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O que esperamos e o que recebemos da democracia?

Última atualização: 18 de julho de 2025 05:00
Published 18 de julho de 2025
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Pesquisa realizada pelo INCT-ReDem em fevereiro de 2025 revela um déficit significativo entre o ideal democrático e a percepção que os indivíduos têm do funcionamento das instituições no país. O dado decorre de uma bateria de 13 questões que investigam, por um lado, quais características são consideradas importantes para a democracia e, por outro, como os entrevistados avaliam a efetividade dessas características na prática (ver gráfico abaixo).

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Em uma escala de 0 a 10, a diferença entre a nota ideal e a avaliação da realidade chega a 5 pontos em alguns itens. Essa tendência pode revelar mais do que uma insatisfação pontual, mas uma lacuna estrutural entre o que a democracia promete e o que ela entrega.

As questões que mais se destacam dizem respeito à justiça social e a capacidade de resposta das instituições. Essas demandas refletem, possivelmente, a conjuntura recente do país, marcada por escândalos de corrupção, judicialização da política, crise sanitária e deterioração das condições de vida, especialmente devido ao aumento dos preços de habitação e alimentação.

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O mesmo padrão se observa em relação à prestação de contas e à responsabilização eleitoral. É importante lembrar que, ao longo da década de 2010, o Brasil vivenciou intensas manifestações de rua, ora em defesa de direitos sociais, como transporte, saúde e segurança, ora em protesto contra a falta de transparência dos representantes políticos.

A mais recente disputa presidencial intensificou ainda mais o tema da desconfiança, agora voltado a um dos pilares fundamentais da democracia: a legitimidade dos resultados eleitorais. Em 2022, logo após o segundo turno, apoiadores do candidato derrotado passaram a acampar em frente a quartéis, pedindo intervenção militar. O dia 8 de janeiro de 2023 tornou-se um marco político, quando centenas de manifestantes invadiram a Praça dos Três Poderes e depredaram o patrimônio público.

Entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, outros episódios relacionados a esse movimento antidemocrático vieram à tona, incluindo a articulação de uma tentativa de golpe militar, com a participação de oficiais de alta patente das Forças Armadas e de políticos que lançaram dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral.

Um estudo de 2021, conduzido por Christopher Claassen, da Universidade de Glasgow (Reino Unido), e Pedro Magalhães, da Universidade de Lisboa (Portugal), argumenta que há um consenso sobre a relação entre o mau desempenho governamental e a erosão democrática. Os autores avançam a discussão ao afirmar que, embora o apoio aos ideais democráticos permaneça relativamente estável, a insatisfação com o funcionamento do regime pode, a médio e longo prazo, enfraquecer esse apoio.

Segundo o mesmo estudo, a frustração causada pelo descompasso entre o ideal democrático e a realidade concreta leva parte do eleitorado a buscar “soluções fortes”, mesmo que envolvam alternativas autoritárias. Essa análise lança um alerta preocupante sobre o futuro da democracia no Brasil, especialmente diante da crescente insatisfação com temas ligados à justiça social e à governança.

Em particular, observa-se um movimento nessa direção a partir de 2018, com a eleição de Jair Bolsonaro. Durante seu mandato, Bolsonaro deslegitimou instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e a imprensa, apresentando-as como entraves à “vontade do povo”. Paralelamente, privilegiou uma comunicação direta com sua base por meio das redes sociais, contornando os canais institucionais tradicionais.

O conceito de “populismo delegativo”, utilizado pelo professor e pesquisador Adam Przeworski, da Universidade de Nova York, em um ensaio de 2024, mostra-se útil para compreender esse período. Trata-se de uma forma de governo que não rompe com a democracia de maneira abrupta, mas a esvazia gradualmente por dentro. Esse episódio recente da política brasileira exemplifica como a insatisfação com o funcionamento do regime pode abrir caminho para soluções autoritárias, ainda que legitimadas pelo processo eleitoral.

Apesar das notas baixas dadas pelos brasileiros em alguns dos temas pesquisados pelo INCT-ReDem, a pesquisa também identifica áreas em que a democracia ainda é valorizada positivamente. Liberdade de imprensa, liberdade de oposição e pluralismo partidário são os aspectos mais bem avaliados quando comparados ao ideal democrático.

A mídia formal consolidou-se como uma instituição relevante diante da proliferação de fake news e deep fakes, especialmente durante o período eleitoral. Por sua vez, a tolerância em relação à circulação de ideias divergentes revela uma percepção mais pluralista dos debates que mobilizam a opinião pública. Esses resultados indicam que, embora haja baixa avaliação em temas ligados à justiça social e à governança, persiste uma valorização dos direitos políticos e da diversidade de vozes no espaço público.

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A distância entre o ideal democrático e a realidade percebida pelos brasileiros não é apenas um dado estatístico. Trata-se da expressão de um mal-estar cívico, que se acumula diante da incapacidade das instituições em responder às promessas fundamentais da democracia.

Como alerta Przeworski, defender a democracia vai além da preservação formal das instituições. Exige reformas capazes de enfrentar desigualdades estruturais, aprimorar a eficiência do Estado, ampliar a participação cidadã e tornar o sistema político mais responsivo às demandas da população. Nesse sentido, o futuro da democracia no Brasil dependerá não apenas da rejeição a projetos autoritários, mas da reconstrução de sua credibilidade social e institucional.

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