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“Prefiro prisão a matar crianças”, diz jovem israelense que recusa Exército 

Última atualização: 24 de março de 2025 10:33
Published 24 de março de 2025
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Serviço é obrigatório para a maioria dos judeus de Israel com mais de 18 anos
Este conteúdo foi originalmente publicado em “Prefiro prisão a matar crianças”, diz jovem israelense que recusa Exército no site CNN Brasil.  Internacional, Conflito Oriente Médio, Forças de Defesa de Israel, Gaza, Israel, Palestina CNN Brasil

Contents
Mais de 50 mil morreram em Gaza desde o início da guerra, diz HamasApós ameaça de anexação, palestinos denunciam “punição coletiva”Reino Unido, França e Alemanha pedem cessar-fogo e ajuda humanitária a GazaA presença do Exército israelense na sociedadeNúmeros ainda são extremamente pequenosRaiva contra Netanyahu

O jovem Itamar Greenberg, de 18 anos, entrou e saiu da prisão no último ano, cumprindo um total de 197 dias em cinco sentenças consecutivas, em uma prisão militar no centro de Israel, por se recusar a alistar-se no serviço militar, após ser convocado.

O serviço é obrigatório para a maioria dos judeus israelenses — e algumas minorias — com mais de 18 anos.

Segundo ele, a recusa em servir veio como o “culminância de um longo processo de aprendizado e avaliação moral”.

Greenberg é chamado de refusenik — como os objetores de consciência são chamados em Israel. No início deste mês, ele foi libertado da prisão de Neve Tzedek pela última vez.

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“Quanto mais eu aprendia, mais eu sabia que não poderia usar um uniforme que simbolizasse matança e opressão”, disse Greenberg, explicando que a guerra de Israel em Gaza — lançada após militantes liderados pelo Hamas atacarem o sul de Israel em 7 de outubro de 2023 — solidificou sua decisão de recusar.

“É genocídio”, expressou. “Então não precisamos de boas razões (para recusar)”.

O governo israelense negou veementemente as acusações de que a guerra em Gaza equivale a genocídio contra o povo palestino.

A guerra, reiniciada na semana passada quando Israel retomou os ataques aéreos e as operações terrestres em Gaza após um breve cessar-fogo, já matou mais de 50 mil palestinos em 17 meses, segundo o Ministério da Saúde do território.

Mais de 670 pessoas foram mortas e outras 1.200 ficaram feridas em Gaza somente desde terça-feira (18), quando a campanha militar de Israel foi reiniciada, conforme as autoridades de saúde locais.

“Eu quero essa mudança e darei minha vida por ela”, exclamou Greenberg sobre a decisão de cumprir pena na prisão em vez de servir nas Forças de Defesa de Israel (IDF).

Detectar, interceptar: entenda como funciona o Domo de Ferro de Israel

A presença do Exército israelense na sociedade

Em Israel, o exército é mais do que somente uma instituição.

É parte do tecido social, com o serviço militar e a identidade secular judaica-israelense profundamente interligados.

E começa cedo: desde o ensino fundamental, os alunos aprendem que um dia serão os soldados que protegerão crianças como eles, com soldados visitando salas de aula e escolas incentivando explicitamente os alunos a se alistarem.

Aos 16 anos, essas crianças recebem as primeiras ordens, culminando com o recrutamento aos 18. Muitos veem isso como uma honra, um dever e um rito de passagem.

Greenberg foi chamado de judeu que odeia a si, antissemita, apoiador de terroristas e traidor, relatou ele — até mesmo por familiares e amigos.

Números ainda são extremamente pequenos

Somente uma dúzia de adolescentes israelenses se recusaram publicamente a se alistar por motivos de consciência desde o início da guerra, conforme a Mesarvot, uma organização que apoia objetores. Mas esse número é maior do que nos anos anteriores à guerra.

A Mesarvot disse à CNN que há muito mais “refuseniks cinzas”, ou seja, pessoas que alegam isenções de saúde mental ou geral para evitar o recrutamento e evitar a possibilidade de cumprir pena atrás das grades.

Devido à natureza dessas recusas, é impossível fornecer números exatos.

Yesh Gvul, outro grupo anti-guerra que apoia objetores de consciência, contou à CNN que, em média, a cada ano, 20% dos jovens obrigados a servir se recusam a fazê-lo, segundo números compartilhados pelo exército israelense. Esse número, explicou o grupo, inclui tanto os refuseniks quanto os “refuseniks cinzas”.

