Esquema operava com clínicas de fachada, contratos superfaturados e plantões fictícios, desviando recursos de municípios da Bahia e do Piauí Nordeste, -agencia-cnn-, Bahia, Corrupção, Desvio de dinheiro, Operação, Piauí CNN Brasil
Uma rede milionária de corrupção na Saúde Pública foi revelada na Bahia e no Piauí, durante a segunda fase da Operação USG. As polícias civis dos dois estados cumpriram mandados judiciais, que resultaram na prisão de nove suspeitos, entre eles um vereador, dois ex-secretários de Saúde e outros investigados ligados ao esquema, como médicos e empresários do setor. As equipes da Polícia Civil cumprem mandados em Formosa do Rio Preto, na Bahia, e nas cidades de Corrente e Bom Jesus, no Piauí. suspeitos de desviar mais de R$ 12 milhões dos cofres público.
Segundo as investigações, o grupo utilizava contratos superfaturados, clínicas de fachada e atendimentos fictícios para justificar pagamentos por serviços médicos que nunca foram realizados. A operação envolveu cerca de 80 policiais e incluiu o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados. Os trabalhos continuam em andamento, com policiais ainda realizando buscas em endereços ligados ao grupo. Veículos, bens patrimoniais, documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos ao longo do dia estão sendo contabilizados pelas equipes, que seguem no levantamento do material.
De acordo com a PCBA (Polícia Civil da Bahia), o grupo utilizava clínicas de fachada e contratos superfaturados para justificar pagamentos indevidos. Entre as irregularidades identificadas estão:
- Lançamentos de exames que não condizem com a realidade dos municípios;
- Plantões médicos fictícios e listas de pacientes com dados inconsistentes;
- Emissão de notas fiscais para mascarar atendimentos inexistentes.
As práticas permitiam que os investigados desviassem recursos públicos sem chamar atenção dos órgãos de controle, aponta a polícia.
Segundo a PCBA, a segunda fase da Operação USG se baseia na análise de documentos e mídias apreendidos na primeira etapa, realizada em dezembro de 2024. Na ocasião, a polícia identificou indícios suficientes para aprofundar a investigação e incluir novos suspeitos. O mecanismo de fraude incluía a emissão de exames, plantões e atendimentos fictícios, além de lançamentos totalmente incompatíveis com a dinâmica assistencial do município. Uma das irregularidades identificadas foi a quantidade de ultrassonografias, considerada nove vezes superior à média regional. Também foram constatados exames superfaturados, valores de medicamentos acima do teto da Anvisa, duplicidade de lançamentos e notas fiscais utilizadas para mascarar serviços inexistentes.
As medidas adotadas nesta terça-feira (18) envolveram o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados, além de diligências em residências de médicos, ex-secretários municipais de saúde, agentes políticos e em três clínicas usadas na estrutura operacional do grupo.
Cerca de 80 policiais atuam na operação, coordenada pelo Draco-LD (Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro), pela DECCOR (Delegacia Estadual de Combate à Corrupção), pela 11ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Barreiras/BA) e por equipes da PCPI (Polícia Civil do Piauí).

