Fernando Brancoli, no CNN Novo Dia, analisa relação entre os dois presidentes, destacando divergências sobre territórios e garantias de segurança em acordo com Ucrânia Internacional, -transcricao-de-videos-, Donald Trump, Estados Unidos, Guerras e conflitos, Rússia, Ucrânia, Vladimir Putin CNN Brasil
Uma reunião trilateral entre autoridades dos Estados Unidos, Ucrânia e Rússia será realizada nos Emirados Árabes Unidos a partir desta sexta-feira (23). O encontro ocorre em um momento de impasses significativos nas negociações para encerrar o conflito na região.
Em entrevista ao CNN Novo Dia, Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), afirma que o principal obstáculo nas negociações continua sendo a questão territorial. “É algo que vem travando as negociações há pelo menos seis meses”, explicou.
Brancoli detalhou que “a Rússia argumenta que não vai devolver uma série de espaços, de territórios, de cidades que ela vem ocupando ao longo do tempo”, enquanto a Ucrânia tradicionalmente insistia que qualquer acordo dependeria da retirada das forças russas dessas áreas.
“No entanto, desde ontem a gente começa a receber sinais de que a Ucrânia talvez aceite um tipo de acordo que garanta a permanência de russos nesses territórios que ela considera ucraniano desde que tenha a garantia de segurança dos Estados Unidos para o futuro”, afirmou o professor.
Incertezas sobre garantias de segurança
Essa possível mudança de postura da Ucrânia traz novos desafios para as negociações. Brancoli aponta que não há clareza sobre como funcionariam essas garantias de segurança americanas.
O especialista questiona se os Estados Unidos enviariam tropas para a Ucrânia, o que considera “bastante improvável”, ou se assinariam um acordo prometendo proteger o país em caso de futuros ataques, opção sobre a qual também há dúvidas quanto à efetiva aplicação.
Brancoli também comentou sobre as declarações de Donald Trump, que anteriormente afirmava ter uma “relação especial” com Vladimir Putin e prometia encerrar o conflito rapidamente. “Trump argumentava que acabaria a guerra em 24 horas, em três semanas, dependendo do dia que ele está falando”, lembrou.
No entanto, o professor destacou que essa suposta proximidade entre os líderes parece ter se deteriorado recentemente. “Ao longo também dos últimos meses Trump vem dando declarações de que essa relação com Putin deu uma azedada, de que ele tem sido contra a paz e coisas parecidas”, concluiu Brancoli, reforçando sua avaliação de que um acordo de paz duradouro “não parece próximo” no momento atual.

