Pesquisadores da Universidade de Columbia criaram o robô Emo, capaz de sincronizar os lábios como um humano e “cantar” sem voz; assista ao vídeo. Tecnologia, Idiomas, Robô, Robótica CNN Brasil
O setor de robótica constantemente passa por avanços e, em alguns casos, robôs já são testados na indústria para substituir trabalhadores humanos. Agora, pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, desenvolveram um robô capaz de “cantar” e movimentar os lábios de forma semelhante à de uma pessoa.
Os robôs já conseguem realizar diversas tarefas que superam as capacidades humanas. Ainda assim, a tecnologia não alcançou o nível retratado em filmes em que robôs têm aparência idêntica à de pessoas.
Um exemplo é a franquia Blade Runner, em que a trama mostra personagens incapazes de distinguir facilmente quem é humano e quem é um robô. Por enquanto, ainda não chegamos nesse nível, mas a tecnologia está avançando rapidamente; um exemplo disso é esse robô capaz de sincronizar os lábios e “dublar” músicas.
Robô que “canta” e sincroniza os lábios
Desenvolvido pela Universidade de Columbia, o robô chamado Emo foi criado para movimentar a boca de forma semelhante à dos humanos. O objetivo é estudar como desenvolver robôs com mecânica facial capaz de simular os movimentos da boca e as expressões de uma pessoa real.
Para isso, os pesquisadores equiparam o rosto robô com 26 motores miniaturizados, posicionados sob uma camada de silicone que imita a pele humana. Inclusive, vale ressaltar que os primeiros protótipos são apenas do rosto, então Emo não tem um corpo.
Assista abaixo ao vídeo do robô “falando” em diversos idiomas:
É importante destacar que o Emo não tem cordas de voz, então ele não fala ou canta de fato. O robô apenas sincroniza o movimento dos lábios com a letra da música que está tocando, ou com a voz reproduzida em um dispositivo de áudio.
Ou seja, é como um karaokê sem voz: ele não emite som, apenas movimenta a boca de acordo com as palavras da música.
Como o robô Emo canta?
Com 26 motores em miniatura sob uma camada de ‘pele’ de silicone, o Emo realiza movimentos sutis para imitar as expressões faciais de uma pessoa cantando. Inclusive, esse resultado não surgiu de forma imediata.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Columbia, o robô passou muitas horas fazendo expressões diante de um espelho para compreender como cada motor influencia os movimentos do rosto. Depois disso, ele começou a “assistir” a vários vídeos de pessoas falando e cantando, a fim de aprender como esses movimentos acontecem na prática.
Atualmente, o Emo consegue sincronizar os lábios mecânicos para “cantar” em diferentes idiomas, embora ainda apresente algumas dificuldades com certos sons, como os das letras “B” e “W”.
Rosto robótico e o vale da estranheza
Publicado em janeiro de 2026 na revista científica Science Robotics, o estudo por trás do Emo é importante principalmente por causa do chamado vale da estranheza. Esse termo explica a dificuldade de reproduzir movimentos faciais humanos de forma realmente convincente.
Na prática, seja em robôs ou em rostos digitais usados em filmes live-action, o vale da estranheza ajuda a entender por que algo parece “errado” quando olhamos para essas faces. Isso acontece porque o rosto humano consegue produzir dezenas de movimentos e expressões musculares muito sutis, que ainda não são totalmente compreendidos pela ciência.
“Quanto mais ele interagir com humanos, melhor ficará. Nosso objetivo é resolver esse problema, que tem sido negligenciado na robótica”, disse o diretor do laboratório, Hod Lipson, em mensagem ao site Cnet.

