Estudo publicado na revista Nature levanta novas questões sobre como a visão evoluiu ao longo de centenas de milhões de anos Ciência, -agencia-cnn-, Animais, Evolução, Nature, Natureza, Peixes, Pesquisa científica CNN Brasil
Um peixe que viveu há cerca de 518 milhões de anos pode mudar o que a ciência sabe sobre a origem da visão nos vertebrados. Fósseis analisados por pesquisadores indicam que esse animal — do grupo Myllokunmingia — possuía quatro olhos funcionais, e não apenas dois, como se acreditava até agora.
O estudo, publicado na revista Nature no dia 21 de janeiro, analisou restos bem preservados encontrados na China e identificou dois olhos laterais, semelhantes aos dos peixes atuais, e outros dois órgãos visuais posicionados no topo da cabeça.
Essas estruturas eram ligadas ao chamado complexo pineal, região que hoje, em muitos vertebrados, está associada apenas à percepção de luz e regulação do ritmo biológico.
A surpresa veio quando os cientistas encontraram evidências de que esses órgãos extras também formavam imagens. Nos fósseis, foram identificados pigmentos, estruturas comparáveis à retina e possíveis lentes, sugerindo que o animal tinha uma visão mais sofisticada do que qualquer outro vertebrado conhecido desse período.
Segundo os pesquisadores, essa característica pode ter sido uma vantagem evolutiva importante em ambientes marinhos primitivos, permitindo detectar predadores e presas em diferentes direções e níveis de luminosidade.
GALERIA – Veja animais com características únicas na natureza
-
1 de 10Parente do demônio da Tasmânia, o quoll do norte é um pequeno marsupial carnívoro que é objeto de um mistério biológico. Os machos são tão loucos por sexo que morrem de exaustão depois de uma maratona de acasalamento • Pixabay
-
2 de 10Conhecido como “primo do canguru”, o vombate-de-nariz-pelado, ou vombate-comum, chama a atenção no mundo animal por um aspecto curioso: fezes em forma de cubos ou blocos • Jamie La/Moment RF/Getty Images/File via CNN Newsource
-
3 de 10Dasyurus viverrinus, marsupial que vive nas florestas da Tasmânia, consegue brilhar no escuro • Prêmio de Fotografia Científica Beaker Street/Ben Alldridge
-
-
4 de 10Muitas corujas-das-torres têm a parte inferior branca, uma característica que os pesquisadores sugerem que poderia permitir que as aves imitassem efetivamente a Lua, como uma forma de camuflagem antes de surpreender a presa • Juanjo Negro via CNN Newsource
-
5 de 10Colêmbolo globular, um tipo de inseto que consegue dar cambalhotas para trás no ar, girando mais de 60 vezes a altura do seu corpo em um piscar de olhos. Eles podem atingir uma taxa máxima de 368 rotações por segundo • Adrian Smith
-
6 de 10Pássaros canoros do gênero Junco-de-olhos-escuros mudaram o tamanho dos bicos durante o período da pandemia de Covid nos Estados Unidos por conta da mudança da oferta de alimento em um campus da Universidade da Califórnia • Sierra Glassman
-
-
7 de 10Ácaros (batizados de Araneothrombium brasiliensis) parasitam aranhas e formam um colar de larvas para sugar fluídos. Descoberta brasileira envolveu pesquisadores do Instituto Butantan • Ricardo Bassini-Silva /Instituto Butantan
-
8 de 10Veronika, uma vaca da raça Swiss Brown, vive em uma fazenda na pequena cidade austríaca de Nötsch im Gailtal. Ela surpreendeu cientistas ao demonstrar inteligência e usar ferramentas para se coçar • Antonio J. Osuna Mascaró
-
9 de 10Nas águas geladas da Baía de Bristol, no Alasca, um novo estudo revela como uma pequena população de baleias beluga sobrevive ao longo do tempo por meio de uma estratégia surpreendente: elas acasalam com múltiplos parceiros ao longo de vários anos • OCEONOGRAFIC DE VALENCIA HANDOUT / REUTERS
-
-
10 de 10Imagens feitas por pesquisador da UFSC mostram fungo parasita que controla aranhas na Amazônia e lembram o cordyceps de The Last of Us • Elisandro Ricardo Drechsler-Santos
Com o passar do tempo, esses olhos adicionais teriam perdido a função de formar imagens, dando origem às estruturas sensíveis à luz presentes nos vertebrados modernos.
Há a hipótese de que os primeiros vertebrados possuíam sistemas sensoriais mais complexos do que se imaginava.
O estudo levanta novas questões sobre como a visão evoluiu ao longo de centenas de milhões de anos.

