Missão começou no final de agosto com 42 embarcações e pelo menos 450 participantes Internacional, Barcos, Conflito Oriente Médio, Deportação, Donald Trump, Embarcação, Estados Unidos, Faixa de Gaza, Flotilha, Hamas, Israel CNN Brasil
O exército israelense interceptou o último barco de uma flotilha de ajuda humanitária que tentava chegar à Faixa de Gaza nesta sexta-feira (3), um dia após interceptar a maioria das embarcações e deter cerca de 450 ativistas, incluindo a sueca Greta Thunberg.
Os organizadores da Flotilha Global Sumud declararam que a embarcação Marinette foi interceptado a cerca de 79 km de Gaza. A rádio do exército israelense informou que a Marinha assumiu o controle do último navio da flotilha, deteve os ocupantes e que a embarcação estava sendo conduzida ao porto de Ashdod, em Israel.
Em um comunicado, a organização informou que as forças navais israelenses “interceptaram ilegalmente todos os nossos 42 navios — cada um transportando ajuda humanitária, voluntários e a determinação de romper o cerco ilegal de Israel a Gaza”.
Tripulantes afirmam ter visto navio de guerra
Uma câmera transmitida do Marinette mostrou alguém segurando um bilhete dizendo “Vemos um navio! É um navio de guerra”, antes de um barco se aproximar e soldados embarcarem. Ouve-se uma voz dizendo às pessoas a bordo para não se mexerem e levantarem as mãos.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a situação do barco. O ministério informou na quinta-feira (2) que o único navio restante da flotilha seria impedido de romper o bloqueio caso tentasse.
A flotilha, que zarpou no final de agosto, marcou a mais recente tentativa de ativistas de desafiar o bloqueio naval israelense ao território palestino, quase dois anos após o cerco israelense a Gaza, desencadeado pelos ataques do grupo radical Hamas em 7 de outubro.
Autoridades israelenses denunciaram repetidamente a missão como um golpe. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a flotilha havia sido previamente avisada de que estava se aproximando de uma zona de combate ativa e violando um “bloqueio naval legal”, e pediu aos organizadores que mudassem de rota.
O Ministério se ofereceu para transferir a ajuda para Gaza.
O Ministério das Relações Exteriores israelense informou nesta sexta-feira (3) que quatro italianos foram deportados. “Os demais estão em processo de deportação. Israel está empenhado em encerrar esse procedimento o mais rápido possível”, afirmou em um comunicado.
Todos os participantes da flotilha estavam “seguros e com boa saúde”, acrescentou.
Manifestantes pró-palestinos foram às ruas em cidades por toda a Europa, bem como em Karachi, Buenos Aires e Cidade do México, na quinta-feira, para protestar contra a interceptação da flotilha.
Nesta sexta-feira, dezenas de milhares de italianos se manifestaram, como parte de uma greve geral de um dia convocada por sindicatos em apoio à flotilha.

Ministro israelense chama ativistas de “terroristas”
Durante uma visita a Ashdod na noite de quinta-feira, o ministro da Segurança Nacional de Israel, de ultradireita, Itamar Ben-Gvir, foi filmado chamando os ativistas de “terroristas” enquanto se posicionava diante deles.
“Estes são os terroristas da flotilha”, disse ele, falando em hebraico e apontando para dezenas de pessoas sentadas no chão. Seu porta-voz confirmou que o vídeo foi filmado no porto de Ashdod na noite de quinta-feira.
Alguns ativistas são ouvidos gritando “Palestina Livre”.
O Chipre informou que um dos barcos da flotilha atracou no Chipre com 21 estrangeiros a bordo. O navio havia solicitado atracar em Larnaca para reabastecimento e por motivos humanitários, informou um porta-voz do governo cipriota.
O porta-voz não identificou o barco nem disse se ele estava entre os parados pelo exército israelense.
Israel tem enfrentado ampla condenação global pela guerra em Gaza e está se defendendo de acusações de genocídio no Tribunal Internacional de Justiça.
O governo israelense afirma que suas ações foram em legítima defesa e nega consistentemente as alegações de genocídio.
A ofensiva israelense já matou mais de 66 mil pessoas, segundo autoridades de saúde palestinas. Ela começou após militantes liderados pelo Hamas atacarem Israel em 7 de outubro de 2023.
Cerca de 1.200 pessoas foram mortas durante o ataque e 251 foram feitas reféns, segundo dados israelenses.
Israel aceitou uma nova proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra, que exige a rendição do Hamas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou que supervisionaria temporariamente a governança de Gaza sob o plano, deu ao Hamas alguns dias para responder e alertou o grupo de que Israel continuaria o cerco a Gaza se o grupo se recusasse.

