O bitcoin caiu abaixo de US$ 90.000 nesta segunda-feira (1º), reflexo de aversão ao risco Mercado, Bitcoin, CNN Brasil Money, Criptomoedas CNN Brasil
Novembro foi um mês difícil para as criptomoedas. A crise persiste em dezembro — e isso pode sinalizar problemas futuros para o mercado de ações.
O Bitcoin caiu 7% nas últimas 24 horas, despencando de pouco menos de US$ 92.000 para aproximadamente US$ 85.000 nesta segunda-feira (1º) mais cedo. A criptomoeda sofreu uma forte queda no final do domingo (30) — despencando mais de US$ 4.000 em apenas algumas horas — com o início das negociações de dezembro na Ásia.
O Bitcoin tem apresentado oscilações intensas nas últimas semanas, à medida que o sentimento de aversão ao risco se espalha pelos mercados. Além desse clima de aversão ao risco, a mais recente crise no mundo das criptomoedas decorre de preocupações com o desmantelamento de uma estratégia de negociação popular.
Então, o que está acontecendo?
O Banco do Japão sinalizou que poderá aumentar as taxas de juros na reunião de política monetária deste mês. Isso complica uma estratégia de investimento que depende da captação de recursos em ienes japoneses a preços relativamente baixos.
Durante anos, uma operação lucrativa para investidores globais tem sido a captação de recursos em ienes para comprar ativos de alto rendimento, como ações americanas ou, neste caso, criptomoedas. As taxas de juros no Japão estavam baixas ou zeradas, tornando a captação de recursos em ienes relativamente barata e criando uma excelente oportunidade para os investidores. Essa estratégia é conhecida como “carry trade do iene“.
No entanto, o Banco do Japão sinalizou que poderá aumentar as taxas de juros, em parte para combater a inflação persistente, dando continuidade a uma recente mudança após anos de taxas ultrabaixas. Os rendimentos dos títulos japoneses de referência atingiram o nível mais alto desde 2008, ressaltando expectativas de aumento das taxas. À medida que as taxas de juros no Japão sobem, o valor do iene pode aumentar. Isso torna a captação de recursos em ienes menos acessível, reduzindo a rentabilidade da estratégia carry trade.
Isso pode pressionar os investidores a venderem bitcoins e ações agora para quitar empréstimos e evitar o risco de maiores perdas. Além de uma onda de vendas, isso pode levar a uma menor entrada de capital em criptomoedas e ações.
“Isso levanta questões sobre o fim do “carry trade do iene”… o que drenaria liquidez do sistema”, disse Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co, em nota. “Isso não seria bom para o mercado de ações”.
As ações americanas apresentam baixa ao longo desta segunda-feira (1º). Por volta das 16h45, no horário de Brasília, o índice Dow Jones caía 0,71%, aos 47.376 pontos. Já o de tecnologia Nasdaq recuava 0,40%, aos 23.271 pontos. E o S&P 500 descia 0,42%, aos 6.820 pontos.
No mercado de criptomoedas, a liquidação foi generalizada: o Ether, a segunda maior criptomoeda do mundo em valor de mercado, despencou quase 10% nas últimas 24 horas.
Início sombrio de dezembro
A queda do Bitcoin ocorre logo após uma forte liquidação nos mercados de criptomoedas há algumas semanas. No final de novembro, o Bitcoin caiu para pouco mais de US$ 80.000 — uma queda de aproximadamente 35% em relação à máxima histórica de mais de US$ 126.000 no início de outubro.
A queda do bitcoin levou as ações a recuarem, em particular as ações de tecnologia que vinham impulsionando o mercado. O S&P 500 chegou a cair quase 5% em novembro, antes de se recuperar e registrar ganhos leves no mês. O Nasdaq, com forte presença de empresas de tecnologia, teve o primeiro mês de perdas desde março.
Os mercados “ainda não estão totalmente fora de perigo”, acrescentou Maley. “A nova queda do bitcoin pode criar problemas reais para o mercado de ações”, apontou em nota. “Se os problemas que estão causando essa queda não diminuírem, o cenário de alta no final do ano encontrará sérios obstáculos”.
Em um sinal de aversão ao risco, os investidores estão novamente investindo em ouro e prata, considerados ativos seguros em meio à incerteza. O preço da prata atingiu um recorde histórico nesta segunda-feira (1º), com investidores comprando o metal, que pode ser considerado uma alternativa mais barata ao ouro. Os preços da prata dobraram este ano e também foram impulsionados pelo aumento da demanda industrial.
Os defensores do bitcoin dizem que a volatilidade faz parte do processo. Enquanto isso, os críticos afirmam que o bitcoin não está cumprindo o propósito como reserva de valor, dada a suscetibilidade a flutuações intensas. O bitcoin acumula queda de aproximadamente 9% este ano, enquanto o S&P 500 subiu cerca de 16% e o ouro, 61%.
Considerando todos os fatores, o S&P 500 está a menos de 2% de sua máxima histórica, atingida no final de outubro. Dezembro é historicamente um mês forte para os mercados e Wall Street aposta que o Federal Reserve cortará as taxas de juros na reunião deste mês, o que pode impulsionar as ações. No entanto, mais volatilidade pode estar a caminho, já que o bitcoin está mais de 30% abaixo de sua máxima histórica e as preocupações com o “carry trade do iene” persistem.
“Com tudo isso em mente, ainda estamos em um momento crucial para o mercado de ações”, frisou Maley. “Os acontecimentos no Japão estão criando alguma incerteza sobre uma recuperação no final do ano… então, ainda não podemos dar o sinal verde”.

