O ministro das Cidades, Jader Filho (MDB-PA), defendeu nesta terça-feira (28/10) que o Banco Central inicie o ciclo de queda de juros. Em entrevista ao JOTA, o ministro afirmou que o Brasil já reúne condições para essa redução. Em linha com o que tem se falado nos bastidores do governo, Jader Filho endossou a tese de que é necessário um subsídio ao transporte público e destacou o legado urbano da COP30 em Belém. O ministro também detalhou os avanços do Minha Casa, Minha Vida e o novo programa Reforma Casa Brasil.
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Para ele, o cenário econômico atual, com inflação controlada e câmbio estável, permite uma inflexão da política monetária. “Eu acho que o Brasil precisa o quanto antes, é importante que a economia brasileira tenha essa sinalização”, afirmou.
Segundo Jader Filho, o nível elevado da taxa básica impede o acesso de famílias de classe média ao crédito imobiliário. “Uma família… se fosse no banco, vai pagar 19, 20, 21, 22%. Essa família tem condições de pagar isso?”, questionou.
O ministro considerou a condução da política monetária sob o comando de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, excessivamente cautelosa diante de um cenário que já permitiria cortes. “A sinalização que o Banco Central tem dado ao mercado é que não vai reduzir a taxa de juros”, afirmou. “Eu acho que está na hora do Banco Central sinalizar uma redução dessas taxas.”
Para ele, o governo “precisa agir quando percebe uma anomalia na sociedade” e buscar alternativas para manter o crédito acessível “dentro da responsabilidade fiscal”. Entre as medidas citadas, está a liberação de parte dos recursos do compulsório dos bancos para ampliar o crédito imobiliário e reduzir o custo do financiamento habitacional.
‘Não existe transporte público de qualidade sem subsídio’
Na entrevista, Jader Filho também defendeu mudanças estruturais no modelo de financiamento do transporte coletivo. “Não existe nenhuma cidade hoje do mundo que tenha um transporte público de qualidade que você não tenha qualquer tipo de subsídio”, afirmou. “Não é mais possível transferir o custo total para o usuário.”
Segundo o ministro, o governo pretende construir um pacto federativo de financiamento, envolvendo União, estados e municípios, para garantir previsibilidade e qualidade. Ele destacou a necessidade de renovação das frotas, com ônibus mais seguros, equipados com ar-condicionado e Wi-Fi, e de incentivo à transição energética.
“Metade dos ônibus selecionados recentemente já são elétricos”, afirmou, acrescentando que o país “não pode adotar uma solução única” devido às diferenças de infraestrutura entre as cidades.
Ao falar sobre a COP30, que será realizada em Belém em poucos dias, Jader Filho afirmou que o evento deve marcar “a COP das cidades”, dedicada à adaptação urbana, à resiliência climática e ao saneamento. “De 10% ou menos do financiamento global chega aos municípios. Como é que se faz obra sem financiamento?”
Ele disse ainda que a capital paraense estará pronta para receber o encontro e prometeu que “vai ser a melhor COP de todas”. Segundo o ministro, obras de mobilidade e drenagem estão sendo concluídas em ritmo acelerado, e o evento deixará um legado urbano permanente para a região metropolitana.
Minha Casa, Minha Vida e Reforma Casa Brasil
Jader Filho classificou o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) como uma “grande vitrine do governo” e afirmou que o programa voltou a atender famílias de renda mais baixa. “Hoje é a menor taxa de juros da história de todos os programas assistenciais que já existiram no Brasil”, disse.
De acordo com ele, 43% das famílias que assinaram contratos em 2024 ganham até R$ 2.850. O ministro também ressaltou o impacto do setor de construção civil no crescimento econômico. “A construção civil ajudou muito no crescimento do PIB.”
O programa Reforma Casa Brasil, lançado neste mês, busca atender famílias que vivem em moradias precárias. A iniciativa oferece crédito com juros entre 1,17% e 1,95% ao mês, em valores que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil.
O cadastro será feito pelo aplicativo Caixa Tem, com liberação digital dos recursos em duas etapas: 90% no início da obra e os 10% restantes após comprovação da reforma. “A partir do dia 3 de novembro, você vai entrar no Caixa Tem, vai fazer a simulação, vai tirar uma foto do que quer fazer na sua casa”, explicou.
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Base política e 2026
O ministro também comentou o cenário político e a reorganização da base governista no Congresso. Defendeu uma aliança “minimamente comprometida com o projeto econômico e social do governo” e disse que o MDB mantém a tradição de resolver impasses por meio de convenções.
Sobre 2026, admitiu a possibilidade de se candidatar a deputado federal, mas disse que não pretende deixar o ministério antes de cumprir as metas firmadas com o presidente Lula.
Na sua avaliação, o desempenho econômico e os programas sociais do governo devem fortalecer a campanha de reeleição de Lula em 2026. “O presidente conhece as necessidades do povo brasileiro e tem buscado alternativas importantes para a solução dos problemas do país”, afirmou.

