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Qual a causa das falhas bancárias?

Última atualização: 30 de janeiro de 2026 05:20
Published 30 de janeiro de 2026
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Quando um banco quebra, a explicação pública quase sempre começa pela “liquidez”: faltou caixa, faltou rolagem, faltou confiança. O problema é que a falta de liquidez costuma ser o modo de falha, não a sua origem. No curtíssimo prazo, liquidez é binária: ou há caixa, ou não há. Já solvência exige avaliar ativos, reconhecer perdas e lidar com incentivos para adiar a má notícia. Daí o velho debate acadêmico: bancos falham porque sofrem corridas (um problema de coordenação e liquidez) ou porque ficam insolventes (um problema de perdas e capital)?

O artigo “Failing Banks”, de Sergio Correia, Stephan Luck e Emil Verner, publicado no Quarterly Journal of Economics neste ano, entra no debate com uma estratégia simples: olhar empiricamente para um longo horizonte.[1] Os autores constroem um painel com a maior parte dos bancos comerciais dos Estados Unidos entre 1863 e 2024: cerca de 37 mil instituições, das quais mais de 5.000 faliram durante o período analisado, cobrindo tanto o regime sem seguro de depósitos quanto o regime com seguro de depósitos, após a criação do FDIC em 1933.[2]

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O objetivo não é recontar nenhum episódio específico, mas documentar regularidades, medir a previsibilidade de uma falha bancária e separar, com fatos, o que parece coordenação do que parece fundamento.

A narrativa da corrida, ou bank runs, se baseia nos riscos da relação entre depósitos resgatáveis financiando ativos ilíquidos. Se os depositantes acreditam que outros sacarão sua parte, cada um tem incentivo a sacar primeiro, e a retirada coletiva pode derrubar um banco que, em tese, seria viável em condições normais. Já a narrativa da solvência afirma que o motor causal é a deterioração econômica: crédito ruim, risco de juros, fraudes, má governança e modelos de negócio inviáveis. Nesse segundo mundo, corridas podem ocorrer, mas tendem a definir o dia do fechamento do banco, não a sua causa primária.

Os dados analisados pelo artigo favorecem fortemente a narrativa da solvência. Bancos que falham deixam rastros por anos: perdas crescentes, capital em queda e, muitas vezes, um ciclo de “boom and bust”, em que o banco cresce muito rápido antes de encolher perto do fim.

A ponte entre deterioração de solvência e crise de liquidez aparece no passivo, o noncore funding. Trata-se de financiamento caro e sensível a risco, como depósitos a prazo remunerados acima do mercado e captação no atacado. É o dinheiro que fica porque o preço seduz, não porque a relação é estável. Esse tipo de funding tende a elevar o custo do passivo, acelerando a erosão do capital.

Esse padrão torna falências altamente previsíveis com métricas contábeis simples. Os autores medem o poder preditivo com a AUC (um indicador de acerto de classificadores) e encontram cerca de 86% para prever falhas em um ano no período pré-FDIC. No período moderno, a AUC fica entre 90% e 95%. Em linguagem não técnica: sinais de fundamentos fracos e fragilidade do passivo aparecem cedo e persistem. Isso é difícil de conciliar com a ideia de pânico aleatório derrubando bancos saudáveis em larga escala.

Corridas existiram, mas variam conforme o regime, com seguro ou sem seguro, e, sobretudo, não anulam o papel dos fundamentos. Antes do FDIC, depósitos nos bancos que falham caem, em média, 14% imediatamente antes do fechamento. Depois do FDIC, a queda média é de cerca de 2%. O seguro de depósitos reduz corridas de varejo, como se esperaria.

Ainda assim, mesmo quando há grandes saídas de depósitos, essas falhas continuam tão previsíveis quanto as demais. Além disso, classificações contemporâneas do OCC atribuem “runs e problemas de liquidez” a menos de 2% das falhas que analisaram, apesar de saídas de depósitos no caminho.[3]

A evidência sobre recuperação em liquidação reforça a leitura de insolvência. Nos receiverships históricos, a recuperação média é baixa, cerca de 52% do valor contábil dos ativos. Com um exercício que combina alavancagem e recuperação, os autores concluem que a maioria dos bancos falidos era fundamentalmente insolvente.

Mesmo sob hipóteses extremas favoráveis à narrativa da corrida, corridas que derrubam bancos fracos, mas solventes, parecem explicar uma fração pequena das falhas: menos de 8% se se assumir que não há destruição de valor pela própria falência; ainda sob a hipótese extrema de destruição de 20% do valor, esse número sobe para 22%.

A implicação de política pública é direta. Se o problema dominante é solvência, prover apenas liquidez pode adiar o fechamento, mas não cura o balanço. O foco regulatório precisa recair sobre capital, reconhecimento tempestivo de perdas (tema do meu próximo comentário) e sinais ligados ao passivo: composição, custo e dependência de funding rolável.

O artigo ainda sugere um desconforto adicional: depositantes nem sempre reagem cedo aos sinais públicos de fragilidade. Com garantias, podem até perseguir a taxa alta no depósito, paga pelo maior risco bancário, como se fosse “bônus”. Assim, o desenho institucional relevante não é impedir pânico, mas minimizar a tolerância regulatória com bancos fragilizados (ou seja, a prática de adiar o reconhecimento de perdas e a intervenção) e reduzir a arbitragem de passivos garantidos.

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É nesse ponto, como nota final, que podemos incluir o caso do Banco Master. No Brasil, o FGC reduz o risco de corridas de varejo (cobrindo, em regra, até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição), mas também desloca a disciplina: se o investidor trata o instrumento coberto como “principal protegido”, a taxa alta paga pelo banco pode virar oportunidade em vez de alerta de risco.

Segundo dados públicos, o Master adotou uma estratégia de expansão via CDBs com remuneração muito acima do mercado, e o regulador teria tentado limitar essa remuneração, com estresse de rolagem em seguida. Se esse roteiro estiver correto, ele se encaixa no mecanismo do artigo: funding caro e sensível a risco sustenta o banco até que uma restrição chegue e, então, a “liquidez” aparece como evento terminal. Em crises, liquidez é o alarme. O incêndio quase sempre começa antes.


[1] https://academic.oup.com/qje/article/141/1/147/8249276

[2] A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) é a agência federal criada em 1933 para oferecer seguro de depósitos e conduzir a resolução de bancos segurados nos Estados Unidos.

[3] O Office of the Comptroller of the Currency (OCC) é o órgão federal do Departamento do Tesouro que autoriza e supervisiona bancos nacionais nos Estados Unidos e cujos relatórios históricos embasam parcialmente a classificação das causas de falência no artigo.

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