Apesar da queda de 10,6% nos embarques, receita atingiu novo recorde, superando US$ 1 bilhão Agro, Agro brasileiro, Café, CNN Brasil, Exportação CNN Brasil
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As exportações de café solúvel do Brasil recuaram significativamente em 2025, após a imposição de tarifas protecionistas nos Estados Unidos, principal destino do produto. Mesmo com a queda no volume embarcado, o setor registrou receita cambial recorde e expansão do consumo doméstico, segundo o Relatório do Café Solúvel do Brasil 2025, divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) nesta quarta-feira (28/1).
Ao longo do ano passado, o país exportou o equivalente a 3,68 milhões de sacas de 60 kg de café solúvel, o que representa uma queda de 10,6% em relação a 2024. Segundo a associação, as taxas do governo Donald Trump diminuíram “drasticamente” a competitividade da commodity no território americano.
No período de agosto a dezembro, quando a tarifa esteve em vigor, os embarques aos EUA caíram cerca de 40%, comparado ao mesmo intervalo do ano anterior — e 28% no acumulado anual, frisou a ABICS.
Apesar da queda no volume, a receita gerada com as exportações atingiu US$ 1,099 bilhão em 2025, um novo recorde para o setor, 14,4% acima de 2024, impulsionada pela valorização dos cafés arábica e canéfora no mercado internacional.
Embora os EUA continuem como principal comprador, outros destinos ganharam relevância para o produto brasileiro em 2025. A Argentina importou cerca de 291,9 mil sacas, um crescimento de 40,2%, enquanto a Rússia adquiriu 278,1 mil sacas, alta de 9,8%. Países como Indonésia, México, Vietnã e Colômbia também ampliaram suas compras, refletindo uma diversificação gradual dos destinos do solúvel brasileiro.
Especialistas ouvidos pela ABICS destacam a necessidade de expandir acordos comerciais e reduzir dependência de mercados com barreiras protecionistas, como forma de fortalecer a presença do café solúvel brasileiro no exterior.
Consumo interno cresce
No mercado doméstico, o café solúvel apresentou desempenho robusto, com o consumo atingindo 1,170 milhão de sacas equivalentes, um crescimento de 9,5% frente a 2024. A ABICS aponta que fatores como o custo mais baixo por xícara em comparação ao café torrado/moído e o lançamento de novos produtos têm estimulado a demanda dos consumidores brasileiros.
Diante do cenário, para 2026 a perspectiva da entidade é procurar outros novos mercados e intensificar a pressão para os acordos comerciais, como uma estratégia de longo-prazo para evitar que problemas tarifários voltem a prejudicar os exportadores de café solúvel.
“A União Europeia, com seu grande volume de consumo e as perspectivas de redução tarifária através do acordo Mercosul-UE, representa uma rota promissora em médio e longo prazos. Entretanto, é fundamental que o Brasil continue a diversificar seus destinos de exportação, aprimore sua competitividade e busque uma agenda mais ativa de acordos comerciais”, destacou a Associação, em nota.

