Programas econômicos, articulações políticas e reposicionamento de adversários fazem parte do plano para garantir um quarto mandato, afirmam especialistas da CNN Brasil Política, -transcricao-de-videos-, economia, Eleições 2026, Fernando Haddad, Governo Lula, politica CNN Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já se posicionou publicamente como candidato à reeleição em 2026, declaração que vem sendo trabalhada desde o início do atual mandato. Durante o programa especial “Perspectivas 2026” da CNN Brasil, as âncoras Tainá Falcão, Thais Herédia e Elisa Veeck analisaram como o atual governo já articula sua estratégia eleitoral para garantir um quarto mandato presidencial.
De acordo com Tainá Falcão, a reeleição de Lula está sendo construída desde o primeiro dia de seu terceiro mandato. “A reeleição dele está sendo trabalhada desde o dia em que ele chegou para cumprir esse terceiro mandato no Palácio do Planalto”, afirmou a jornalista. Os projetos econômicos aprovados recentemente, como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais, o consignado para CLT e o aumento da faixa do Minha Casa Minha Vida, são vistos como plataformas eleitorais voltadas especialmente para a classe média, eleitorado que estava distanciado de Lula.
Mudança de narrativa e estratégia de comunicação
Um ponto destacado durante o programa foi a recente mudança na estratégia de comunicação do governo. Segundo Tainá Falcão, o trabalho do marqueteiro Sidônio Palmeira e da Secretaria de Comunicação (SECOM) tem sido fundamental para reposicionar os adversários políticos do governo. “Ele faz um feito muito interessante, que é mudar o adversário político hoje do governo. Não são mais pobres contra ricos, o discurso é pobres contra privilegiados”, explicou. Essa narrativa projeta o Congresso Nacional como principal antagonista, caracterizando-o como “inimigo do povo” – estratégia que deve ser utilizada na campanha de 2026.
Thais Herédia destacou que, apesar da força política de Lula, é lamentável que o Partido dos Trabalhadores (PT), após 30 anos de relevância na política brasileira, chegue em 2026 com um candidato de 81 anos. “Isso fala muito sobre como a política brasileira se preparou nesses últimos anos, mas especialmente como Lula administrou o seu partido, administrou as suas alianças e quase que impediu, mesmo que indiretamente, que nascesse, se fortalecesse uma nova liderança do campo da esquerda”, avaliou.
O papel de Fernando Haddad
O atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi mencionado por Lula como possível candidato a algum cargo eletivo. Durante o debate, as analistas apontaram que, apesar de Haddad ter sido cogitado como potencial sucessor de Lula, sua posição como ministro da Fazenda dificulta uma candidatura presidencial. “É muito difícil você fazer um ministro da Fazenda virar presidente”, observou Herédia.
Segundo a analista, Haddad, que foi candidato à presidência em 2018 substituindo Lula (então preso), agora é projetado como possível candidato ao governo de São Paulo. “Ele projeta lideranças, mas mantém essas figuras como figuras secundárias à sua atuação”, comentou Herédia sobre como Lula administra potenciais sucessores.
Com a aproximação de 2026, a percepção das analistas é que Lula está desenhando o último capítulo de sua atuação política no Brasil, buscando consolidar seu legado com uma característica de estadista. As vitórias econômicas e internacionais, como a negociação bem-sucedida durante a questão do tarifaço com os Estados Unidos, serão utilizadas como plataforma para a campanha de reeleição.

