entraria no território “imediatamente” no início da pausa do conflito.
O auxílio será distribuído “por meio de canais que foram negociados e aceitos previamente”, incluindo as Nações Unidas e o Crescente Vermelho.
O plano afirma que a ajuda começará a fluir “assim que o Hamas concordar com o acordo de cessar-fogo”, uma indicação de que o plano foi coordenado com os israelenses.
Na quinta-feira (29), a pora-voz da Casa Branca falou que “Israel aprovou a proposta antes de ser enviada ao Hamas”.
Os EUA, o Egito e o Catar garantiriam o acordo, segundo o documento.
A declaração parece estipular que Trump assumiria o crédito pelo acordo. “O presidente Trump anunciará pessoalmente o acordo de cessar-fogo”, diz o texto.
-
1 de 6Palestinos pedindo por alimento em Gaza. • REUTERS
-
2 de 6Caminhões de ajuda humanitária indo para Gaza. • REUTERS
-
3 de 6Caminhões de ajuda humanitária indo para Gaza. • REUTERS
-
-
4 de 6Interior dos caminhões de ajuda humanitária indo para Gaza. • Reuters
-
5 de 6Palestinos pedindo por alimento em Gaza. • Reuters
-
6 de 6Crianças esperando por alimento em Gaza. • Reuters
-
Contraproposta do Hamas
O Hamas respondeu à última proposta do enviado americano com três contrapontos, segundo um alto funcionário do Hamas.
O funcionário disse à CNN que o grupo rebelde concordaria com a libertação dos reféns e uma pausa de 60 dias, conforme descrito na proposta americana, mas quer garantias dos EUA de que as negociações sobre uma trégua permanente continuarão e que os combates não serão retomados após os 60 dias.
O Hamas quer que a assistência humanitária seja realizada por meio dos canais das Nações Unidas.
Por fim, eles querem que as Forças de Defesa de Israel (IDF) recuem para as posições que ocupavam em 2 de março deste ano, antes de Israel reiniciar as operações militares.
Outra pessoa familiarizada com a contraproposta do Hamas confirmou os três pontos.
Andamento da proposta
O alto funcionário do Hamas disse à CNN que eles responderam à proposta do enviado americano por meio de interlocutor palestino-americano Bishara Bahbah, que tem mantido discussões diretas com negociadores do grupo em Doha.
O empregado falou que, há dois dias, eles discutiram os termos do Hamas com Bahbah, que foram enviados a Witkoff. Então, após o enviado especial se encontrar com o oficial israelense Ron Dermer em Washington esta semana, “tudo mudou 100%”.

“Ficamos chocados porque Bishara [Bahbah] nos disse duas ou três vezes que aprovou o arcabouço e não teve problemas”, afirmou o alto funcionário, chamando a proposta mais recente de do enviado dos EUA de “documento israelense”.
“Estamos prontos para devolver todos os reféns em um dia, só queremos uma garantia de que a guerra não voltará depois disso”, afirmou o contratado. “Agora, neste documento, não encontramos nada”, acrescentou. “Eles querem continuar a guerra, nós queremos acabar com isso”.
Naim, membro do gabinete político do Hamas, escreveu no Facebook que uma proposta havia sido acertada com Steve Witkoff na semana passada e que a estrutura mais recente vem de Israel e “significa perpetuar a ocupação e continuar a matança e a fome”.
Após esta última resolução, o Hamas está pronto para libertar metade dos 20 reféns vivos restantes, o que a primeira autoridade do Hamas chamou de “grande risco”, pois não há garantia de que Israel respeitará o acordo.
“Sabemos que Witkoff é um homem forte, ele pode fazer algo. Ele é o único que pode impactar Israel”, falou a autoridade.
O funcionário também afirmou que o governo Trump renegou os termos após a libertação do israelense-americano Edan Alexander, incluindo um agradecimento ao Hamas do presidente americano e a ajuda humanitária que não retornou imediatamente para Gaza.
“O Hamas está muito, muito interessado em chegar a um acordo para encerrar a guerra e devolver os reféns”, disse a autoridade.
Reações sobre a proposta
Mais cedo na quinta-feira (29), o ministro das Finanças israelense, da ultradireita, Bezalal Smotrich, falou que aceitar a proposta seria “pura loucura”, escrevendo nas redes sociais que “não permitirá que tal coisa aconteça. Ponto final”.
Mas o líder da oposição israelense, Yair Lapid, instou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a aceitar a “publicamente e imediatamente”. Ele disse que apoiaria o governo, mesmo que os membros de ultradireita a abandonassem.
Na sexta-feira (30), o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que a organização espera que o processo de negociação seja bem-sucedido.
“Esperamos muito que o trabalho dos mediadores seja bem-sucedido, para que possamos pôr fim a este ciclo de sofrimento, ciclo de violência que todos estamos testemunhando. Tomara que possamos colocar israelenses e palestinos de volta em um caminho positivo no processo de paz”, falou Dujarric.

