Redução na projeção de dividendos desanimam investidores Mercado, CNN Brasil Money, Petrobras, Petróleo CNN Brasil
As ações da Petrobras fecharam em queda nesta sexta-feira (28) após a empresa divulgar seu plano de investimentos para 2026 a 2030 na véspera.
Em fato relevante, a estatal destacou a necessidade de manter sustentabilidade e eficiência operacional frente a preços mais baixos do petróleo.
Apesar da redução já ser esperada pelos investidores, tendo em vista a baixa nos preços do petróleo praticados no mercado, as ações da estatal foram penalizadas no pregão de hoje.
As ações preferenciais (PETR4) caíram 1,88% a R$ 31,79, enquanto as ordinárias (PETR3) cederam 2,45%, cotadas a R$ 33,38 no Ibovespa.
Menos dividendos
A Petrobras espera um preço do petróleo de US$ 63 por barril para o ano que vem, e, de 2027 a 2030, projeta um petróleo a US$ 70 por barril.
Além disso, a estatal manteve o limite de dívida bruta em US$ 75 bilhões, mas prevê dividendos entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões entre 2026 e 2030. Um patamar inferior ao plano anterior, que previa até US$ 55 bilhões.
A faixa menor de pagamento de dividendos não agradou os investidores e fizeram as ações da Petrobras serem negociada em queda durante todo o pregão.
“O plano de investimentos indica menos visibilidade de um retorno robusto de dividendos no longo prazo e a expectativa de menor rentabilidade em um cenário de petróleo mais barato leva ao risco de valorização limitada da ação por causa de um ambiente mais adverso de commodities”, avalia Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos.
Gabriel Mota de Souza, sócio da Manchester Investimentos, também lembra que, além dos dividendos ordinários decepcionarem, não houve anúncio sobre dividendos extraordinários, deixando os investidores ainda mais contrariados.
“Não veio nada sobre dividendo extraordinário e pelo que tudo indica não vai vir mesmo”, pontua.
Lage reforça que neste momento a empresa opta por preservar caixa e reduzir risco e, embora seja prudente, a conduta pode desapontar os investidores que esperavam uma retomada de crescimento mais agressivo.
“Para investidores focados em dividendos e renda recorrente, a diminuição de proventos é considerada negativa, então acaba tendo um fluxo maior de venda. Para quem acredita em uma retomada global de preço de petróleo, pode representar uma janela de entrada com desconto, mas com isso elevado de volatilidade no período”.
O que diz o mercado
O Plano de investimentos a Petrobras está em linha ao que o mercado esperava.
O Itaú BBA avaliou que o plano estratégico da Petrobras combina fundamentos robustos no longo, mas acaba limitando a “margem de manobra” da companhia no curto prazo.
Na visão dos analistas, o foco mantido em projetos de exploração e produção, e a redução da projeção nos gastos com leasing, são fatores favoráveis à criação de valor no horizonte de cinco anos.
Ainda assim, o Itaú BBA ressalta que a estratégia deixa a estatal exposta a pressões de mercado caso a cotação de petróleo recue.
A distribuição anual de investimentos mostra ritmo semelhante entre 2026 e 2028, com queda acentuada após 2029 segundo o banco, isso pode frustrar investidores que aguardavam, ao menos, um alívio já em 2026.
A Petrobras elevou a meta de produção em 100 a 200 mil barris por dia para os próximos anos. A instituição considera a projeção conservadora, dado o desempenho recente da companhia.
O Itaú BBA tem recomendação outperform, o equivalente à compra, para as ações preferenciais da Petrobras. O preço-alvo é de R$ 43, o que implica em uma valorização potencial de 33,2% ante o fechamento de quinta-feira (27).
O Citi destacou que a distribuição de dividendos ficou em linha com a projeção, mas não animou os investidores. O banco enfatizou que apesar da redução nos investimentos no plano, essa queda ficou abaixo do previsto e do consenso de mercado.
Além disso, a Petrobras está considerando uma previsão de preço do brent acima da projeção do Citi para 2026, reforçando a possibilidade da empresa continuar elevando alavancagem no próximo ano, de acordo com a instituição.
O Citi manteve uma posição neutra em relação à tese da estatal, uma vez que não prevê o pagamento de dividendos atrativos com uma trajetória de geração de caixa robusta.
O banco tem preço-alvo para os ADRs da Petrobras, negociados na bolsa de Nova York, em US$ 12,50, o que representa uma leve queda de 1% em relação ao fechamento de quinta-feira.

