Diretor, produtor e autor, Maneco ficou conhecido pelo estilo singular na escrita de novelas Entretenimento, #CNNPop, Manoel Carlos, Novela CNN Brasil
Manoel Carlos, que morreu neste sábado (10) aos 92 anos, foi um dos principais nomes da teledramaturgia brasileira. Também conhecido como Maneco, o autor, diretor e produtor ganhou ascensão na década de 1990. Apesar de ser natural de São Paulo, o dramaturgo se notabilizou por enredos que, na maioria das vezes, retratavam a burguesia carioca, com foco no Leblon, bairro de classe alta na zona sul do Rio de Janeiro.
“Eu acho que o Rio é um dos poucos lugares que podem realmente falar com o Brasil inteiro, porque o Rio é um ‘tamborzão’. Tudo que se faz aqui, repercute. Tudo do Rio de Janeiro tem uma força muito grande para o resto do Brasil”, afirmou ele em uma antiga entrevista ao Memória Globo.
O autor estava afastado da TV desde que colocou no ar a trama de “Em Família”, em 2014, e foi diagnosticado com Parkinson há cerca de seis anos.
Para preservar sua obra, Maneco incumbiu a própria filha, Júlia Almeida, 41, para assumir a direção da produtora Boa Palavra, criada por ele e a esposa, Elisabety, em meados de 2005.
Como projeto de estreia, a herdeira lançou, em setembro, o documentário “O Leblon de Manoel de Carlos”, a partir das simbologias que integraram o universo do autor e seu olhar sobre as relações humanas.
À CNN, Julia refletiu o legado deixado pelo pai diante da atual leva de autores brasileiros. “Acredito que uma das coisas mais preciosas foi esse universo inteiro que ele construiu nas novelas. Manoel Carlos está para o Rio de Janeiro assim como Woody Allen está para Nova York”, conta.
Relembre a carreira e o estilo de Manoel Carlos
Um dos pioneiros da televisão brasileira, Manoel começou a carreira ainda na década de 1950, quando integrou o Grande Teatro Tupi, da extinta TV Tupi, ao lado de nomes como Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi e Natália Timberg.
Em 1952, o autor escreveu sua primeira telenovela, intitulada de “Helena”, que foi ao ar na TV Paulista. A obra era uma adaptação do romance homônimo de Machado de Assis. Depois, ele engatou “Nick Chuck” e “Iaiá Garcia” na mesma emissora.
Já no final de 1960, dirigiu e produziu programas como “Família Trapo”, na TV Record, assim como “Esta Noite se Improvisa, O Fino da Bossa”.
Na Globo, ele estreou em 1972 como diretor-geral do “Fantástico”, mas seu primeiro folhetim foi “Maria, Maria”, em 1978, seguido de “A Sucessora”. Em 1980, o autor foi colaborador de Gilberto Braga em “Água Viva” e, em 1981, estreou no horário nobre com “Baila Comigo”, apresentando ao público sua primeira protagonista Helena, vivida pela atriz Lilian Lemmertz. O papel tornou-se uma marca registrada do autor.
“Helena é um nome extremamente forte e é um nome que sempre me soou como nome de personagem. Eu sempre gostei desse nome, fui dando, achei que era bom e ficou. Ficou uma grife”, afirmou Maneco em entrevista exclusiva ao Memória Globo.
Um ano depois, em 1982, Maneco deixou a emissora carioca e, na Rede Manchete, escreveu duas produções: a minissérie “Viver a Vida” (1984) e o seriado “Joana” (1985). Já na Band, ele ainda produziu “O Cometa” (1986).
Apesar do título, a minissérie “Viver a Vida” não teve relação com a novela de mesmo nome, que foi ao ar anos mais tarde.
De volta à TV Globo, o autor emplacou uma sequência de sucessos, como “Felicidade” (1991), “História de Amor” (1995), “Por Amor”, (1997), “Laços de Família” (2000), “Mulheres Apaixonadas” (2003), “Páginas da Vida” (2006), “Viver a Vida” (2009) e “Em Família” (2014).
Sua carreira ainda inclui seriados e minisséries como “Presença de Anita” (2001) e “Maysa – Quando Fala o Coração” (2009).
O trabalho mais recente foi a supervisão de texto na série “Não se Apega, Não” (2015), exibida no Fantástico.
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