Parte significativa dos entrevistados veem motivação política no episódio; população fluminense é mais favorável à operação Rio de Janeiro, -agencia-cnn-, Megaoperação, Pesquisa Atlas, Violência, Violencia no Rio CNN Brasil
Uma pesquisa nacional da AtlasIntel, divulgada nesta sexta-feira (31) mostra que a megaoperação policial realizada no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, divide a opinião pública.
Apesar do alto percentual de aprovação da ação, parte significativa da população vê motivação política no episódio e relata medo crescente da violência no cotidiano.
A operação, realizada na última terça-feira (28), resultou em mais de 120 mortes e é a mais letal já registrada no Brasil. O objetivo declarado foi combater a expansão territorial do CV (Comando Vermelho) e cumprir mandados de prisão contra lideranças e integrantes da facção.
Apoio à operação e avaliação da violência
Segundo o levantamento, 92% dos entrevistados disseram estar informados sobre a operação. Dentre eles, 55,2% aprovam a ação, enquanto 42,3% desaprovam.
A avaliação sobre a força empregada pelas polícias é dividida: 52,5% consideram que o uso de violência foi adequado, e 45,8% classificam como excessivo.
Mortes e possível motivação política
De acordo com a pesquisa, a percepção sobre os mais de 120 mortos — incluindo 4 policiais — também varia:
- 51,2% consideram que os suspeitos eram criminosos;
- 36,9% dizem que eram ao mesmo tempo criminosos e vítimas;
- 8,4% classificam como vítimas.
Já em relação à motivação da operação, quando a pergunta “O resultado desta operação reflete a melhor forma de efetivamente combater o crime organizado ou um objetivo de ganho politico?” foi feita:
- 42% acreditam que houve tentativa de ganho político;
- 39,3% veem a ação como forma efetiva de combate ao crime;
- 17,6% apontam ambos os fatores.
Expectativas e desdobramentos
Para 26,1%, a operação terá impacto muito positivo na segurança pública do Rio; para 20,1%, muito negativo. A maioria dos entrevistados (55,9%) é favorável a novas operações do tipo, enquanto 35,3% é contra.
Além disso, 64,6% defendem que o governo federal envie blindados por meio de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Sobre a articulação entre os governos, 46% atribuem falhas ao Estado e 42% ao governo federal.
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Medo e mudanças no cotidiano
A pesquisa também mostra o efeito da violência na rotina dos brasileiros. Para medir esse índice, os entrevistados foram questionados se sentem medo de sair de casa por conta da violência e se os hábitos foram alterados pela preocupação.
- 56,9% não sentem medo de sair de casa;
- 43,1% têm medo de sair de casa;
- 42,4% evitam carregar objetos de valor;
- 41,8% evitam determinados bairros.
Nos últimos três meses, 26,2% testemunharam algum crime. Os mais citados foram roubo de celular (52,2%), roubo à mão armada (42,7%) e tráfico de drogas (38,4%).
O tema da segurança pública também influencia diretamente o voto: 30,8% afirmam que políticas contra a criminalidade são determinantes na escolha eleitoral.
A pesquisa ouviu 1.089 pessoas em todo o país, entre 29 e 30 de outubro. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, com coleta digital aleatória.
Pesquisa no Rio de Janeiro
A pesquisa também ouviu moradores do Rio de Janeiro e mostra um cenário mais favorável à operação entre os cariocas. No levantamento municipal, realizado com 1.527 pessoas, 62,2% disseram aprovar a megaoperação, enquanto 34,2% afirmaram desaprovar.
A percepção sobre o nível de violência também é mais favorável à ação no Rio: 62,3% consideram que o uso da força foi adequado, e 34,4% avaliam que foi excessivo. Além disso, 65,1% disseram ver os mortos como criminosos, e apenas 27,3% afirmam que são tanto criminosos quanto vítimas, outros 3,6% classificaram como vítimas.

