À CNN, diretor e figurinista revelam detalhes da série que explora o submundo do jogo do bicho no Rio de Janeiro Lifestyle, #CNNPop, Moda, Netflix, Séries CNN Brasil
“Os Donos do Jogo”, nova série brasileira da Netflix, estreou no dia 29 de outubro, se consagrando como a produção mais vista da plataforma de streaming do país.
Ao longo de oito episódios, a produção explora a história de quatro famílias rivais na disputa do controle do jogo do bicho, no Rio de Janeiro. O elenco conta com nomes de peso como Juliana Paes, Mel Maia, Xamã, Chico Diaz, André Lamoglia, entre outros.
À CNN, o diretor Heitor Dhalia, conta que um dos principais desafios da obra foi construir uma estética em torno da máfia brasileira. “A gente foi buscando alguns conceitos, como o paisagismo tropical brasileiro e maximalismo de luxo. Foi construindo isso também na arquitetura, com casas exuberantes, com o Rio de Janeiro emblemático. É uma cidade muito bonita, e a gente queria essa exuberância para a série”.
Na história, os personagens moram na Barra da Tijuca, vestindo roupas e usando carros que espelhem riqueza. Já o território onde trabalham e fazem dinheiro está localizado na zona norte, próximo aos subúrbios, onde o jogo do bicho e os crimes se concentram. “Tentamos traduzir essa riqueza carioca e a autenticidade da zona norte do Rio”, acrescenta.
Filmada em 108 locações emblemáticas da capital fluminense, como o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, as praias da Barra e de Copacabana, o Jockey Club e a Ponte Rio-Niterói, além de outros municípios como Angra dos Reis, Niterói e Campos de Goytacazes, a série contou com grandes números.
Ao todo, foram 95 personagens, 3700 figurantes, 48 dias cênicos e 47 trocas de roupas feitas só por André Lamoglia, que interpreta o Profeta, além de 203 pessoas na equipe fixa.

A realidade do jogo do bicho no Brasil
Ainda segundo Heitor, todas as abordagens sobre o jogo do bicho no Brasil trataram esse universo como uma mirada folclórica, ligada ao Carnaval, à aposta de rua, ao “fazer uma fezinha”.
“Na verdade, a contravenção se assemelha ao código de uma máfia. Então, a gente resolveu trazer esse universo para o gênero que ele é, de fato. É uma história de máfia e também de famílias. É um novelão porque está na natureza dessas disputas familiares. Quando você tem irmãos, filhos, pais em oposição, isso está no território do melodrama, mas são famílias com estrutura mafiosa, comandam o jogo ilegal, têm escritórios de assassinato, resolvem suas questões com armas, há muita lavagem de dinheiro”, afirma.
“A gente está contando, pela primeira vez, a história dessa máfia brasileira, associada do Carnaval, uma máfia tropical, com nosso jeito, no Rio de Janeiro. Mas, a nossa obra, é uma ficção. Não estamos fazendo um documentário. A gente não está falando de famílias reais, não está contando a história de ninguém especificamente. Nos inspiramos em um universo que existe e o traduzimos para a ficção. A gente tem uma distância da realidade, ao mesmo tempo que bebe nela. Como você cria um código de gênero de máfia no Brasil, tropical, que é diferente de uma máfia italiana na Sicília ou em Nova York?”, questiona.
Para o diretor, o gênero é muito profícuo, justamente por ser cinematográfico. “Essas organizações criminosas coligam por uma ligação familiar, pelo sangue. Isso é o código da máfia siciliana, que depois se espalhou para o mundo inteiro. E é o código desse gênero aqui”, adiciona.

300 integrantes vestidos de uma escola de samba
A equipe também vestiu 300 integrantes de uma escola de samba para as cenas filmadas na passarela do samba. “Adorei fazer a roupa da bateria”, diz Karla Monteiro, figurinista da série, à CNN, que teve uma semana para produzir o figurino.
“Foi tudo na velocidade que a gente precisava, não podia dar errado. A roupa foi feita por pessoas que trabalham com o Carnaval, com muita raça. Esse foi o pulo do gato”, comenta. “Troquei muito com carnavalescos, que foram maravilhosos. Julinho Fonseca (diretor da escola Inocentes de Belford Roxo) me deu todas as dicas”, recorda.
“A galeria da bateria me agradeceu dizendo que era uma roupa que funcionava, tem um apelo visual e é leve”, conclui.

Assista ao trailer de “Os Donos do Jogo”
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