Governistas buscam não perder espaço no discurso de endurecimento do combate ao crime organizado Política, Congresso Nacional, Crime organizado, Luiz Inácio Lula da Silva (Lula), William Waack CNN Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a investir num discurso de mirar líderes do crime organizado por meio de ações de inteligência e aposta em aliados na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o tema no Senado para conter a oposição.
Nesta terça-feira (4), Lula mudou o tom acerca da operação no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos na semana passada. Chamou a ação policial de “matança” e de “desastrosa”. Foram as primeiras críticas públicas dele ao caso.
Ao longo do dia, o presidente também reforçou a vontade de que peritos da PF (Polícia Federal) acompanhem os trabalhos forenses, de balística e de identificação dos corpos no Rio, por exemplo.
A fala acirrou os ânimos da oposição. Na avaliação do grupo, Lula deveria ter se concentrado em manifestar solidariedade às famílias dos quatro policiais mortos — e não criticado a operação da qual a Polícia Federal não participou.
Horas depois, nas redes sociais, Lula afirmou que “o governo do Brasil está atuando para quebrar a espinha dorsal do tráfico de drogas e do crime organizado”.
“Com mais inteligência, integração entre as forças de segurança e foco nos cabeças do crime — quem financia e comanda as facções. […] Essas medidas completam o ciclo da segurança: investigação mais eficaz, integração institucional e base legal sólida — uma combinação que consolida o enfrentamento ao crime no Brasil”, acrescentou.
À noite, ele também ressaltou operação na Bahia, no Ceará e no Rio realizada com apoio de órgãos federais. “O objetivo é desarticular o núcleo armado e financeiro da organização. A atuação conjunta das forças de segurança é o caminho para estrangular o crime organizado e proteger a população”, escreveu.
A postagem foi replicada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação entre Planalto e Congresso.
O Planalto não quer perder espaço para a oposição no discurso do endurecimento do combate ao crime organizado.
Aliados de Lula no Congresso avaliam ser preciso mostrar para a população que o governo declarou “guerra” ao narcotráfico. A ideia é ressaltar que isso será feito por meio de ações de inteligência, em coordenação com os estados.
Esse também deve ser um dos caminhos a ser adotado pelos governistas na CPI instalada nesta terça para investigar e combater o crime organizado. O colegiado vai ser presidido pelo petista Fabiano Contarato (ES), que derrotou Hamilton Mourão (Republicanos-RS) por apenas um voto de diferença.
A vitória, mesmo que apertada, trouxe alívio ao Planalto, que temia que o rumo da comissão gerasse ainda mais desgaste ao governo. A expectativa é que o governo consiga minimizar eventuais danos por meio do comando de Contarato. O relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), é tido como independente.
Governo e oposição escalaram os principais senadores dos respectivos grupos para serem membros do colegiado.
Enquanto isso, o governo tenta avançar na Câmara dos Deputados com o projeto antifacção e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública. Mas, ainda não há prazo concreto para as votações dos textos.
Eles têm receio de que o texto abra brechas para interferências estrangeiras no Brasil, com a justificativa de combate ao terrorismo, e até para criminalizar movimento sociais. Mas, o assunto está previsto para voltar à pauta da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nesta quarta.

