Número de mortos subiu para 128; Cerca de 200 pessoas ainda estão desaparecidas Internacional, Hong Kong, Incêndio CNN Brasil
O número de mortos no devastador incêndio em um complexo de apartamentos de Hong Kong subiu para 128, com até 200 pessoas ainda desaparecidas, disseram autoridades nesta sexta-feira (28), enquanto anunciaram a prisão de mais oito suspeitos em relação ao incêndio.
O fogo se espalhou rapidamente em um conjunto habitacional público no bairro Tai Po, na cidade, na última quarta-feira (26), prendendo pessoas dentro dos apartamentos. Com as autoridades alertando que o número de vítimas pode continuar a subir, a atenção se volta agora para as causas do incêndio, o pior desastre dessa natureza na região em décadas.
Durante as inspeções feitas após o incêndio, as autoridades descobriram que os alarmes de incêndio nos oito prédios do complexo “não estavam funcionando”, segundo o Diretor dos Serviços de Incêndio, Andy Yeung. Não está claro se o sistema de alarmes estava operacional no dia do incêndio, embora os moradores tenham relatado anteriormente à CNN que o alarme de seu prédio não disparou.
“Em relação a isso, tomaremos medidas legais”, disse Yeung.
Oito pessoas foram presas na sexta-feira como parte das investigações em andamento, informou o órgão anticorrupção da cidade, incluindo dois diretores de uma empresa de consultoria que prestava assessoria nas obras de manutenção do complexo, dois gerentes de projeto responsáveis pela supervisão das obras, três subcontratados de andaimes e um intermediário.
Três homens que trabalhavam para uma empresa de construção também foram presos no início desta semana sob a suspeita de “negligência grave”, disseram as autoridades na manhã de quinta-feira (27), horário local.
O incêndio causou um choque profundo na cidade, repleta de arranha-céus, que normalmente possui altos padrões de segurança pública e construção.
Moradores deslocados e sobreviventes, muitos dos quais enfrentaram a terceira noite em abrigos temporários na sexta-feira, estão se perguntando como um desastre tão grande pôde ocorrer, enquanto outros aguardam desesperados para saber se seus entes queridos desaparecidos estão entre as vítimas fatais.
A causa do incêndio ainda não foi determinada, e uma investigação policial sobre o motivo pelo qual as chamas se espalharam rapidamente de prédio para prédio, transformando um incêndio em um único bloco de torres em múltiplos infernos simultâneos de vários andares, deve levar de três a quatro semanas, informou ele.
As famílias das vítimas fatais do incêndio receberão HK$200.000 (equivalente a cerca de US$25.700) do governo, anunciou Alice Mak, secretária de Assuntos Internos e Juventude de Hong Kong, na sexta-feira.
As famílias afetadas pelo incêndio também receberão um subsídio de HK$50.000 (equivalente a cerca de US$6.400) na próxima semana, disse ela.
As autoridades acreditam que o incêndio inicial tenha começado nos andares inferiores do Wang Cheong House, Bloco 6, de um total de oito torres que compõem o Wang Fuk Court, um complexo densamente povoado que abrigava mais de 4.000 pessoas, muitas delas idosas.
O Wang Fuk Court estava passando por reformas no momento do incêndio, e todas as oito torres estavam envoltas em andaimes de bambu e redes de proteção verdes. A polícia havia encontrado anteriormente o nome da empresa de construção em placas de poliestireno inflamáveis que os bombeiros descobriram bloqueando algumas janelas no complexo de apartamentos.
“Isso fez com que as redes de proteção pegassem fogo (e) rapidamente se espalhassem para as placas de poliestireno ao redor das janelas, resultando no incêndio em outros andares e edifícios”, disse Chris Tang, Secretário de Segurança de Hong Kong.
“Após o poliestireno pegar fogo, a alta temperatura causou a quebra das janelas, o que fez com que o incêndio se espalhasse para o interior dos apartamentos”, afirmou Tang.
À medida que as redes de proteção e os andaimes de bambu pegaram fogo e caíram, o incêndio se espalhou para outros andares, acrescentou Tang. Bombeiros e moradores enfrentaram condições extremas dentro do edifício, com temperaturas superiores a 500°C, disse ele.
Tang mencionou que as redes de proteção estavam em conformidade com os padrões de segurança.
Entre as 16 inspeções realizadas pelo Departamento de Trabalho nas obras de manutenção dos prédios desde o ano passado, a mais recente ocorreu menos de uma semana antes do início do incêndio, revelou Chris Sun, secretário de Trabalho e Bem-Estar Social de Hong Kong, em entrevista à mídia na sexta-feira.
Sun informou que a última inspeção foi realizada devido a uma queixa de que alguns trabalhadores estavam fumando.
“Na ocasião, foi emitido um aviso por escrito sobre segurança contra incêndio, orientando o contratante a reforçar suas medidas de prevenção de incêndios”, disse ele.
Os esforços de resgates foram ainda mais complicados, pois algumas unidades dentro dos edifícios reacenderam, mesmo após as chamas terem sido apagadas pelos bombeiros.
O departamento de trabalho de Hong Kong está colaborando com os consulados da Indonésia e das Filipinas na cidade para ajudar no apoio aos trabalhadores domésticos estrangeiros que moravam no prédio, afirmou Sun. Esses trabalhadores geralmente são obrigados, por contrato, a residir na mesma casa que seus empregadores.
Ele afirmou que as vítimas fatais do incêndio serão identificadas e seus corpos serão repatriados, enquanto “arranjos especiais” estão sendo feitos para realocar as trabalhadoras domésticas estrangeiras que sobreviveram ao desastre.

