Renúncia ocorre após semanas de protestos liderados por jovens Internacional, Geração Z, Madagascar, Protestos CNN Brasil
O presidente de Madagascar fugiu do país, informaram na segunda-feira (13) o líder da oposição e outras autoridades, sendo esta a segunda vez em semanas que jovens da Geração Z saem às ruas para protestar e conseguem derrubar governos (como no Nepal).
Siteny Randrianasoloniaiko, líder da oposição no parlamento, declarou à Reuters que o presidente Andry Rajoelina deixou Madagascar no domingo (12), após unidades do exército desertarem e se juntarem aos manifestantes.
“Ligamos para o pessoal da presidência e confirmaram que ele deixou o país”, declarou Randrianasoloniaiko, acrescentando que o paradeiro atual de Rajoelina é desconhecido.
Mais tarde, em um pronunciamento à nação, o próprio presidente Andry Rajoelina, afirmou que precisou se deslocar para um local seguro para proteger sua vida. Ele não revelou sua localização, que continua desconhecida, mas uma fonte militar e outras autoridades disseram à Reuters que ele fugiu do país no domingo em uma aeronave do exército francês, depois que tropas malgaxes anunciaram seu apoio aos manifestantes.
Aeronave militar da França
Uma fonte militar informou à Reuters que Rajoelina deixou o país em um avião militar francês. A rádio francesa RFI informou que ele havia chegado a um acordo com o presidente Emmanuel Macron.
Segundo a fonte, o avião francês pousou no aeroporto de Sainte Marie, em Madagascar, no domingo. “Cinco minutos depois, chegou um helicóptero e levou o passageiro até sua residência”, disse a fonte, acrescentando que Rajoelina era o passageiro.
As manifestações começaram na ex-colônia francesa em 25 de setembro por causa da escassez de água e eletricidade, mas rapidamente se transformaram em um levante com reivindicações mais amplas, como o combate à corrupção, ao mau governo e à falta de serviços básicos.
A revolta reflete os protestos recentes contra as elites governantes em países como o Nepal, onde o primeiro-ministro foi forçado a renunciar no mês passado, e o Marrocos.
Sem apoio do exército

Rajoelina parecia cada vez mais isolado após perder o apoio da CAPSAT, uma unidade de elite que o ajudou a tomar o poder em um golpe em 2009.
A CAPSAT se juntou aos manifestantes durante o fim de semana, afirmando que se recusou a atirar neles e escoltando milhares de pessoas na praça principal da capital, Antananarivo.
Posteriormente, anunciou que assumiria o controle do exército e nomeou um novo chefe, o que levou Rajoelina a alertar no domingo sobre uma tentativa de golpe na nação insular, localizada na costa sul da África.
Na segunda-feira, uma facção da força de segurança paramilitar que apoiava os protestos também assumiu o controle da força de segurnça em uma cerimônia formal na presença de altos funcionários do governo, segundo testemunha da Reuters.
O presidente do Senado, alvo da indignação pública durante os protestos, foi destituído, conforme informou o Senado em comunicado, e Jean André Ndremanjary foi nomeado interinamente.
Na ausência do presidente, o líder do Senado assume o cargo até a realização de novas eleições.
“O presidente deve renunciar agora”
Na segunda-feira, milhares de pessoas se reuniram em uma praça da capital, gritando “o presidente deve renunciar agora”.
Adrianarivony Fanomegantsoa, um trabalhador de hotel de 22 anos, disse à Reuters que seu salário mensal de 300.000 ariarys (equivalente a 67 dólares) mal dava para cobrir a alimentação, explicando suas razões para participar dos protestos.
“Em 16 anos, o presidente e seu governo não fizeram nada além de enriquecer enquanto o povo continua pobre. E os jovens, a geração Z, são os que mais sofrem”, afirmou.
Pelo menos 22 pessoas morreram em confrontos entre manifestantes e as forças de segurança desde 25 de setembro, segundo a ONU.
Madagascar, onde a idade média é inferior a 20 anos, tem uma população de cerca de 30 milhões de habitantes, dos quais três quartos vivem na pobreza, com um PIB per capita que caiu 45% entre sua independência em 1960 e 2020, segundo o Banco Mundial.
Embora o país seja conhecido por produzir a maior parte da baunilha do mundo, outras exportações como níquel, cobalto, têxteis e camarão também são vitais para a receita externa e o emprego.

