Analista Lourival Sant’anna avalia que problemas estruturais não resolvidos alimentam ciclo de mudanças políticas na região, enquanto países se dividem entre alianças com EUA e discursos ideológicos Internacional, -transcricao-de-videos-, América Latina, Eleições americanas, Estados Unidos, geopolítica, Javier Milei CNN Brasil
A alternância entre governos de direita e esquerda na América Latina e as relações e tensões dos países com os Estados Unidos ao longo do ano preparam o cenário para 2026. O analista Lourival Sant’anna avalia, no “Perspectivas 2026” da CNN Brasil, que há a construção de percepções desconectadas da realidade no cenário geopolítico.
Durante o debate, foi discutida a relação entre o ex-presidente americano Donald Trump e o Brasil, após um encontro considerado positivo com o presidente brasileiro na Assembleia Geral da ONU. Apesar desse episódio, foi destacado que Trump cultiva maior proximidade com líderes latino-americanos alinhados às suas ideias sobre imigração e outros temas.
Dois exemplos são a eleição de José Antonio Kast no Chile e a postura do presidente argentino Javier Milei, que chegou a publicar um mapa dividindo a América entre áreas prósperas e empobrecidas, sugerindo uma separação ideológica no continente.
Alternância política constante
Lourival Sant’anna analisou que a América do Sul vive uma constante alternância entre governos de direita e esquerda, fenômeno observado em países como Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Bolívia e Colômbia. “Se houvesse uma corrente política que trouxesse a solução esperada pela população, não haveria essa alternância”, afirmou o analista.
Para o analista da CNN, essa oscilação ocorre porque os problemas estruturais da América Latina não têm sido resolvidos, independentemente da orientação ideológica dos governos. Segundo ele, a região está imersa em um “mundo de propaganda e demagogia” que distancia os países das soluções reais.
O analista criticou ainda o que chamou de construção de percepções desconectadas da realidade, contestando narrativas que tentam dividir o continente entre modelos de sucesso e fracasso baseados apenas em posições ideológicas.
O debate destacou como tanto políticos quanto eleitores acabam “inebriados pelas palavras, pela poesia”, deixando de endereçar os problemas reais que afetam as sociedades latino-americanas, perpetuando um ciclo de expectativas e frustrações que alimenta a constante mudança de orientação política na região.

