Futebol brasileiro fatura mais, mas dívidas disparam e déficit preocupa Futebol, CNN Esportes, CNN Esportes S/A, Futebol brasileiro CNN Brasil
Apesar do avanço financeiro que impulsiona o futebol brasileiro, a gestão dos clubes ainda tropeça em velhos problemas. É o que aponta a nova edição do relatório “Convocados 2025″, produzido pela Convocados Gestora de Ativos de Futebol em parceria com a OutField Inc., com patrocínio da Galapagos Capital.
Em entrevista ao CNN Esportes S/A, Joel La Banca, sócio e diretor da Galapagos Capital, e Pedro Oliveira, cofundador da OutField, explicam os dados apresentados no estudo.
“O fato é que mostramos no relatório que a indústria está movimentando muito mais dinheiro. Há muito recurso entrando, seja pela aceleração das receitas, que cresceram 25% ano contra ano; pela injeção de capital inorgânico dos novos investidores, donos de SAFs no mercado; ou ainda pelas antecipações de créditos futuros que alguns clubes têm feito para se capitalizar e aumentar a liquidez”, revela Pedro.
“Essas três alavancas fazem com que hoje circule muito mais dinheiro dentro do futebol brasileiro. O problema é que esse dinheiro novo não está necessariamente sendo alocado da forma correta, com foco na sustentabilidade e longevidade financeira do futebol nacional. Um dado preocupante do relatório é que, comparando 2023 com 2024, os clubes brasileiros dobraram o valor investido em contratações: em 2023, foram R$ 1,6 bilhão; em 2024, R$ 3,4 bilhões. Ao mesmo tempo, o endividamento aumentou em 25%. Isso mostra que o dinheiro novo está sendo direcionado, em grande parte, para investimento dentro de campo, enquanto do outro lado a dívida e as despesas financeiras crescem”, acrescentou.
Em 2024, os times da Série A movimentaram R$ 10,2 bilhões — um crescimento real de 10% em relação ao ano anterior. No entanto, esse aumento foi puxado principalmente por transações no mercado de transferências. As chamadas receitas recorrentes, que incluem bilheteria, patrocínios e direitos de transmissão, cresceram apenas 4%, reforçando a dependência dos clubes na venda de atletas para manterem as contas em dia.
No acumulado do ano, os clubes apresentaram um déficit de R$ 283 milhões. O relatório também destaca uma escalada preocupante nas dívidas: o endividamento total do setor saltou para R$ 14,6 bilhões — aumento de 23% em relação a 2023.
Deste montante, as chamadas dívidas operacionais, que incluem compromissos como salários e aquisições de jogadores, subiram 37%, somando R$ 6,3 bilhões. O retrato exposto pela 16ª edição do relatório reforça que, embora a indústria do futebol no Brasil esteja mais rica, a falta de equilíbrio entre receitas sustentáveis e despesas ameaça a saúde financeira dos clubes no médio e longo prazo.
“O que os clubes não estão fazendo, como uma empresa deveria, é olhar para a despesa. É insustentável que, ao longo do tempo, um clube tenha mais despesas do que receitas — ou seja, déficits ano após ano. Como o clube resolve isso?”, questionou Joel.
“Esses patamares não são sustentáveis a longo prazo, especialmente se os clubes continuarem sem gerar superávit para pagá-los. Por isso dizemos que o futebol está no caminho da doença: esse é o cenário preocupante, e não se enxerga uma perspectiva clara de longevidade financeira em muitos desses clubes”.
Exemplos positivos
O relatório também reforça que quase metade dos clubes da Série A operaram no prejuízo no ano passado, e 11 deles atuam em condições financeiras consideradas de alto risco.
Apesar disso, Pedro Oliveira cita clubes que são usados como exemplo de sucesso.
“Somos otimistas, porque trabalhamos com essa indústria, empreendemos nela, e estamos vendo os sinais de transformação. É muito importante destacar os movimentos que Palmeiras e Flamengo começaram lá em 2013 — há 12 anos — com foco em desalavancar, pagar dívidas, para só depois voltarem a fazer grandes investimentos no futebol. E hoje, dentro de campo, vemos que essa estratégia funcionou. São casos de sucesso que estão aí para todos aprenderem”, disse.
“Temos o exemplo do Fortaleza, que saiu da Série C em 2017, e hoje é um participante frequente de competições continentais, como a Libertadores. Há também o Red Bull Bragantino, como modelo de clube-empresa, e agora o Bahia, com investimento inorgânico do City Football Group, dono do Manchester City, também apostando no futebol brasileiro”, encerrou
CNN Esportes S/A
Com Joel La Banca e Pedro Oliveira, o CNN Esportes S/A chega à 100ª edição. Apresentado por João Vitor Xavier, o programa aborda os bastidores de um mercado que movimenta bilhões e é um dos mais lucrativos do mundo: o esporte.
Em pauta, os assuntos mais quentes da indústria do mundo da bola, na perspectiva de economia e negócios.

