Perícia encontrou sêmen de outros homens no alojamento onde o estupro foi denunciado; subtenente Luciano Valério vai responder também por prevaricação Pernambuco, -agencia-cnn-, Estupro, violência contra mulheres, Violência Sexual CNN Brasil
O subtenente Luciano Valério de Moura foi denunciado pelo MPPE (Ministério Público de Pernambuco) pelos crimes de estupro e prevaricação, após ser considerado suspeito de violentar uma mulher de 48 anos dentro de um posto do BPRv (Batalhão de Polícia Rodoviária), no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife (PE), no início de outubro.
A denúncia, apresentada pela Central de Inquéritos da Capital, na última quarta-feira (12), faz com que o policial passe a responder formalmente às acusações.
Nesta segunda-feira (17), a advogada Maju Leonel, que representa a vítima, informou à CNN Brasil que exames periciais identificaram sêmen de outros homens em mais de um local dentro do dormitório do posto policial. O material genético encontrado não é compatível com o do subtenente, que está preso preventivamente desde o dia 15 de outubro.
Para a advogada, os resultados reforçam a necessidade de aprofundar as investigações.
“Quando soubemos que havia sêmen em outros três colchões dentro do BPRv, ficamos muito assustados. Não esperávamos que fosse necessariamente do acusado, porque a vítima relatou que foi violentada em pé, fora da cama, e que ele ejaculou dentro da boca dela. (…) Ainda assim, isso acende um alerta, porque indica que condutas inapropriadas estavam ocorrendo no alojamento, mesmo que não sejam necessariamente crimes”, explicou Maju Leonel.
Segundo a denúncia do MPPE, o crime teria ocorrido depois que a vítima foi parada em uma blitz na PE-60, no dia 10 de outubro. De acordo com o relato prestado à PCPE (Polícia Civil do Pernambuco), ela viajava com uma amiga e duas adolescentes, de 14 e 16 anos, quando foi conduzida ao posto pelo subtenente sob o pretexto de buscar água. No dormitório do alojamento, que não possui câmeras de segurança, o estupro teria sido cometido.
A vítima registrou a denúncia no dia 11 de outubro, na 14ª Delegacia da Mulher, onde também reconheceu o suspeito por fotografia. Desde então, o caso passou a ser investigado simultaneamente pela Delegacia da Mulher e pela Corregedoria da SDS (Secretaria de Defesa Social), que instaurou procedimento preliminar para apurar a conduta do militar.
O subtenente foi preso no dia 14 de outubro por ordem da Justiça Militar, após representação da DPJM (Diretoria de Polícia Judiciária Militar). Ele cumpre prisão preventiva no Creed (Centro de Reeducação da Polícia Militar), em Abreu e Lima, e foi afastado, desde outubro, das funções por 120 dias, prazo que pode ser prorrogado. Além dele, a Corregedoria instaurou um conselho de disciplina para investigar outros dois policiais que estavam de plantão na noite do crime.
À época, a governadora Raquel Lyra (PSD) e a vice-governadora Priscila Krause afirmaram, nas redes sociais, acompanhar o caso e reforçaram que o Estado não tolera violência contra mulheres.
Mulher denuncia estupro cometido por PM dentro de posto em Pernambuco
Relembre o caso
Segundo depoimento da vítima, na noite de sexta-feira, 10 de outubro, ela dirigia em direção à Praia de Gaibu, no litoral sul, quando foi parada em uma barreira policial no Cabo. Três agentes do BPRv realizavam abordagens no local.
Durante a fiscalização, um dos policiais informou que havia uma dívida no licenciamento do veículo e que o carro seria recolhido. A mulher desceu do automóvel, entregou os documentos e tentou resolver a situação por telefone com o antigo proprietário do veículo. Em seguida, foi conduzida pelo policial para dentro do posto, sob o pretexto de “beber água”.
À polícia, a mulher contou que foi levada para um quarto com beliches, quando o agente apagou a luz e cometeu o abuso sexual. Apesar de ter resistido, a mulher afirmou ter sido forçada a praticar sexo oral, e que o agressor a obrigou a beber água para limpar os resíduos após o ato. A mulher deixou o local em choque e procurou abrigo na casa de uma parente.
Ainda durante o fim de semana, no sábado (11), ela foi até a Delegacia da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, onde prestou depoimento e registrou o caso. Na unidade policial, a mulher reconheceu o policial suspeito por meio de uma fotografia.
À CNN Brasil, a PMPE (Polícia Militar de Pernambuco) informou que instaurou um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar o caso e confirmou o afastamento do policial suspeito, além de toda a equipe que estava de serviço na ocasião.
A SDS também se manifestou e destacou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, e garantiu que o caso é tratado com total seriedade.
O subtenente nega as acusações. A defesa do acusado ainda não foi localizada. O espaço continua aberto para posicionamento.