O Exército israelense não publica números sobre recusa de recrutamento. A CNN pediu esses dados e comentários.


Itamar Greenberg está sob uma pintura que diz “Salve Rafah” na sede da coalizão política de esquerda Hadash em 22 de março. • Kara Fox/CNN via CNN Newsource Dateline: Israel

Outros grupos têm sido muito mais vocais do que os refuseniks em se recusar a participar da tradição militar de Israel. Antes dos ataques de 7 de outubro, milhares de reservistas protestando contra o desejo do governo de enfraquecer o judiciário disseram que não compareceriam ao serviço.

E por meses, o país tem sido agitado pelo recrutamento de homens ultraortodoxos que se recusam a entrar no exército porque estão estudando em escolas religiosas.

As opiniões de Greenberg são extremas até mesmo para a esquerda israelense cada vez mais marginalizada.

Os protestos em massa que se tornaram comuns desde 7 de outubro não são tanto contra os militares ou a guerra em geral, mas a favor de um acordo de cessar-fogo para trazer de volta os reféns mantidos em Gaza.

Mas Greenberg e outros refuseniks esperam que o movimento possa criar espaço para um diálogo mais convencional sobre as armadilhas de uma sociedade militarizada.

“Se eu entrar para o exército, serei somente parte do problema. Eu pessoalmente prefiro ser parte da solução”, explicou o jovem, observando que ele pode não viver para ver isso.

No sábado (22), cerca de uma dúzia desses refuseniks se encontraram na sede da coalizão política de esquerda Hadash para se preparar para sua manifestação semanal no centro de Tel Aviv.

Várias organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, afirmam que o tratamento dado por Israel aos palestinos constitui apartheid. Israel denunciou essa caracterização como antissemita.


Um jovem de 16 anos, prestes a se tornar um refusnik, toca caixa ao lado de outros ativistas anti-guerra em Tel Aviv, em 22 de março. • Kara Fox/CNN via CNN Newsource

Raiva contra Netanyahu

A raiva contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu atingiu o auge esta semana entre dezenas de milhares de manifestantes que acreditam que ele está empregando meios cada vez mais antidemocráticos para permanecer no poder e que questionam o que ele espera alcançar com uma campanha militar renovada que quase um ano e meio de guerra implacável não conseguiu.

Muitos culpam Netanyahu por priorizar sua sobrevivência política em detrimento da segurança do país e dizem que a campanha militar renovada coloca em grande risco as vidas dos cerca de 24 reféns vivos ainda mantidos em Gaza pelo Hamas e seus aliados.

O sentimento marca uma reviravolta significativa no conflito, e uma que os refuseniks esperam que dê aos israelenses que estão considerando se recusar a servir em protesto contra a renovada campanha militar o poder de agir — independentemente da persuasão política.

“Quando Israel reiniciou a luta, muitas pessoas, não radicais ou de esquerda, mas pessoas que apoiam o cessar-fogo e os reféns agora podem dizer, nós recusaremos — mesmo que não se importem com os palestinos”, disse Greenberg.

Outro refusenik na manifestação, Iddo Elam, 18, que cumpriu pena na prisão por sua recusa, disse à CNN:

“Eu preferiria isso a matar crianças”.

Segundo a UNICEF, mais de 14.500 crianças foram mortas em Gaza desde o início da guerra.

Elam declarou esperar que seu protesto auxiliasse os companheiros israelenses a entender que “a dor dos palestinos é a mesma dos israelenses”.

Greenberg disse que escolheu tornar público porque “não queria mentir”.

Mas um jovem de 16 anos que pediu para não ser identificado disse à CNN que, embora saiba que recusará o recrutamento quando chegar a hora, ele continua decidindo como.

Embora o adolescente tenha obtido documentos de um psiquiatra que dizem que ele tem problemas mentais que não o permitirão servir, ele disse que seu motivo não é devido à sua saúde mental, mas à sua perspectiva política.

“Se estou falando sobre meus ‘problemas mentais’, então é como dizer ao exército: ‘Eu sou o problema, não você’”, ressaltou ele.

Este conteúdo foi originalmente publicado em “Prefiro prisão a matar crianças”, diz jovem israelense que recusa Exército no site CNN Brasil.

 

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