O ministro Dias Toffoli prorrogou nesta sexta-feira (16/1) por mais 60 dias o inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga fraudes no Banco Master, pertencente a Daniel Vorcaro. O pedido foi feito pela Polícia Federal.
A prorrogação se dá em meio a um desgaste entre Toffoli e a PF por conta da operação Compliance Zero, de quarta-feira (14/1), em que a corporação demorou para deflagrar a ação autorizada pelo magistrado. O ministro reclamou que a demora poderia atrapalhar as investigações e pediu explicações para o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O prazo maior demonstra que o ministro deve continuar à frente das investigações, apesar da pressão para que ele deixe a relatoria do caso após a publicação de reportagens ligando negócios da família de Toffoli a fundos relacionados ao Master.
A condução da investigação por Toffoli vem gerando críticas de advogados, especialistas e da imprensa. Entre as medidas criticadas estão o sigilo absoluto, a investigação no STF, a retirada da custódia das provas da PF para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a indicação de peritos específicos para a análise das provas apreendidas.
A ordem de Toffoli para tirar do poder da PF o material causou mal-estar na corporação. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) divulgou nota em que diz ver “com preocupação” os riscos operacionais e técnicos envolvidos na ausência do envio dos materiais à perícia criminal.
Na quinta-feira (15/1), Toffoli indicou o nome dos quatro peritos que farão o acompanhamento dos trabalhos na PGR, onde o material deverá ficar custodiado.
Nesta sexta-feira, o ministro determinou à PF a alteração no cronograma dos depoimentos dos investigados para concentrar as diligências em apenas dois dias, antes, eram seis. Os depoimentos se dariam entre a última semana de janeiro e a primeira de fevereiro próximo.

