Decisão do magistrado é de terça-feira (30); Wladimir Matos Soares foi sentenciado a 21 anos pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 Política, -agencia-cnn-, Alexandre de Moraes, STF (Supremo Tribunal Federal) CNN Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), manteve a prisão preventiva de Wladimir Matos Soares, agente da PF (Polícia Federal) condenado a 21 anos por participação na trama golpista após as eleições de 2022. O policial está detido desde novembro de 2024.
Na decisão de terça-feira (30), Moraes argumenta que não existe “qualquer fato superveniente que possa afastar a necessidade de manutenção da custódia cautelar” de Wladimir Soares.
O agente da PF faz parte do chamado “núcleo 3” da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), responsável por planejar os assassinatos de autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o próprio Alexandre de Moraes.
Em novembro deste ano, a Primeira Turma do STF condenou nove dos dez réus que compõem o núcleo 3. Dos 21 anos aos quais foi sentenciado, Wladimir Soares deverá cumprir 18 anos e seis meses de reclusão, dois anos e seis meses de detenção, além do pagamento de 120 dias-multa.
Íamos matar meio mundo, disse agente da PF em áudio
Em áudio obtido pela Polícia Federal durante as investigações da trama golpista, Wladimir Soares declara fazer parte de um grupo armado formado para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que, se necessário, estariam dispostos a “matar meio mundo de gente”.
“A gente ia com muita vontade, íamos empurrar meio mundo de gente, íamos matar meio mundo de gente, não estava nem aí mais”, disse o policial.
De acordo com as investigações, o agente da PF teria atuado infiltrado na equipe de segurança durante a campanha eleitoral em 2022 com o objetivo de repassar informações estratégicas.
Agente da PF declarou ser fã de Moraes em interrogatório
Em interrogatório realizado em julho deste ano, Wladimir Soares afirmou ser fã do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo relatou na ocasião, o agente da PF teria atuado na segurança de Moraes durante as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. À época, magistrado do Supremo chefiava o Ministério da Justiça do governo Michel Temer (MDB).
“Eu era muito fã dele, porque quando me formei em Direito eu estudei pelo livro dele. Eu fiz a segurança dele”, contou Wladimir Soares.
(Publicado por Lucas Schroeder, da CNN Brasil, em São Paulo)

