Decisão foi tomada em assembleia após mediação do TRT-6; CBTU terá 30 dias para responder a plano emergencial apresentado pelo sindicato Pernambuco, -agencia-cnn-, Greve, Metrô, Metroviários, Recife CNN Brasil
A greve dos metroviários do Recife (PE) foi suspensa, nesta quarta-feira (5), após três dias de paralisação que afetou cerca de 170 mil passageiros diários.
A decisão foi tomada em assembleia realizada pelo Sindmetro-PE (Sindicato dos Metroviários de Pernambuco) em frente ao monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora, área central da capital.
Com o fim temporário da mobilização, todas as 37 estações do sistema metroviário foram reabertas nesta quinta-feira (6), retomando a operação normal dos trens.
A assembleia ocorreu um dia após uma audiência de mediação entre o sindicato e a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), promovida pelo TRT-6 (Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região). Na reunião, o tribunal recomendou que a greve fosse suspensa por 30 dias, período em que a CBTU deverá apresentar uma resposta ao Plano Emergencial de Recuperação do Metrô do Recife, elaborado e protocolado pelo Sindmetro-PE.
À CNN, a CBTU informou que vai analisar o documento e possíveis encaminhamentos. Até lá, os metroviários permanecem em estado de greve.
Suspensão é temporária
Segundo o presidente do Sindmetro-PE e da Fenametro (Federação Nacional dos Metroferroviários), Luiz Soares, a decisão não representa o fim do movimento, mas uma suspensão temporária.
“A gente não vai encerrar o nosso movimento, apenas suspender. Vamos manter o estado de greve e aguardar o prazo de 30 dias determinado pelo TRT-6. Nesse período, cabe à CBTU apresentar sua resposta ao tribunal, que deverá ser discutida em nova rodada de mediação”, afirmou Soares.
Durante a mobilização desta quarta-feira, cerca de 500 metroviários participaram de uma caminhada que saiu da Estação Central do Recife, no bairro de São José, e seguiu até a Rua da Aurora, onde a assembleia foi realizada.
Plano emergencial
O sindicato alerta para o risco de colapso total do sistema metroviário, caso não sejam feitos investimentos urgentes em infraestrutura e manutenção.
Segundo o Sindmetro-PE, o Plano Emergencial de Recuperação do Metrô prevê dez ações prioritárias, incluindo a recuperação das subestações de energia, substituição de cabos e dormentes, reforço da manutenção preventiva e compra de peças e equipamentos essenciais.
Entre os principais pontos do plano, estão:
- Recuperação das subestações de energia, garantindo alimentação estável às composições;
- Modernização da rede aérea e dos dormentes, para evitar falhas e descarrilamentos;
- Aquisição de peças e locomotivas de serviço para manutenção rápida e segura;
- Requalificação de pátios e oficinas, com instalação de ferramentas e diagnóstico modernos;
- Criação de um comitê de gestão emergencial, com participação de técnicos, governo e sindicato, para acompanhar os investimentos e garantir transparência.
Privatização
Embora a luta contra a privatização do sistema continue entre as bandeiras da categoria, o sindicato afirma que o foco imediato é a recuperação do metrô.
“Não deixamos de lado a luta contra a privatização, mas o sistema está agonizando, queremos recursos imediatos. Esticar o prazo por mais 30 dias também impede qualquer discussão sobre privatização nesse período”, afirmou Luiz Soares.

