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Mpox: o que é mito e o que é verdade segundo especialistas 

Última atualização: 14 de janeiro de 2026 12:06
Published 14 de janeiro de 2026
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Conheça principais sintomas, formas de transmissão, riscos para a saúde e maneiras de prevenir o contágio  Saúde, Infecção, Mpox CNN Brasil

Contents
Leia MaisAumento da sífilis no Brasil: saiba como reconhecer a infecçãoParasita pode causar cegueira após uso de lente de contato; veja prevençãoHerpes genital: 1 em cada 5 adultos no mundo tem infecção, diz OMSÉ mito que a mpox seja transmitida da mesma forma que a Covid-19É mito que a mpox afeta apenas homens gays e bissexuaisÉ mito que macacos transmitem a doença no surto atualÉ mito que todas as pessoas devem ser vacinadas contra a mpox neste momentoÉ verdade que o vírus se espalha por múltiplos países pela primeira vezÉ verdade que a maior parte dos sintomas tende a desaparecer espontaneamenteÉ mito que a mpox apresenta baixa letalidadeÉ verdade que as lesões podem se espalhar em diversas partes do corpoÉ verdade que a vacina contra a varíola comum oferece proteção contra a mpox

A mpox é uma doença infecciosa zoonótica causada por um vírus que afeta seres humanos e outros mamíferos. Ela foi descoberta em um macaco em 1958, o que levou à origem do nome (já em desuso) da enfermedida: varíola dos macacos.

A primeira infecção em um ser humano foi descoberta em 1970 em uma criança na República Democrática do Congo, na África. O vírus mpox causa uma doença com sintomas semelhantes à varíola, mas menos graves. A varíola foi erradicada em 1980, mas a mpox infecta pessoas em todos os continentes até hoje.

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Confira abaixo o que é mito e o que é verdade em relação à enfermidade segundo especialistas.

É mito que a mpox seja transmitida da mesma forma que a Covid-19

A principal forma de transmissão da mpox é por meio do contato próximo com lesões na pele, secreções respiratórias ou por objetos pessoais contaminados, como roupas de cama e de banho.

No caso da Covid-19, a transmissão acontece de maneira mais fácil. As evidências atuais sugerem que o Sars-CoV-2, da mesma forma que outros vírus respiratórios, é transmitido principalmente por três modos: contato, gotículas ou por aerossol.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a transmissão da mpox requer contato pessoal prolongado, o que coloca em maior risco os profissionais de saúde, membros da família e outros contatos próximos de pessoas infectadas.

A transmissão da mpox também pode ocorrer de forma vertical, por meio da placenta da mãe para o feto ou durante o contato próximo no momento e após o nascimento.

É mito que a mpox afeta apenas homens gays e bissexuais

O vírus da mpox pode afetar qualquer pessoa, de qualquer gênero e orientação sexual, independentemente das práticas e dos hábitos sexuais.

Durante o surto que houve no Brasil em 2022, a OMS afirmava que a maioria dos casos notificados naquele momento em todo o mundo foram identificados por meio de serviços de saúde sexual ou de unidades de saúde primária ou secundária, envolvendo principalmente, mas não exclusivamente, homens que fazem sexo com homens.

A terminologia “homens que fazem sexo com homens” (HSH) é uma classificação técnica adotada na área da saúde que inclui homossexuais, bissexuais e homens que não se identificam essas orientações, mas se relacionam sexualmente com outros homens.

Entre as hipóteses discutidas pela comunidade científica para explicar a prevalência daquele surto em HSH foi aventada a possibilidade de o vírus ter entrado em circulação em redes sexuais interconectadas.

É mito que macacos transmitem a doença no surto atual

A mpox é uma doença viral transmitida aos seres humanos a partir de animais, considerada uma zoonose.

O nome antigo da doença teve origem na descoberta inicial do vírus em macacos em um laboratório dinamarquês em 1958. Apesar disso, os macacos não estão associados aos casos mais recentes da doença.

