Diretor de organização de cibersegurança afirmou que medida tende a ser estratégia do regime iraniano Internacional, Internet, Irã, Protestos CNN Brasil
A internet está quase totalmente bloqueada no Irã há cinco dias, segundo a organização de vigilância em cibersegurança NetBlocks, enquanto as autoridades reprimem os manifestantes antigoverno.
Nesta terça-feira (13), as comunicações telefônicas pareciam ter sido parcialmente restabelecidas, sendo que alguns usuários de telefones fixos e celulares conseguiram fazer ligações internacionais pela primeira vez desde o início do bloqueio na semana passada.
Alp Toker, diretor da NetBlocks, disse à CNN no início da semana: “Os bloqueios nacionais tendem a ser a estratégia preferida do regime quando a força letal está prestes a ser usada contra os manifestantes, com o objetivo de impedir a disseminação de notícias sobre o que está acontecendo no país e também limitar o escrutínio internacional”.
Mais de 2.000 pessoas, incluindo 1.850 manifestantes, foram mortos até o momento, segundo estimativas da Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA.
Entenda os protestos no Irã
Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.
Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.
A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos disseram que milhares de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que “foque em seu próprio país” e culpou os EUA por incitarem os protestos.
Entenda a onda de protestos no Irã e o impacto para o regime

