Kiev nega alegações e acusa Moscou de divulgar “notícias e declarações falsas sem parar” Internacional, guerra ucrânia, Moscou, Rússia, Ucrânia CNN Brasil
O serviço de segurança da Rússia afirmou ter frustrado um plano da Ucrânia para assassinar um alto funcionário do Kremlin em território russo, enquanto o suposto alvo visitava um cemitério.
A declaração do FSB (Serviço Federal de Segurança da Rússia) surgiu enquanto os moradores de Kiev vivenciavam mais uma noite de intensos ataques aéreos russos que mataram pelo menos cinco pessoas, segundo autoridades ucranianas.
Segundo um comunicado divulgado na sexta-feira (14) pelo FSB, os serviços especiais ucranianos planejavam alvejar o oficial não identificado, descrito como “um dos mais altos funcionários do Estado russo”, enquanto ele visitava os túmulos de seus parentes em um cemitério nos arredores de Moscou.
O FSB também afirmou que a Ucrânia está planejando ataques semelhantes dentro da Rússia.
A CNN não conseguiu verificar de forma independente as alegações da Rússia. O Serviço de Segurança da Ucrânia negou a reportagem, declarando à CNN: “Eles estão divulgando notícias e declarações falsas sem parar. Nossa posição é não comentar essas bobagens.”
A Ucrânia já reivindicou a responsabilidade pelo assassinato de autoridades russas no passado, incluindo um comandante morto no mês passado na Sibéria.
Segundo autoridades dos respectivos países, tanto a Ucrânia quanto a Rússia lançaram ataques aéreos contra o território uma da outra durante a madrugada de sexta-feira (14).
Em Kiev, as autoridades locais informaram que pelo menos cinco pessoas morreram e dezenas ficaram feridas nos últimos ataques. Entre os feridos estavam duas crianças e uma mulher grávida, segundo a administração militar da cidade.
Mais de 15 edifícios foram danificados na capital, incluindo residências e uma unidade médica, acrescentou a nota.
Entretanto, um ataque de drone ucraniano teve como alvo a cidade portuária russa de Novorossiysk, ferindo pelo menos quatro pessoas e danificando um depósito de petróleo, de acordo com o governador do Krai de Krasnodar.
As mortes tornaram-se uma marca registrada da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Os assassinatos seletivos dentro da Rússia e em partes da Ucrânia ocupadas por Moscou aumentaram drasticamente desde 2022, de acordo com o grupo de monitoramento ACLED (Armed Conflict Location & Event Data).
O número de tentativas de assassinato dentro da Rússia nos três primeiros trimestres de 2025 foi superior à soma dos três anos anteriores, segundo relatório da ACLED.
No mês passado, a Ucrânia afirmou ter assassinado um oficial russo, Veniamin Mazzherin, com um carro-bomba. O vice-comandante de uma unidade da polícia militar russa em Kemerovo, no sudoeste da Sibéria, teria ajudado a liderar uma unidade especial envolvida em “crimes de guerra e genocídio contra o povo ucraniano”, segundo a Inteligência de Defesa da Ucrânia.
Em abril, o general russo Yaroslav Moskalik foi morto na explosão de um carro nos arredores de Moscou. As autoridades russas disseram ter acusado um “agente dos serviços especiais ucranianos” de terrorismo, embora a Ucrânia não tenha reivindicado qualquer responsabilidade pelo incidente.
Poucos meses antes disso, um general russo de alta patente, acusado de usar armas químicas na Ucrânia, foi morto por uma bomba detonada remotamente, plantada em uma scooter elétrica em frente a um prédio residencial em Moscou. Uma fonte com conhecimento da operação disse à CNN na época que os serviços de segurança da Ucrânia estavam por trás do assassinato.
Em novembro de 2023, a Ucrânia reivindicou a responsabilidade pelo assassinato de Mikhail Filiponenko, um parlamentar de uma assembleia instalada pelo Kremlin na cidade ocupada de Luhansk, no leste da Ucrânia. Filiponenko também foi morto em um atentado com carro-bomba.
A Ucrânia também registrou assassinatos. Em julho, um oficial dos serviços de segurança ucranianos foi morto a tiros em plena luz do dia em Kiev, e as autoridades atribuíram o crime aos serviços de segurança russos.