É mito que todas as pessoas devem ser vacinadas contra a mpox neste momento

A OMS recomenda a vacinação contra a mpox para grupos prioritários, incluindo profissionais de saúde em risco, equipes de laboratório que atuam com ortopoxvírus, especialistas em análises clínicas que realizam diagnóstico para a doença, pessoas que tiveram contato com casos confirmados ou suspeitos, além daquelas com múltiplos parceiros sexuais.

As recomendações foram publicadas em um guia de 2022 a partir da consultoria do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos (Sage, na sigla em inglês). A OMS aprovou a vacina contra mpox da Bavarian Nordic (BAVA.CO) para adolescentes de 12 a 17 anos, um grupo etário considerado especialmente vulnerável a surtos da doença.

O imunizante é administrado dentro de 4 dias do contato com alguém infectado ou em até 14 dias, se não houver sintomas.

É verdade que o vírus se espalha por múltiplos países pela primeira vez

Desde o início de maio de 2022, casos de mpox foram relatados em países onde a doença não é endêmica, incluindo o Brasil.

A maioria dos casos confirmados com histórico de viagens relatou passagem por países da Europa e América do Norte naquele ano. Foi a primeira vez que muitos casos e aglomerados de mpox foram relatados simultaneamente em países não endêmicos e endêmicos em áreas geográficas muito díspares.

É verdade que a maior parte dos sintomas tende a desaparecer espontaneamente

Não existe um medicamento aprovado pela OMS especificamente para a mpox. O tratamento, então, consiste em um suporte clínico para aliviar sintomas, prevenir e tratar complicações e evitar sequelas.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde os sintomas dos casos leves e moderados da doença costumam desaparecer espontaneamente, sem necessidade de tratamento.

As erupções cutâneas causadas pela mpox devem, segundo a agência de saúde, secar naturalmente ou com um curativo úmido as protegendo. Além disso, produtos como enxaguantes bucais e colírios que contenham cortisona devem ser evitados pelos infectados.

É mito que a mpox apresenta baixa letalidade

A letalidade da mpox varia de acordo com a variante do vírus. O clado 1 é considerado mais transmissível e grave do que o clado 2, responsável pelo surto em 2022. Além disso, em setembro de 2023, foi identificada uma subvariante na República Democrática do Congo, a clado 1B, que é ainda mais transmissível e mais agressiva

De acordo com Matthew Binnicker, diretor do Laboratório de Virologia Clínica da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota, nos Estados Unidos, em surtos anteriores de mpox relacionados ao clado 1, as taxas de mortalidade chegaram a 10%.

Com base nesses dados, estima-se que a taxa de letalidade do clado 1B varie entre 3% e 10% novamente, dependendo do surto. Para se ter uma ideia, o clado 2, responsável pelo surto em 2022 — em que houve um menor registro de óbitos por mpox — a taxa de letalidade variava de 0,1% a 0,5%.

É verdade que as lesões podem se espalhar em diversas partes do corpo

O período de incubação do vírus é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias. Os sinais e sintomas da doença podem durar entre duas e quatro semanas.

A doença começa, na maior parte dos casos, com uma febre súbita, forte e intensa. O paciente também pode ter dor de cabeça, náusea, exaustão, cansaço e o aparecimento de gânglios (inchaços popularmente conhecidos como “ínguas”), que podem acontecer tanto na região do pescoço, na região axilar, como na região genital.

A manifestação de lesões na pele acontece na forma de bolhas que podem aparacer em diversas partes do corpo, como rosto, mãos, pés, olhos, boca ou genitais.

É verdade que a vacina contra a varíola comum oferece proteção contra a mpox

A vacinação contra a varíola comum é cerca de 85% eficaz na prevenção da mpox, o que indica que a imunização prévia pode resultar em doença mais leve, segundo estudos observacionais feitos na época do surto de 2022.

*Matéria publicada originalmente em 27/07/2022 e atualizada por Gabriela Maraccini em 14/01/2024

Mpox: como identificar se uma lesão de pele pode indicar a doença

 

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