Após um restauro de R$ 80 milhões, a gestão municipal quer reabrir a Marquise com normas que priorizem circulação de pedestres e preservação do patrimônio São Paulo, -agencia-cnn-, esportes, Parque do Ibirapuera, Prefeitura de São Paulo CNN Brasil
O uso da Marquise do Ibirapuera para a prática de esportes por patins, patinetes, skates e bicicletas está sendo avaliado pela Prefeitura de São Paulo, e é uma dúvida para a reinauguração do espaço, que acontece em 25 de janeiro de 2026, no dia do aniversário da cidade. A minuta é uma proposta inicial, que ainda passará por discussão com o Conselho Gestor do Parque, órgãos de patrimônio e representantes da sociedade civil.
Em nota, a gestão municipal confirmou que o acesso do público ao espaço será mantido e que a intenção é construir uma regra “democrática, segura e sustentável” para o local.
A Urbia, concessionária responsável pela gestão do Ibirapuera, defende que a Marquise volte a cumprir sua função original, que seria um espaço de circulação entre os equipamentos culturais do parque, não uma área para esportes.
Segundo a empresa, a restrição é necessária para preservar o patrimônio tombado e evitar conflitos de uso, algo recorrente antes do início das obras. A empresa afirmou que o uso exclusivo para pedestres contribuirá para a conservação da estrutura, que passou por um investimento de mais de R$ 80 milhões. Além disso, relatou que desde que assumiu a administração do parque, há cinco anos, foram criados e reformados espaços específicos para essas atividades, como o skate park e a pista sinalizada para skate downhill na Ladeira da Preguiça.
Patins, bicicletas e skates seguirão permitidos nas demais áreas ao ar livre do parque. A concessionária ainda lembrou que as bicicletas já eram proibidas sob a Marquise antes mesmo do fechamento do local para a reforma.
Obras e reinauguração
A Prefeitura de São Paulo autorizou, em 29 de fevereiro de 2024, o início das obras de recuperação da Marquise José Ermírio de Moraes do Parque Ibirapuera, projetada por Oscar Niemeyer. A reforma começou no início de março.
O prefeito Ricardo Nunes assinou a autorização, com o investimento de R$ 71,9 milhões, durante as intervenções do programa Prefeitura Presente, na região da Vila Mariana. O trabalho será feito pela concessionária Urbia, responsável também pela gestão do parque. O processo está sendo acompanhado pelo TCM (Tribunal de Contas do Município) até a finalização das obras.
Segundo Samuel Lloyd, diretor comercial da Urbia, o contrato de concessão já tem a manutenção preventiva e corretiva garantida pelos próximos anos até o final do contrato, em 2055. O secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ravena, disse que os termos firmados com a concessionária proporcionam maior segurança, menos gastos, menor prazo e melhor operação.
A Marquise
A Marquise do Parque Ibirapuera, símbolo arquitetônico da cidade, é uma obra tombada e foi projetada pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Hélio Uchoa Cavalcanti, Eduardo Kneese de Mello e Zenon Lotufo.
Em fevereiro de 2019, trechos da estrutura foram isolados após uma vistoria preventiva que constatou danos na impermeabilização, infiltrações, pontos de segregação do concreto e corrosão da armadura.
A construção fica dentro do Parque Ibirapuera, que é conhecido por ser um dos cartões portais de São Paulo. Mensalmente, o local recebe em média 1,3 milhão de visitas.
A Urbia assumiu definitivamente a gestão do parque em outubro de 2020, e o contrato assinado tem duração de 35 anos. Segundo a prefeitura, essa concessão à iniciativa privada proporciona uma economia de mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, ao longo do prazo do contrato.
*Sob supervisão de Tonny Aranha

