Prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto, membros da federação argumentam que taxação já está dando prejuízo às exportações Macroeconomia, CNN Brasil Money, Donald Trump, Indústria, Paraná, tarifaço de Trump CNN Brasil
Entidades e empresários vinculados à Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) se reuniram com representantes do governo, nesta sexta-feira (25), para tratar da taxação de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelos Estados Unidos no começo do mês.
Prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto, membros da federação argumentam que a aproximação da tarifa já está gerando o cancelamento de contratos e, consequentemente, dando prejuízo às exportações.
Durante o encontro, que aconteceu em Curitiba, a Fiep entregou um ofício ao secretário de Estado da Fazenda, Norberto Ortigara, destacando os impactos para a economia do estado e enumerando ações para mitigar prejuízos e auxiliar as empresas afetadas.
Estiveram presentes mais de 30 empresários e dirigentes de sindicatos industriais.
Raio-X das exportações
Segundo o documento, em 2024, o Paraná exportou cerca de US$ 1,58 bilhão (R$ 8,7 bilhões) aos EUA.
Cerca de 75% dessas vendas (US$ 1,19 bilhões, ou R$ 6,6 bi) foi de produtos dos setores da madeira, móveis, carne, café, mate, pescados, couro, calçados, mel, metalmecânico, siderurgia, cerâmica, papel e celulose e sucos. Juntos, esses segmentos são responsáveis por mais de 620 mil empregos, diretos e indiretos.
A Fiep ressalta que as indústrias do estado já começaram a sentir os efeitos econômicos da decisão do presidente Donald Trump. Nos últimos dias, o preço das principais commodities exportadas aos norte-americanos registram queda, como carne (-8,05%); café (-4,18%) e laranja (-5%).
No caso do último, produtores afirmaram à Reuters que estão considerando deixar as frutas apodrecerem no pé por causa das tarifas que se aproximam.
Medidas emergenciais
Algumas providências já estão sendo tomadas pelas indústrias da região, como a concessão de férias coletivas. Ainda assim, a Fiep lista algumas medidas que o poder público deve tomar, que incluem:
- Liberação dos saldos de crédito de ICMS;
- Empresas exportadoras enfrentam alíquotas tributárias que chegam a 80%. A federação pede a redução do percentual para 50%;
- A criação de linhas de crédito específicas para o setor, com acesso facilitado e juros subsidiados (medida, inclusive, já prevista pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad);
- Postergação das parcelas de financiamentos referentes ao Fomento Paraná (instituição financeira do estado que oferece crédito para PMEs) e ao Bradesco, com vencimento a partir de julho de 2025. Medida não envolveria prejuízo da contratação de novos financiamentos;
- Suspensão de medidas de fiscalização e sanções referentes aos Projetos de Investimento do Programa Paraná Competitivo.
A federação também pediu que o governo do estado se posicione junto a governo federal e defenda o adiamento da imposição de tarifas pelo prazo mínimo de 90 dias. Sugeriu, ainda, que o estado se posicione favoravelmente à criação de um novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, como o instaurado em 2020, durante a pandemia de Covid-19.
“Nosso objetivo é preservar os empregos, por isso precisamos de ajuda para a sobrevivência dessas empresas”, afirmou Paulo Roberto Pupo, coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais da Fiep.
Resposta do governo
Em resposta às reinvindicações do empresariado, o secretário Norberto Ortigada fez sinalização positiva, afirmando que as medidas sugeridas pela federação serão adotadas nos próximos dias.
“Agora, é uma questão de calibrar a necessidade e a capacidade. São medidas que, em conjunto, a gente vislumbrou, torcendo para que haja sucesso por parte dos negociadores brasileiros”, explicou.
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